quarta-feira, 20 de julho de 2011

LAERÇON BLUES MAN


(Por Diego EL Khouri)


Na constatação filosófica de Schopenhauer a arte opera como uma espécie de redenção e só nela reside a felicidade total. Laerçon Blues Man é assim, um artista que vive a arte em sua total plenitude, transpondo de sua mente para o papel todas suas inquietações, desejos e sentimentos. Nessa entrevista ele fala de suas obras, política, mundo virtual, família, mercado, sempre com a clareza que é sua marca principal.

Laerçon Blues man, grande artista  atuante da cena alternativa nacional, em uma de suas próprias definições você afirma que não é de forma alguma desenhista e  sim “cartunista underground sem diploma”. Qual seria então a diferença principal entre o  desenhista e cartunista?

O que eu passo com isso é apenas uma opinião particular e talvez nada tenha a ver com a realidade. A diferença em si fica apenas no fato de que um cartunista trabalha mais com a alma em seus trabalhos e somente com um pouquinho das técnicas “acadêmicas”. Imagino que o “desenhista” propriamente dito abusa mais das técnicas e virtuosismos gráficos em seus trabalhos. O cartunista underground em sua maioria nunca passou numa escola de desenho e não se importa se o seu desenho saia um tanto quanto torto e até meio que desalinhado, eu mesmo nunca uso régua nos meus desenhos (nem pra fazer os quadrinhos), uma vez me perguntaram por que eu não usava régua nem pra fazer os quadrinhos, respondi que o uso da régua fazia os quadrinhos saírem certinhos.


Em várias de seus cartuns, se utilizando  de uma linguagem simples e às vezes até “ingênua” porém contundente, você se revela um conhecedor profundo da alma humana trazendo além disso em si um sentimento de amor e respeito em relação a questões ambientais. Você acha que a arte tem o poder de mudar uma realidade?

Eu não sei se a arte tem o poder de mudar a realidade, mas que faz as pessoas pensarem isso faz, eu procuro passar tudo isso de certa forma em meus trabalhos sem com isso usar dos discursos panfletários chatos. Quanto a alma humana eu não sou um profundo conhecedor, mas espiritualista que sou ando lendo muitos livros e observando a anos tudo o que antes eu não observava nos humanos. Apesar de que de vez em quando eu pego duro com a raça humana (principalmente nas historias do pato de botas), eu sei que somos ainda seres em fase de aprendizagem e ainda vamos errar muito e tomar muito na cabeça para aprender as coisas direito.

De que forma surgiu o personagem Pato de Botas?

O pato de botas surgiu nas minhas historinhas a mais de dez anos, eu precisava de um personagem do reino animal então o criei. Algumas pessoas pensam que o nome Pato de Botas tem alguma coisa a ver com Gato de botas, mas não tem nada a ver uma coisa com a outra. Com esse personagem eu passo a idéia de quem tem uma visão critica  do ser humano na ótica de um pato, esse mesmo pato que fala com tudo que aparece em sua frente animado ou inanimado. Na verdade é mais um veiculo que tenho de usar o personagem para falar um pouco ou quase tudo do que penso a respeito da existência, da vida, do ser humano e toda essa problemática que temos atualmente.


Você abandonou o fanzine impresso  para se aventurar no mundo virtual. Acredita que o livro cada dia mais vai perder seu espaço para a internet?

Claro que não. Quem gosta de livros (e eu amo), jamais vai abandoná-los por causa da internet. A internet é muito boa para pesquisas, informações, trabalhos etc, mas nada substitui um bom livro no qual você tem todo aquele prazer de folhear página por pagina, levar onde quiser é tudo um prazer diferente. Tudo bem que um notebook você pode levar onde quiser, e hoje temos até uma tecnologia “esquisitinha” de livros digitais, mas imagino que isso ficará a parte, o livro sobreviverá ao lado da grande rede do mesmo modo que o radio sobrevive até hoje ao lado da televisão. Eu parei com meu fanzine de papel e fui para a internet porque não estava agüentando mais gastar tanta grana com os fanzines distribuídos via correio, eu fiz isso até quanto pude, quem sabe um dia eu volte? Na verdade nunca disse que abandonei definitivamente, somente dei um tempo (...)

Qual sua opinião sobre política hoje?

Política é um assunto sempre muito complicado, sou a favor da democracia em todos os sentidos como, aliás, deve ser. O que me deixa decepcionado são as mazelas políticas que vemos num crescer incomensurável no decorrer dos anos. Não tenho um partido político de preferência, eu voto sempre na pessoa que eu acho que mereça o meu voto, acho também que o voto deveria ser facultativo, aí sim iríamos exercer a nossa tão decantada cidadania. A política brasileira hoje ainda deixa muito a desejar no meu ponto de vista, mas eu ainda não perdi a esperança e torço para que um dia tudo isso melhore.

