A fim de devassar por completo a chamada "cultura alternativa", com todos seus contornos, nuances e profundidade, venho já um bom tempo entrevistando diversos artistas de várias cidades e estilos. Esse blog portanto, visa reunir todo esse trabalho incansável que está em constante mutação e transformação; artistas vão surgindo do vácuo, aumentando o número de entrevistas num processo quase eterno, porém gratificante.
Vai aí mais uma entrevista que fiz com o jornalista, poeta, contista e fanzineiro Fabio da Silva Barbosa. Nos conhecemos em 2009 através do Glauco Mattoso. Trombamos pessoalmente na minha primeira viagem ao Rio de Janeiro e desde então ficamos amigos. Hoje ele mora em Porto Alegre e eu no Rio de Janeiro. E como muita coisa aconteceu desde a última entrevista que fizemos, resolvi acrescentar mais esse novo bate papo nesse blog que visa devassar ao máximo a chamada "cultura alternativa". Só faltava uma mesa de boteco pra ficar ainda melhor.
http://rebococaido.tumblr.com/
1) Comece falando da sua mudança de Niterói (RJ) para Porto Alegre (RS). Observou diferenças significativas na produção alternativa das duas regiões? E o intercâmbio com o resto do país, como está?
Estava precisando respirar novos ares e fui o mais longe que podia chegar. O mundo é imenso e ainda existem muitos lugares que gostaria de conhecer. Mas não conhecer como turista, visitando aqueles pontos e blábláblá... Prefiro conhecer como habitante, o dia-a-dia...
Falando especificamente da produção alternativa, observei muitas diferenças, assim como pontos em comum. É um lugar diferente, com pessoas diferentes... Sabe como é. Mas estou curtindo isso tudo. O pessoal aqui é bastante ativo e combativo. Digo isso não só em relação a produção cultural, como em relação ao ativismo político. Se bem que a coisa pelo RJ está intensa também. Sempre teve uma galera fazendo acontecer por aí, mas parece que agora o caldo engrossou e isso é ótimo. As pessoas têm de estar em movimento para o mundo andar. Quem fica parado cria mofo e apodrece.
O intercâmbio com o resto do país continua fluindo. Volta e meia aparece alguma novidade vinda de algum lugar, conheço uma figura criativa... Trocar ideias e experiências é sempre muito legal. Conhecer e absorver é sempre bom para que não nos permitamos ficar trancados em nossas míseras certezas.
2) E sua produção atual, como está?
Desde que cheguei ao Sul minha produção diminuiu bastante. Muita coisa nova para aprender, pessoas para conhecer, lugares para ver... e por aí vai. Mas as coisas continuaram acontecendo. Mesmo diminuindo o ritmo, continuei a produzir. O Reboco Caído continuou saindo, sou assessor de imprensa de uma associação de moradores daqui, lancei o livro “Escritos malditos de uma realidade insana” (http://www.lamparinaluminosa.com/index.php/os-livros/e-book/59-escritos-malditos), iniciei um projeto no Presídio Central (mas com a mudança na direção do presídio somado a outros acontecimentos o projeto perdeu o acesso ao lugar), retomei minhas atividades com blogs... e mais um monte de coisas. Mesmo assim não estava satisfeito e queria voltar a produzir tanto quanto antes. Em minha opinião, eu estava muito lento. Então comecei 2014 com a “Tarde multicultural sem fronteiras” e estou me esforçando para produzir mais e mais, até retomar aquela produção hemorrágica de antigamente, aquela coisa compulsiva onde nada mais importa.
3) Fale sobre sua opinião em relação aos manifestos que circularam o país na metade de 2013, dê sua avaliação e como anda o movimento hoje.
Isso tudo é a continuação de coisas que já vem acontecendo faz tempo. A movimentação por mudanças sempre esteve aí. Em alguns momentos essas movimentações tomam força e os grandes meios de comunicação não conseguem fingir que nada está acontecendo. Daí, os que ainda não aprenderam outras maneiras de se informar começam a ver o que está acontecendo. O problema é que essa galera informada pelos veículos convencionais fica com uma visão deformada das coisas. Na verdade, essas pessoas não se informam. Como jornalista, sei bem do que estou falando. Quem quiser saber o que está rolando nas manifestações deve tirar a bunda da cadeira e ir ver com seus próprios olhos, a mente aberta e o comodismo jogado na lixeira.
Minha avaliação é que o povo tem de ir para rua mesmo. Esse lance de ficar de covarde em casa, preso a zona de conforto, sofrendo em silêncio, é coisa de bunda mole. As pessoas têm de ter medo é que tudo continue assim. Se a população não for para as ruas exigir seus direitos, nada vai mudar. Quem não reclama é porque está satisfeito. Eu não tô satisfeito.
Agora a última parte da pergunta: Como anda o movimento hoje? O movimento está sendo espremido por essa estrutura criada para continuar privilegiando meia dúzia. Resumiram um movimento que engloba vários movimentos, que já estão há anos na luta, a um grupo e esse grupo vem sendo cassado, taxado e rotulado. O governo está preparando a lei que vem sendo comparada ao ai5. Eles estão agindo com todas as forças para frear a reação do povo. Estão fazendo o que sempre fizeram, mas de maneira mais escancarada, com maior liberdade de repressão. O que salva é que as pessoas não estão recuando. O povo continua nas ruas, greves continuam acontecendo... Acredito que o momento seja de repensar e reavaliar tudo o que aconteceu até agora para superar essa nova etapa e os novos obstáculos impostos. Aprender com os erros e acertos.
4) Ainda continuar acreditando no fanzine impresso?
Claro. Como e por que não acreditaria? Estou produzindo o próximo número do Reboco Caído que sairá impresso e digital. A versão digital tem me ajudado bastante com minha falta de grana para enviar o Reboco para outros estados e países, mas ela nunca irá substituir o impresso. Tenho tido de balancear bem os gastos entre a xerox e o correio.
5) O que anda lendo atualmente?
Tenho lido bastante zines, blogs, a mídia alternativa e independente e relido os que para mim são clássicos da minha pequena biblioteca domiciliar.
6) Fale sobre cinema.
Tenho visto documentários e o cinema nacional antigo – duas vertentes que sempre curti bastante. O cinema nacional vem ficando muito ralo e perdendo sua essência, embora ainda existam pessoas corajosas lançando materiais bem interessantes por aqui.
7) Poesia.
Uma das muitas formas de se expressar. Mesmo com aqueles que impõem uma série de regras limitadoras e engessantes ao estilo, ainda temos verdadeiros guerreiros defendendo a poesia livre.
8) Próximos caminhos.
Ideias não param de fluir. A mente está trabalhando bastante. Novos caminhos surgem a todo o momento e estou sempre atento a eles. Não ficar pisando no mesmo solo ou se repetindo é sempre interessante. Vamos ver o que acontece.
9) Drogas (tendo em vista a legalização da maconha no Uruguai e o debate constante nos países vizinhos da América no Sul sobre a descriminalização e legalização da cannabis sativa e outros entorpecentes).
Drogas é um assunto vasto. Existem muitos tipos e cada uma com seus efeitos e particularidades. Assim como o aborto e outros assuntos tratados como tabus, o debate sobre as drogas deve ser feito de maneira mais aberta, sem hipocrisia ou preconceitos, não deixando que fique restrito a um pequeno grupo. E a questão não é só legalizar. No caso da maconha, por exemplo, não deveria ser discutido apenas seu uso, mas a própria questão do plantio. De que adianta liberarem a maconha se deixarem sua produção a cargo de nomes como a Monsanto. Acredito que o plantio caseiro seria a melhor solução nesse caso. Mas tudo tem de ser discutido com a população. As pessoas têm de adquirir o hábito do debate, do ouvir, do falar. Nenhuma decisão pode vir simplesmente de cima para baixo.
10) Como é ver um filho seu (Solano Gualda) também entrando no universo dos fanzines e da cultura alternativa? Ele inclusive chegou a fazer uma das capas do Reboco Caído.
O Solano já fez capa e ilustrações para o Reboco. Fez também os dois cartazes da Tarde Multicultural. Fico bem feliz com isso. A gurizada aqui em casa é ótima.
11) E o movimento Black Bloc?
O Black Block é um conjunto de táticas utilizadas em manifestações. São táticas de ação direta e de proteção aos manifestantes. Os que estão se informando pela mídia convencional ainda não conseguiram entender o que realmente é o Black Block porque essa mídia não tem passado as informações corretas sobre o assunto. Ir direto a fonte é sempre a melhor alternativa.
12) Aqui nesse espaço não há censura. A proposta do Fetozine é a total liberdade de expressão. Fale o que quiser pra terminar.
Atitude, pensar, refletir, criar, caminhar e nunca parar.
* E pra quem não viu a primeira entrevista que fiz com esse guerreiro dos fanzines: http://fetozine.blogspot.com.br/2011/07/entrevistando-maquina-de-producao-fabio.html
Na primeira entrevista de 2014 começo com Ney Gonçalvez, autor dos livros "Valor e Crise" e também "Marxismo, Estado e Crise do Capital":
Em seu artigo Crises
do Capital, publicado pela revista eletrônica Espaço Livre, você diz que
"o capital , que foi um fator de progresso da humanidade, e criou a
base material da edificação de uma sociedade superior, se converte em um
obstáculo para a continuação deste desenvolvimento no interesse da humanidade.
Ao ter esgotado sua missão histórica, surge objetivamente a necessidade
de sua substituição. " Como substituir algo tão presente e
inserido em nossa sociedade extremamente consumidora?
A teoria econômica
convencional nos ensina que o governo tem poder objetivo para controlar a
economia capitalista mediante a adoção de políticas fiscais e monetárias
kenesianas. Nos anos cinquenta e sessenta, a maioria dos economistas concediam
a maior parte do mérito pelo auge do pós-guerra ao Estado e suas políticas
kenesianas.
Porém, conforme este
auge mudou paulatinamente para uma estagnação acompanhada de preços crescentes,
quer dizer, por um prolongado período de estagflação, mais e mais economistas
começaram a culpar o Estado. Depois de tudo, se o Estado era, em princípio,
capaz de manter o auge e prevenir as quedas, o fato de que o sistema estivera
naufragado na depressão era visto muito naturalmente como um erro do Estado.
E assim, grandes
economistas se reuniram em múltiplas conferências em todo mundo para pensar
sobre as soluções apropriadas para o problema, enquanto a situação continuava
deteriorando.
Não obstante, as
premissas fundamentais destes tipos de práticas estavam baseadas em um mito: o
Estado e suas políticas kenesianas não foram à causa principal do auge do
pós-guerra, com seus respectivos elevados níveis de emprego e de produtividade.
Por essa mesma razão, o Estado não foi tal pouco a causa principal da atual
crise. Pelo contrário, tanto o auge como a queda foram regulados pelo movimento
da rentabilidade, e o comportamento básico destes movimentos é parte integrante
do sistema.
Quando a
rentabilidade era ainda elevada e a quantidade total do lucro crescia com
rapidez, como nos anos cinquenta e sessenta, o Estado empurrava essa onda para
cima, basicamente suavizando flutuações e reduzindo as tensões sociais
derivadas da pobreza e de uma taxa de desemprego relativamente baixa. Os
limites objetivos de sua habilidade para controlar realmente a economia nunca
foram verdadeiramente postos à prova, devido que, as tendências básicas da
economia eram sólidas e não ocorreram tentativas de mudanças reais.