Há algum incentivo para o cartunista brasileiro divulgar suas obras?

Quem faz o incentivo é o próprio cartunista, na época efervescente da fanzinagem era assim a gente divulgava os nossos trabalhos nos fanzines dos outros, os outros divulgavam nos fanzines da gente e por aí ia. Ainda bem que hoje temos a internet e o nosso trabalho como cartunista pode ser mais visto e apreciado por muitos, nos tempos dos fanzines não conseguiríamos atingir um publico tão grande como esse.

Qual a diferença do Laerçon artista e do Laerçon pai de família?

A diferença é pouca, tudo bem que eu não sou de ficar fazendo piada de tudo a todo o momento, sou um cara batalhador e não meço esforços para estar bem comigo mesmo e com os meus. Tenho os meus momentos de chatice como todo mundo tem, mas nada que dure muito tempo, adoro fazer meus desenhos, curtir um blues, um rock, musica de boa qualidade e vamos levando a vida assim até onde Deus permitir.  

O que te empurrou para  a arte?

Eu sou Libriano, e o meu signo tem tudo a ver com arte, eu gosto disso desde criança, sempre foi muito atirado a escrever a desenhar e tudo mais e no meu tempo de escola a gente era bombardeado por arte de todos os lados e isso também foi um fator fundamental. Comecei tudo com leituras de gibis, do qual sou fascinado até hoje, depois foram os livros, literaturas, cinema, musica, hoje tudo isso ainda faz parte do meu mundo, é uma coisa que eu gosto muito. 


O que o fez excluir o blog “boca suja-  The fanzine”, blog este tão visto e respeitado?

Quem disso que eu exclui o meu blog? Excluíram-me, foi uma das coisas que mais me deixou chateado no ano passado. Sempre que chegava do trabalho tomava um banho e la ia eu atualizar o blog do  Boca suja fanzine, certo dia cheguei digitei a url do blog e apareceu uma mensagem dizendo que o blog havia sido excluído pelo autor! Fiquei pasmo, após varias tentativas não conseguia mais nem ver o blog. Eu mesmo não havia excluído nada. Tentei entrar com minha senha do Google no meu e-mail e só dava como invalida! Perdi tudo, até meu acesso ao Orkut que usava a mesma senha. Fiz um monte de tentativa com o pessoal da Google, mas não consegui nada. Cheguei a conclusão que eu havia sido raqueado, roubaram minha senha e apagaram o meu blog, o motivo eu não sei até hoje, o estranho é que havia acontecido o mesmo com o blog de uma amiga a uma semana antes. Pensei em não fazer mais nenhum blog, mas depois mudei de idéia e fiz o Blog do Laerçon para substituir o blog do Boca Suja fanzine, na verdade eu venho colocando as mesmas coisas do antigo blog que apagaram. 


Quais as dicas que você pode dar pra quem deseja seguir no mundo das charges e tornar-se um artista tão completo quanto Laerçon Blues Man?

Eu não sou artista completo, tenho muito que aprender ainda, mas a única dica que eu dou é que a pessoa tem que ter boa vontade e disposição em tudo o que quiser realizar, querer é tudo, é o verdadeiro ponta pé inicial.
Obrigado pela entrevista meu caro!
  

terça-feira, 19 de julho de 2011

WAGNER TEIXEIRA, O ANORMAL ZINE



(Por Diego EL Khouri)

Wagner Teixeira, um dos grandes artistas alternativos do Brasil, com seu Anormal zine, nos revela sua faceta totalmente psicodélica e delirante revelando sua poesia e até mesmo seu íttimo de forma avassaladora e intesa. Um verdadeiro deus (ou demônio) das palavras. Mais um zineiro que conheci no Rio de janeiro em 2011.

Numa luta em aproximar artistas e fortalecer a cena, eu entrevistei esse grande louco poeta:






Funcionário de um órgão publico e fanzineiro. “Dentro do sistema e ferindo o próprio sistema”, como você mesmo diz. Explique essa contradição.

Não há contradição, na verdade. Quando as pessoas pensam em revolução, geralmente elas a vêem de fora pra dentro, a solução seria negar completamente o sistema vigente e mudar tudo de uma vez. Não acredito que isso funcione. Porque nada muda se as pessoas não mudarem. Não adianta mudar o sistema se a mentalidade dos indivíduos continuar a mesma. Este final de semana dei uma volta no fim da tarde pela tão decantada praia de Copacabana. Parecia um lixão. Era difícil caminhar sem pisar nos restos deixados pelos preguiçosos que não podem recolher suas porcarias em sacolas e deixar nas inúmeras lixeiras espalhadas pela orla. Pra mim essa gente é tão cretina e hipócrita quanto os governantes que nada fazem pela sociedade. São essas pequenas atitudes que vão se somando e virando uma bola de neve gigante. A criança aprende desde cedo que pode jogar lixo na rua e deixar pra outros limparem, daí ela cresce, assume um cargo importante e continua com a mesma mentalidade: "vou deixar que os outros limpem as minhas merdas." É sempre culpa dos outros, nunca é nossa. Pra mim, a revolução tem que vir de dentro pra fora. Tem que mudar a mentalidade, a postura. Desta forma, o sistema injusto e desigual começa a ruir, de forma natural e inevitável.