Porém, desde o fim
dos anos sessenta em diante, conforme surgiam às crises, o desemprego começava
a aumentar e os salários reais e os lucros começavam a diminuir. Os limites
reais e a intervenção econômica do Estado se tornaram cada vez mais claros na
prática, na evidente incapacidade dos Estados capitalistas de todo mundo para
reverter essa situação.
Ascendiam ao poder
governos com promessas de mudar as coisas e caiam quando não conseguiam
realizar. Enquanto isso, os economistas ortodoxos inventavam novas explicações
e receitas a cada hora, as quais de imediatos se tornavam obsoletas. Nenhuma,
desse intento, jamais enfrentou a possibilidade de que a falha se encontra no
próprio sistema.
Uma vez que
formulamos a mitologia do poder das políticas kenesianas, podemos ver a
história real da intervenção do Estado sobre uma nova luz. Durante os anos
cinquenta e os anos sessenta o Estado estimulou o auge da economia, tentando
principalmente mantê-la em curso. Porém, conforme o sistema começava entrar em
crise, os problemas do crescente desemprego e da decrescente rentabilidade se
tornaram mais severos; o Estado se viu cada vez mais forçado a intervir para
levantar a economia a fim de tratar de manter o nível de emprego e apoiar o
sistema creditício.
O problema com tudo
isso é que, se bem que o gasto do Estado, particularmente o gasto deficitário,
é, em realidade, capaz de apoiar a utilização de capacidade. Isto, por si
mesmo, faz muito pouco para mudar a taxa de lucro de capacidade normal.
Entretanto, por outro lado, o sistema responde cada vez menos a qualquer nível
de estímulo. De maneira crescente, os estímulos da demanda se traduzem em
inflação. Por sua vez, a expansão real coloca na ordem do dia a estagflação.
Por outro lado, se
abandona esta política devido as suas crescentes insuficiências (e na presença
de déficit orçamentário), a inflação se mitiga só para ser substituído pelo
problema do alto desemprego.
Isso não deve ser
interpretado no sentido de que a situação seria melhor sem intervenção do
Estado. Pelo contrário, ao apoiar o crédito, para resolver as falências e
aumentar os pagamentos para os desempregados e as políticas de bem estar
social, com essas medidas o Estado tem até agora evitado o colapso da acumulação.
Em vez de um desastroso colapso ao estilo dos anos trinta, temos tido (até
agora) a lenta morte da moderna estagflação.
Pese toda intervenção
estatal, o colapso pode, todavia, chegar. Se os elementos conservadores são a
maneira encontrada de cortar as redes da seguridade social e financeiras, um
devastador colapso estará garantido. Os ideólogos conservadores viram
corretamente que as políticas kenesianas geram a estagflação. Porém, como não
são capazes de admitir, de maneira alguma, que a raiz do problema está no afã
do capital pelo lucro, oferecem para a venda a fantasia de que o sistema
regressará a uma trilha dourada uma vez que reduza o Estado. Sua medicina é uma
receita para o desastre.
Uma crise não é só um
período de grande sofrimento, mas também um período de grandes possibilidades.
De uma forma ou outra, o sistema capitalista irá mudar. A estratégia do capital
está, claramente, em colocar o peso da crise sobre as costas dos trabalhadores
e de reestruturar com isso o sistema de modo a incrementar substancialmente a
rentabilidade. Conforme a crise se aprofunda, se acentua as intenções de
dividir a classe trabalhadora: de jogar o empregado contra o desempregado, os
homens contra as mulheres, os negros contra os brancos.
Não temos porque nos
submetermos a isso. Uma vez que nos damos conta de que o problema parte da
natureza mesma do afã pelo lucro do capital, podemos ir mais além da defesa
automática das receitas e políticas kenesianas liberais, mais além de nos
apoiarmos na mitologia de um Estado todo poderoso que pode nos salvar de alguma
forma da devastação de uma crise, ir mais além dos conceitos de lutas
defensivas individuais ou locais.
É claro que, em
muitas partes do mundo capitalista, a atual crise mundial é uma situação
objetivamente revolucionária. Necessitamos levar a mensagem: ou lutamos pela
possibilidade do socialismo ou nos submetemos às regras do capital. Este é, no
fim das contas, um aspecto da luta de classe.
Quais as diferenças
gritantes dos seus dois livros: Valor e Crise e
também Marxismo, Estado e Crise do Capital?
A diferença entre os
dois livros basicamente é que no primeiro o objeto de estudo está focado,
especificamente na teoria da crise do capital. Trato de uma forma breve a lei
do valor em Marx, algo que é de fundamental importância para se
compreender como é essa lei que é a correia de transmissão que
vai ordenar a aparente anarquia das relações de produção do capital ou de sua
economia. No decorrer do livro adentro na análise da crise do capital, faço uma
análise crítica minuciosa das crises nos clássicos burgueses e como sempre
trazendo Marx para o debate. O livro traz um crítica as várias correntes
marxistas sobre a crise do capital, as correntes subconsumista, da
desproporcionalidade e tento provar que ao contrário que essas correntes
apregoam Marx parte de perspectiva da crise não de visão externa mais interna
do capital, ou seja, de sua própria lógica interna de movimento, da sua
processualidade da acumulação do capital ele intensifica sua contradição entre
o trabalho vivo e o trabalho morto que vai se manifestar no que Marx chama na
lei tendencial da queda da taxa de lucro e esta chega a determinado nível leva
ao capital a sua crise.
Na no segundo livro
Marxismo, Estado e Crise do Capital (a sair) o enfoque sai de uma critica da
crise e vai para como o Estado burguês atua historicamente como uma muleta
fundamental no processo de intensificação da crise cada vez mais crônica do
capital, como o Estado cumpre um papel de terapêutica dessa crise, no entanto
como o Estado tem como uma característica de ser improdutiva nos seus
investimentos e retira sua receita dos impostos e dos empréstimos procurou
demostra neste livro como que o Estado nesta sua tentativa de salvar o capital
de sua crise crônica, tem cada vez mais de retirar sua receita via imposta dos salários
dos trabalhadores já que se este imposto for retirado do lucro do capital
privado, para o capital isso terá um soma zero é retirar de uma mão e dar com
a outra, isso não contribuiria em nada para fomentar acumulação do
capital nessa base redistributiva feita pelo Estado. Mediante isso demostrar
nessa analise o porquê então que o capital privado exige que o Estado privatize
as empresas que concorrem com ele em áreas de sua competência, e exige por
outro lado que o investimento que o Estado faz na área improdutiva deste o
ponto de vista do capital (educação, saúde, transporte público, previdência
etc.), seja privatizado, sai da esfera pública para esfera privada, e por último como Indústria bélica é uma base fundamental para o capital em sua crise
crônica como destruidora de força produtiva cotidiana para manter
historicamente o capital dentro de um limite que não intensifique sua
contradição entre suas forças produtivas e sua relação social de produção, ou
seja, sua capacidade de extrai um trabalho excedente.
O artista
plástico e ativista Eduardo marinho diz que "enquanto não houver
estrutura partidária no país não haverá democracia”. Concorda? Por que?
Falar de democracia
econômica no marco da propriedade privada dos maios de produção onde as decisões
correspondem necessariamente à minoria possuidora é, no mínimo, um abuso de
termos. Realmente, uma verdadeira democracia econômica só pode ser construída
sobre a base da propriedade coletiva dos meios de produção, o que implica uma
gestão da economia seguindo normas diferentes das da propriedade privada.
Entretanto, a propriedade coletiva dos meios de produção evoca para muitos,
pelo contrário, o espectro do autoritarismo, da repressão da democracia, da
planificação centralizada e burocratizada onde a decisão imposta à população
segue estando nas mãos de um punhado de administradores onipotentes e imóveis. E
esta visão das coisas, é muito necessária reconhecê-la, se baseia na observação
da realidade do conjunto dos países que se diziam socialistas que realizaram a
expropriação do capital e instituíram a propriedade estatal. Por outro lado, em
relação com esta triste realidade ela atuou como um repelente para milhões de
trabalhadores com relação à ideia do socialismo, alguns até tentaram falar de
uma “terceira via”, a do capitalismo civilizado, situando ele entre o
capitalismo e o coletivismo autoritário e burocratizado dos países do Leste.
Entretanto, a “terceira via” segue sendo uma variante da “primeira via”, a da
propriedade privada, e esta submetidos a suas regras ainda que tenha, podido
ser um impulso do movimento operário, o veículo de medidas que responderam as
aspirações operarias em uma época deste agora já passada em que as condições
econômicas gerais permitiam ainda certa liberdade na orientação política.
Como você vê essa
geração sem utopias atreladas a conceitos impostos pela mídia e o sectarismo
que há nos meios ditos "revolucionários" com esses manifestos e
barulhos contra o governo presente?
Primeiro uma
revolução não se faz negando pura e simplesmente a democracia representativa do
voto burguês, um processo revolucionário para se dá no terreno histórico
necessita de duas esquemáticas dialéticas fundamentais, a objetiva e a
subjetiva, a objetiva esta dada, ou seja, a questão material, o nível criado
pelo próprio capitalismo das forças produtivas esta em um estágio muito elevado
e tem todas as condições para suprir toda população mundial em todos os
sentidos com relação as suas necessidades materiais como: alimentação,
vestimenta, saneamento básico, educação, moradia etc. e essa foi a grande
missão histórica do capitalismo que era desenvolver as forças produtivas para
se dar em quantidade e qualidade ideal essas condições materiais. Quando se
chega a certo nível material as forças produtivas criadas pelas relações de
produção do capital que é a produção voltada para o lucro entre em contradição
com a possibilidade de produção deste lucro, quando se dar essa circunstância
periodicamente o sistema entra em crise, essa crise nada mais é que um desequilíbrio
do sistema entre a relação entre o trabalho necessário e o trabalho excedente,
onde está situada a origem de toda crise do capital, ou seja, a impossibilidade
de que com essa força material criada pela própria relação de produção do
capital e dentro dessa relação à lei de acumulação do capital é que rege essa
dinâmica do desenvolvimento das forças produtivo. O capital não consegue
extrair um trabalho excedente suficiente da classe trabalhadora para que ele
possa ter uma acumulação acelerada que possibilite o capital gerar sua
autovalorização dentro do nível da força produtiva que ele criou, ou seja,
dentro de certo nível de sua composição orgânica do capital. Não apenas
produzir o capital, mais uma reprodução de uma forma ampliada, essa é a lógica
do capital, o capital não produz para suprir as necessidades materiais do
individuo mais só produz se essa produção lhe possibilita um lucro e que este
lucro sege condizente com uma taxa de lucro com relação a sua massa de lucro e
que por sua vez esses dois fatores esta relacionado com a composição orgânica e
que estes três fatores contraditórios em si no movimento do capital possa gerar
uma acumulação acelerada essa relação contraditória dessas três categorias que
estão intimamente relacionadas que vai culminar na lei da tendência da queda da
taxa de lucro (esta lei é segundo Marx a lei mais importante dentro do ponto de
vista histórico), quando esta rentabilidade não possibilita essa acumulação
devido à forma contraditória que se da à lei de acumulação do capital o sistema
entre em crise, e em cada crise que ele sai à próxima é mais forte, poderosa,
por intensificar a contradição entre o trabalho necessário que se torna
historicamente mais reduzido e o trabalho excedente, até que é chegado o
momento histórico que ele entra em uma crise do modo de produção ou uma crise
permanente que ele passa, então a necessitar de muletas externa a ele para
manter-se como modo de produção prevalecente, ou seja, como modo de produção
capitalista com sua relação de exploração característica e especifica que é a
relação entre o capital e o trabalho assalariado que é sua especificidade
histórica e como tal relativa. Chegado nesse limiar neste limite entre as
forças produtivas e as suas relações de produção se dá uma viragem histórica,
ele deixa de ser um modo de produção que desenvolve as forças produtivas e
passar a criar um mecanismo de destruir essas forças produtivas para que ele
possa se manter dentro de um limite dialético que não lhe ofereça um risco para
sua autodestruição como modo de produção, um desses mecanismos dissipadores de
forças produtivas e a criação das indústrias bélicas um departamento de
produção completamente improdutivo, bem como também indústria do entretenimento
etc. e a muleta e a terapêutica fundamental para isso é o Estado capitalista.