De que forma o fanzine chegou em sua vida?

Desde criança faço minhas próprias revistas, baseado nas revistas de banca. Eu as fazia nos cadernos de escola, durante as aulas, e mostrava pra outros colegas que também transgrediam seus cadernos. Geralmente fazíamos paródias de revistas de super heróis e infantis. Mas só descobri o universo “profissional” dos fanzines anos mais tarde, através do QI, produzido pelo Edgard Guimarães, que trazia dezenas de zines divulgados em suas páginas. Fiquei maravilhado ao descobrir que tanta gente publicava de forma independente, até então desconhecia o conceito de fanzine e achava que só as grandes editoras produziam e distribuíam. Percebi que existia uma rede subterrânea de troca de material que se estendia pelo Brasil e pelo mundo, e decidi: tenho que participar disso. E aqui estou até hoje.


Sua construção poética está baseada nos heterônimos. Nomes como Reverendo W. Van Baco, Fenilisipropilamina Man, KWY, Juzé da Ciuva aparecem constantemente e cada um com uma característica própria. Cada parte desses personagens constroem o que seria Wagner Teixeira?


Na verdade, vão muito além disso. Posso dizer que, quando crio, eu não me basto. Pra mim, não é suficiente expor minhas opiniões e sentimentos pessoais. Potencializar ao máximo minha capacidade criativa é essencial quando produzo. Assim, apenas contar uma história é pouco. Eu preciso também criar um contador de histórias, com sua personalidade e visão de mundo próprias. Aprendi a fazer isso com o mestre Borges. Meu campo é a ficção, mas ficções não são fugas da realidade, são mundos paralelos que interagem com o real. O imaginário e o verídico se inter-influenciam no final. Desta forma, busco meus autores-personagens no exterior e também nas profundezas do meu ser. No meu íntimo, procuro aquele personagem oculto, aquele nosso “lado B” que não gostamos, que não convém revelar ao mundo. Mas no momento de criar é preciso soltá-lo e deixá-lo tomar o controle. Enquanto criadores, precisamos provocar não só os leitores, mas a nós mesmos. Resumindo, no fim das contas, os heterônimos são o resultado da soma: eu + os outros.

Você morava em Minas Gerais e devido ao trabalho teve que se mudar para o Rio de Janeiro. Há diferenças na forma de produzir cultura alternativa em cada estado ou o underground no país todo é semelhante? 


Difícil dizer se há diferenças, porque o underground não tem fronteiras. As pessoas que possuem preferências e atitudes similares se aproximam, independente de suas posições geográficas. Antes da internet, todos já se conectavam através de cartas, havia uma intensa troca de demo-tapes, VHS, zines e outros materiais. Com a internet, as distâncias encurtaram ainda mais. Talvez o que diferencie algumas cenas seja algumas pessoas, alguns iluminados, que produzem tanto e com tanta disposição que acabam inspirando todos ao seu redor a também produzirem, e assim cria-se um movimento poderoso naquele lugar e naquele momento. Por exemplo, na década de 80, a então pacata e monótona Belo Horizonte de repente se transformou na capital brasileira do Metal, quando várias bandas começaram a se formar e influenciar o surgimento de outras. Lembro que na primeira metade dos anos 2000, houve uma explosão de fanzines em Fortaleza, um movimento fortíssimo. Mas talvez o único ponto em que haja uma cena diferenciada de forma geral seja em São Paulo, devido ao grande número de eventos underground que ocorrem todas as semanas, o que acaba aproximando e estimulando os produtores locais. E nem podia ser diferente, São Paulo tem quase 20 milhões de habitantes, tem que haver agitadores num formigueiro desses (risos).

O  Anormal zine que produz é uma “ bela bagunça poética”. O que mais esse fanzine  nos aguarda?


Boa pergunta, também não sei. Às vezes, ele me surpreende também. O Anormal é totalmente inspiração. Não forço sua produção, só o edito quando as idéias me atacam e me obrigam a desenvolvê-las. O que eu sei é que o formato da próxima edição será diferente de todas as outras já lançadas. A tendência é que o Anormal seja cada vez mais provocativo e inusitado.


ZINES PATROCINADOS PELO PFT

O  Anormal zine entrevistou recentemente o Anormal zine. Como conseguiu esse furo?