Logo as bases matérias esta dada para uma nova sociedade, a crise esta estalada
só que o sistema não vai cair por uma crise econômica se a questão subjetiva
não se de, que é a organização das massas oprimidas com uma consciência de
classe de si organizada para destruir essas relação de produção e exploração
decadente do capital, e instituir uma nova relação social de produção gerida de
acordo com os anseios da sociedade. Como vimos o capital vai tendo sobre
vividas de destruição sustenta pelo seu Estado. Então, o voto nulo não é puro e
simplesmente negar o sistema eleitoral burguês, mais sim, elevar o debate para
as massas, que existe outras forma de luta politica e não só essa via que tem
como limite o capital, e todas suas consequências danosas para a humanidade que
é a manutenção de sua relação social de produção acarreta, que esta democracia
representativa do voto burguês só reforça essa dominação do capital, mais que
existe outra forma de luta politica revolucionaria, que essa sim é a única
guerra justificável dentro do ponto de vista histórico, pois, é a única que
leva a emancipação da humanidade.
Fala que
quiser. O espaço aqui é livre.
Esperar que no futuro todas as lutas fossem menos violentas e que se
desenvolvam métodos pacíficos de produção e distribuição. Existe um abismo
entre esta forma de ver as coisas e o princípio geral que domina no Manifesto
do partido comunista: “A história de todas as sociedades que existiu até agora
é uma história das lutas de classes”. Aqui não se considera a luta de classe
como um mal, mas sim, como uma força dinâmica, como o motor da história. Ao
combater pelos seus direitos com as classes dominantes, a classe explorada e
oprimida cria uma nova situação histórica. Arranca das classes dominantes novos
direitos e toda sociedade eleva-se por este meio a um nível superior. Nesta
concepção, a luta de classe não termina com a abolição do feudalismo por parte
da burguesia, mas, que são inerentes as relações mesmas entre a burguesia e a classe
trabalhadora. Segundo Marx, o processo histórico, longe de se fazer mais
pacífico a medida que avança o progresso, se faz mas violenta com o
desenvolvimento do capitalismo e os conflitos de classe e se transforma no
instrumento decisivo da transição do capitalismo para o coletivismo.
Nas minhas andanças pela boemia de Goiânia
me deparei com uma
dessas pessoas que vieram ao nosso planeta para incomodar mais do que agradar. Chico
como é conhecido, é um dos integrantes da banda de rock n’roll Nextor e seus Mamilos. Dono de uma voz rouca e
um pensamento ácido, esse grande artista (para alguns apenas louco) me concedeu
uma entrevista que posto aqui nesse blog que ficou conhecido como painel
artístico do que está rolando por aí. Além de músico, poeta, desenhista e
arquiteto, é um ativista que busca fazer de sua vida uma obra de arte. Me
lembro de alguns eventos que participei e reparar a reação de choque que algumas pessoas
recebiam seu trabalho. Sentia esse tipo
de reação em relação ao meu trabalho também. Somos "perdulários do caos esbanjadores de palavras preciosas" como Maiakovski dizia em um poema. Vemos a arte como uma espécie de “dinamite”. É
preciso cutucar feridas, romper tabus.
“Eu
sei que você não gosta de Elvis/ só ouve a merda do Charlie Brown/ mas deixa eu
comer seu forébis/ baby adoro sexo anal,”Techo da música Goiânia não tem mar.
1)
Nos fale como surgiu a música em sua vida e se havia alguma repressão por parte
da família ou no meio que vivia.
Quando
criança os LP's estavam perdendo espaço para as fitas K7, e era muito comum
ouvir em casa ouvir os mais variados estilos: sertanejo raiz, samba carioca,
músicas populares, músicas italianas, e principalmente músicas clássicas e
rock'n roll, que são alguns dos estilos preferidos da minha mãe. Ela adorava as
clássicas religiosas como Ave Maria, e também a Primavera de Vivaldi, no rock
gostava de Elvis, Queen, as baladas do Scorpions, Legião Urbana, entre outros.
Lembro principalmente de conhecer Scorpions através de uma fita K7 pirata da
minha mãe, tinha as baladas que ela gostava e outros hits mais pesados pra ela
como Black Out que eu gostava bastante. Conheci Supertramp num LP do meu
padrinho que foi presente da minha mãe pra ele e estava conosco. Cresci com
essa base e conhecendo mais, uma banda leva a outra...
Estudei no Colégio Estadual Hugo de Carvalho Ramos em 98, cursei
a 5ª e 6ª séries alí no Jardim Goiás, bairro nobre da capital. Nesse período o
colégio estava degradado e mal cuidado, a região não era bem quista como hoje,
mas foi lá que eu entrei pra primeira banda musical da minha vida, a banda
marcial do colégio como trompetista. Na época meu gosto pela música clássica me
motivou bastante nessa escolha e logo minha mãe estava toda orgulhosa quando me
via nas apresentações do colégio ou em desfiles. Cresci com total liberdade no
gosto musical, mas como tendência, segui o gosto da minha mãe, e com o tempo
meu gosto foi apurando para o rock'n roll, e muito quando conheci meu amigo
Vinícius em 98, alguns anos depois quando nos aproximávamos mais, vi que ele já
seguia uma linha mais reta no rock'n roll em comparação com meu caminho mais
eclético. Depois dessa aproximação nossa tudo mudou, um apoiava o outro e
discutíamos sobre rock'n roll. Conforme os anos passavam o alcance das informações
ampliava, a internet crescia rapidamente, músicas baixadas era uma febre, e não
demorou pro meu amigo ganhar sua primeira guitarra e após algum tempo já em
2007 já montávamos nossa primeira banda, a extinta Em Cima da Geladeira, que nossos pais detestavam e não apoiavam,
com músicas de putaria e sem nexo pelo simples prazer da piada, minha mãe
detestou mais ainda e era absolutamente contra. Após algumas desavenças entre
os integrantes, separamos e no mesmo dia nasceu a banda Nextor & Seus Mamilos, com a proposta de descompromisso total,
e cantando letras sarcásticas, de humor negro, sem nexo, e letras de um
cotidiano deturpado de sexo, drogas e rock'n roll.
2) Como é tocar rock n’
roll num estado conhecido principalmente por exportar música sertaneja e como
vê o cenário atual brasileiro?
Não
tenho preconceito com estilos musicais, e não vejo meus estado ou país com
algum compromisso social obrigatório com a música. A população vai ter as
preferências musicais de acordo com seu conhecimento. Se você cresce ouvindo
todo tipo de musica, você tem mais
liberdade pra escolher, se você cresce condicionado a um estilo musical ou um
estilo de vida, é provável que você o siga e o adore. Não vejo problemas com
isso. Não gosto muito de samba, e detesto o funk carioca, mas não critico quem
goste, e se sou convidado pra uma festa aonde toque esse estilo, ele não me
ofende, tampouco me aborrece, mas você não vai me ver escutando em casa, ou eu
tocando numa festa minha, a não ser que eu queira agradar algum convidado meu.
O que faço não é propriamente música, é protesto camuflado, se eu quisesse
fazer música, faria ou tentaria fazer com muita qualidade, logo tocar rock'n
roll aqui em Goiânia e ver a reação do público é sempre já o esperado, a
maioria não gosta do nosso som, mas existe alguns poucos que entendem a
proposta, e isso serve pra separar as pessoas, eu digo separar no sentido de
que eu vejo a frescura da maioria, minha música não foi feita pra ser apreciada
como Mozart, mas se a pessoa entende a coisa, ela pode até não gostar, mas ela
não vai ser reacionária ou conservadora, e assim eu separo as pessoas, aquelas
frescas ou raivosas, e os outros que são mais amistosos ou liberais.
Goiás
exportar música sertaneja não me importa, mas se é pra dizer algo a respeito eu
diria que preferiria que fosse um produto que gerasse renda pro nosso estado e
não apenas um título. O Cenário brasileiro está como o mundial, segue adorando
as novidades, independente de qualidade, mas não vejo mal algum em modismos ou
musicas fugazes, ao meu ver não é uma questão de produção musical e sim de
educação, lazer e cultura, posso parecer demagogo ou inocente, mas não me
importo. É o que eu penso. Eu sei do que gosto e não repreendo o que o outro
gosta, exceto se você conviver comigo, nesse caso há alguns porens. rsrsrs
3)
Nos conte o início da banda Nextor e seus Mamilos e sobre a banda anterior que
participava.
Acho
que já falei demais nela na outra pergunta, hahahah. Mas não vejo porque não
aprofundar. Criamos a banda em 2008 após um show fracasso da antiga banda, a Em Cima da Geladeira. Nosso baterista
abandonou enquanto tocávamos knocking on heavens door, em seguida nosso
baixista abandonou o baixo. O Nextor já tinha uma ideia de banda há muitos
anos, uma ideia de uma banda entre amigos, assim cada qual aprendeu a tocar um
instrumento. Eu não fazia parte da formação original, mas acabei por participar
como vocalista por ser o único integrante que não tocava nenhum instrumento,
embora eu fosse trompetista, mas não cabia naquele momento, e eu não tinha o
trompete meu. Dedicamos um ano a ensaios, quase um por semana, a maioria não
sabia tocar seus próprios instrumentos, todos aprendemos juntos, e com o tempo
o Nextor até me ensinou a tocar Guitarra. Tentávamos tocar corretamente,
tocávamos as músicas que o Nextor compunha e algumas músicas do Sex Pistols e
Guns n'Roses. Um dia briguei com a namorada do baterista, ele ficou ofendido e
nossa relação não ficou bem o que culminou na briga no palco. Brigamos todos e
me mantive aliado ao Vinícius, que já era conhecido pelo apelido de Nextor. O
resto da banda foi embora e ficamos bebendo madrugada adentro após o show fracasso,
falando mal dos outros integrantes que nos abandonaram, e começamos a falar que
montaríamos uma outra banda. O nosso baixista, o Aleixo, estava nesse show e
animou na ideia da nova banda, uma banda sem compromisso com ensaios, ou coisa
alguma, uma banda pra ofender, tocar rock'n roll, pegar mulheres se desse,
começamos a brincar inventando nomes engraçados, escrotos, e nasceu Nextor & Seus Mamilos, quase foi
Nextor & Suas Bolas.
4)
Nextor e seus Mamilos é conhecida no cenário alternativo por ser uma
banda com pegada irônica e por vezes até escatológica. Sempre causa burburinho
e até atitudes extravagantes. Há uma miscelânea de gostos musicais que
perambulam por entre os integrantes. Apresentações bombásticas, como por
exemplo, você totalmente nu tocando num bar de motociclistas, ou o guitarrista
Vinícius Schmidt tocando com calcinha fio dental. Nos conte
algumas histórias loucas que a banda viveu e como o publico normalmente recebe seu
trabalho.
Hahahahha.
Verdade. Esse que eu tirei completamente a roupa foi legal. Já estava habituado
a ficar de samba canção nos shows, e eu não usava cuecas, eu tinha que levar
uma samba canção e trocar antes dos shows. Esse show em questão foi num bar
recém nascido, mas não convém citar o nome do bar, tampouco do dono, mas o cara
faltou com respeito com as bandas, atrasos absurdos, não ganhávamos nada, nem
tínhamos desconto em nada, não ganhávamos com bilheteria, não ganhávamos nada,
só havia gastos e a diversão, mas não estava divertido, o dono do bar só faltou
cobrar a entrada das nossas namoradas de tão mesquinho. Alguns amigos foram
nesse bar só pra verem a gente tocar e o atraso absurdo de horas irritou a
todos, quando tocamos, no momento que eu ficava só de samba canção eu tirei tudo
pra ofender, ofendi até o nosso
baixista, que quase abandonou o baixo. Quem presenciou fugiu, quem estava de
fora quis entrar pra conferir a merda. Hahahahha. Acho que a vez mais legal,
foi no ano passado, um amigo, o DJ Gummy ajeitou pra gente tocar em Brasília
com um produtor. Tocaríamos no Blues Pub
em Taguatinga e outro show na Asa Norte num pub chamado Balaio Café. Taguatinga tem a cara de
Goiânia e tocaríamos numa região marginalizada. Nos contaram que era numa rua
aonde havia prostitutas, travestis, e outras coisa legais. Começamos a nos
sentir em casa. Antes do show pensávamos que seriamos bem recebidos em
Taguatinga pela questão marginal e tínhamos receio da Asa Norte imaginando uma
burguesia que jogaria tomates na nossa cara. No final das contas aconteceu o
contrário, não fomos tão bem queridos em Taguatinga e já na Asa Norte foi só
alegria. Aprendi algo sobre preconceito nesse
dia. Já fomos expulsos de lugares a quais fomos convidados a tocar e já fomos aplaudidos
em lugares aonde tocamos de supetão, pessoas são difíceis de entender
e de agradar.
5)
Além de fazer um trabalho politicamente incorreto e subversivo você tem
uma visão política própria e é inclusive é militante de partido político. Como
vê esse despertar da população com os manifestos rolando a todo instante, se é
otimista ou não em relação ao Brasil e dentro desse cenário político extremamente
corrupto como acreditar ainda em partidos?
Me
filiei nesse ano de 2013, no Partido Comunista do Brasil (PC do B), e me sinto
bem otimista com essa ação. Me sinto mais útil socialmente podendo participar
das reuniões, argumentar, ter voz num grupo organizado e com pretensões sociais
ambiciosas duma sociedade socialista, e justa. Sem inocência e sem demagogia.
Sempre
flertei com o comunismo de Marx e o anarquismo de Proudhon, mas nunca havia
tomado partido, mas no fim não escolhemos, somos eleitos, ou você está do lado
do oprimido ou do opressor, e o observador distante é um covarde que já tomou o
partido do mais forte. Alguns dizem que não existe mais esquerda ou direita,
mas você pode ter certeza que existe, e aquele que se diz sem partido
eu o indago sobre quem ele votou nas ultimas eleições, esse é o seu
partido.
6) E
pra quem não sabe, conte sobre aquela participação sua num sarau na UBE (União
Brasileira dos Escritores) em Goiânia quando leu uma poesia feita na hora
falando mal do arcaico pensamento ali vigente além de
outras cutucadas, inclusive a decoração da instituição, o quadro que
"enfeitava" o ambiente, etc.
Hahahahah.
Era noite de microfone aberto, era minha primeira visita a UBE, as companhias
eram boas, estava contigo meu amigo Diego El Khouri, a Anna Alchuffi e outros.
Eu quis ler algo meu, mas achei que nada que eu tinha escrito era pertinente,
nenhum devaneio meu, ou crítica social, ou nada sobre o amor era pertinente,
comecei a viajar e me ver naquela situação, querendo fazer uma leitura mas sem
ter material. Esse pessoal academista tem um pensamento muito retrógrado, é uma
questão de poder, eles compõe a UBE pra se sentirem com algum poder social, não
os vejo tratando de difundir as artes literárias, vejo eles apenas concentrando.
Eu não lembro bem do que escrevi, mas lembro de escrever sobre o quadro mais
bonito daquele lugar estar escondido no banheiro masculino, me senti ofendido.
Sou apaixonado por artes, principalmente as visuais.
7)
Quais livros e discos fizeram sua cabeça e te influenciaram?
O
Homem que Matou Getúlio Vargas- Jô soares
gostava
muito do bom humor dele misturado com fatos históricos.
Misto
Quente- Henrich Karl Bukowski
Numa
Fria- idem
O
amor é cão dos Diabos- idem
A
vida vagabunda de Bukowski retratada em seus livros, me leva muito a pensar
sobre a sociedade.
Para
além do bem e do mal- Friedrich Wilhelm Nietzsche
Assim
falava Zaratrusta- idem
Ler
Nietzsche traz uma inquietude muito positiva pro espirito, se você tiver a
cabeça sã é claro.
O que
é Ideologia- Marilena Chauí
foi a iniciação da
minha crítica política.
Os
Melhores Poemas - Mario Quintana
crítico
e apaixonado Mario Quintana, sua escrita é de uma beleza e crítica dada a
sutileza dos grandes mestres.
Na
música:
Frank
Zappa
o
Frank Zappa era muito crítico e já pegava pesado com as letras desde os anos
70, embora sua grande produção fosse instrumental, quando falava, dizia muito.
Inclusive foi convidado a depor no congresso estadunidense sobre a liberdade de
expressão. No seu discurso tem uma frase que saiu muito boa " O congresso
quer curar a caspa decepando a cabeça"
Ramones,
Dead Kennedys, Sex Pistols
o
punk de uma maneira geral,
David
Bowie
White
Stripes
White
stripes tem riffs simples e contagiantes, lembrando que boa música pode ser
feita de maneira sintética e ser excepcional.
Creedence
Clearwater Revival
Eric
Clapton
Eric
Clapton é um clássico, sem mais, alguns podem falar mal do Blues dele, mas pra
mim ele ainda é o deus da guitarra.
Raul
Seixas
inigualável,
sem mais.
Zé
Ramalho
a
poesia da musica dessa cara é digna de leitura assídua.
Júpiter
Maçã
a
loucura do júpiter maça é contagiante.
é
complicado falar sobre isso, mas esses são os meus preferidos dentre meus
prediletos. rsrsrs
desenho de Chico dos Santos
8)
Você também é desenhista. Fale sobre esse trabalho visual e qual ligação que há
com a música e a poesia.
Desde
pequeno desenho, toco e escrevo, mas faço os três de maneira muito
preguiçosa sem dedicação, mas não consigo parar. Quando vem a ideia, eu tenho
que traduzi-la, e ela vem em alguns desses formatos. Hoje em dia eu desenho
muito pouco. Como Arquiteto estou sempre desenhando, mas desenhar tecnicamente
com pitadas de liberdade não é a mesma coisa que desenhar livremente com
pitadas de técnica. E ainda me pego escrevendo uma coisa ou outra, mas eu não
posso ler depois, sou muito critico, e é muito fácil eu detestar o que escrevo
depois de algum tempo, mas aprendi que no campo da subjetividade não existe
certo ou errado, e assim vou colecionando coisas escritas, às vezes passo
alguma a limpo, mas meu sonho é escrever um romance algum dia,
publicar um livro.
desenho de Chico dos Santos
9)
Qual a relação da Nextor e seus Mamilos com outras bandas alternativas?
Somos
amigos da Malz Dreams, Jackies Knife, Macacos Me Mordam eles Vão se Matar, Bad
Pig, Puro Álcool, DJ Gummy, e outros. Nem sei bem quem ainda está na ativa.
Nextor & Seus Mamilos é inimiga voraz do rock canalha de panelinhas
excludentes. Tem muita gente que se acha o produtor por organizar um show, não
vejo nenhuma produtora investindo numa banda, só vejo exploração e sacanagem. Já
tivemos atrito com o pessoal da Fósforo, da Monstro e que estendemos a
Construtora, e com o Vacas Magras. Não vou entrar em detalhes porque não quero
nutrir desavenças há muito esquecidas por mim, mas ainda muito vivas pra alguns
envolvidos.
10) Qual
sua opinião sobre a descriminalização, regulamentação e
legalização da maconha? Tendo em vista a noticia recente do país vizinho
Uruguai legalizando a cannabis.
Pra
mim o que é natural não tem que ser proibido. A maconha foi vendida como
cigarros índios pra fins terapêuticos da asma até o segundo reinado no Brasil.
Original da Ásia, seu uso é milenar e sua proibição é totalmente politica. O
Brasil só proíbe seguindo uma tendência estadunidense que proibiu lá e subordinou
a todos a mesma situação. Os mexicanos são grandes consumidores e produtores da
maconha, logo os Estados Unidos xenofóbico proíbe a maconha, ainda mais por não
estar ganhando nada com isso, só perdendo grana. Faço a seguinte comparação: na
época de invasão do Afeganistão pelos EUA a produção de papoula era mínima, com
a invasão dos EUA ela aumentou drasticamente, é lá que os EUA colhe sua
produção de opiláceos pra fins medicinais, aumentando a lucratividade
farmacêutica em bilhões anualmente. EUA deveria ser criminalizado por tráfico
de drogas. Ele produz para fins farmacêuticos as drogas mais pesadas do mundo,
e não necessariamente essa finalidade farmacêutica é positiva. A liberação da
maconha iria diminuir em muito o tráfico de drogas. O que alimenta o tráfico é
a restrição, estudos provam. Nosso vizinho Uruguai segue uma tendência assim
como na Holanda, acho que será um excelente exemplo para as Américas se for
sancionado pelo presidente do Uruguai.
11)
Quais os planos da Nextor e seus Mamilos para esse ano?
Sem
planos. Gostaríamos de fazer uma grande festa, com strippers femininas, e ser
algo beneficente, com cerveja barata.
É só
uma ideia, mas você já está convidado, e mais, está convocado.
12) E como é o processo de composição?
O
Nextor compõe a maioria das músicas pra banda, eu costumo dar um
retoque ou um pitaco, mas geralmente o Nextor chega já com um riff bem sacana e
fica repetindo várias vezes até terminar de compor. Isso pode durar dias,
meses, ou anos. Temos muitas músicas inacabadas de 2008. Eu costumo compor à
parte, nada pra banda, coisa que eu toco pra minha namorada, ou mostro pra
alguns amigos, bem diferente de Nextor & Seus Mamilos, algo puxado pro
estilo Zé Ramalho.
13)
Diga o que quiser. Fale mal de quem quiser, é o momento de falar o que bem
entender. Diga qualquer coisa.
Queria
só agradecer a honra de ser entrevistado por um artista talentoso como você meu
amigo El Khouri, e dizer que em breve vamos nos reunir pra tomar uma cerveja
gelada e ir no hipódromo apostar em cavalos. Sinto saudade do rock'n
roll, fiquei muito botequeiro com o passar dos anos, sinto falta de andar bêbado
pela cidade voltando de um rock'n roll.