 (risos) não foi fácil, o editor do AZ é sabidamente um cara difícil e canalha. Mas depois de muita negociação, extorsões e ameaças de morte, ele acabou cedendo.

Fale sobre o fanzine Coletivo e  o que te levou a criar esse novo projeto.

A idéia é muito simples: união! Produzir um zine é um ato muitas vezes solitário, a maioria dos zineiros faz tudo sozinho, desde a criação, até edição, distribuição e divulgação. Acho que toda essa trabalheira acaba por fazer muita gente desistir. Quando criamos algo coletivamente, um puxa o outro, quando alguém tropeça, outro o apara, o ânimo de um pode ser o incentivo que o outro precisava. O projeto é esse, somar esforços e habilidades de quem tem um mesmo objetivo, o de publicar sua arte. Mais sobre ele pode ser visto no blog: http://coletivozine.blogspot.com  . Está aberto para quem quiser participar, pode me procurar:nyhyw@yahoo.com.br
Existe censura na cultura independente ou ela de fato está alheia a esse tipo de intervenções?

Existe censura em tudo, e na cultura independente nem de longe é diferente. O mais incrível é que os próprios produtores independentes se auto-censuram. Muita gente talentosa fica preocupada se sua obra não estaria pesada demais, transgressora demais, e acabam por limar muitas ótimas idéias para serem mais aceitos, e não gerar muitas críticas. É uma pena, mas, enfim, é uma escolha pessoal. O grande problema acontece quando organizadores de eventos, antologias ou qualquer tipo de projeto coletivo, ou pessoas que afirmam divulgar o cenário independente acabam por boicotar obras que considerem chocantes ou inusitadas demais. Isso acontece, mas certamente a censura é muito pior na grande indústria.

Como teve a brilhante idéia de criar quadrinhos sem desenhar, onde cada personagem é apenas palavras indicando suas falas, seus movimentos e características físicas?

Como se diz, a necessidade é a mãe da invenção. Eu tive essa idéia simplesmente porque queria fazer quadrinhos, mas não sei desenhar (risos). Isso mostra também uma visão de que a forma não deve sobressair sobre o conteúdo. É frustrante quando lemos uma HQ maravilhosamente desenhada, mas com um roteiro pífio.

O que você tem a dizer para a garotada que quer criar um fanzine e não sabe como fazer?


Criar um fanzine não tem nenhum mistério, meu primeiro fanzine foi uma folha A4 dobrada ao meio, com textos escritos à mão e colagens feitas através de recortes de jornais e revistas. Um fanzine pode ser super simples e ter um excelente conteúdo. Assim, é o que eu digo sempre: NÃO TEM DESCULPA PRA NÃO FAZER. Depois de pronto, é só procurar outros fanzineiros pela internet ou por meio de zines de divulgação, como o QI, que citei anteriormente, e ingressar nessa rede. Vale a pena.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

IVAN SILVA, O SR. MALZDREAMS

(Por Diego EL Khouri)
Devassando a cultura alternativa, entrevistei dessa vez, Ivan Silva, o poeta, cartunista e baterista da banda de rock Malzdreams.



A CAUSA DO EFEITO (Ivan SIlva)

Quanto mais doença, menos tragédia.
Poesia é alegria, poesia é comédia.
Ficar doente é ter sintomas.
E quanto mais doença: mais sintomas,
                                  mais tristeza,
menos saúde,
menos tragédia,
menos alegria...           Menos poesia.
Poeta, músico, desenhista, empresário e chargista. Além disso tudo, quem é Ivan Silva?

O filho de um pai que é pedreiro e o filho de uma mãe que lê a bíblia. O irmão de três irmãos que já compõem famílias e o irmão de um irmão que surpreende. Enfim, Ivan Silva é o caçula!

Quais foram os sintomas que te levaram à "doença" chamada poesia?

Os sintomas que me levaram à poesia são os sintomas que não me deram trabalho. “E quem não for poeta que questione!” Mas será possível chegar à poesia de uma forma saudável? Sem se sentir um sintoma? Uma infecção? Ao sair do corpo poético, ao entrar no corpo patético. “Ser poeta é se dar ao trabalho”– e esse é um sintoma de quem fala mais alto: poesia?

Ser artista num país de Terceiro Mundo é algo complicado. Tendo moradia num interior de um estado longe do eixo Rio/ São Paulo maior ainda. Como acreditar nessa coisa “inútil “ e prazerosa que é a arte?

A maioria da pouca gentalha se inclina para esse lado de que é preciso resistir, agüentar, suportar, ter fé (na arte). Enfim, existe toda uma montanha rochosa só para que essa maioria a escale como um bode velho. Onde nasceram?—Embaixo. Por isso a montanha, ou a arte, torna-se útil. Já para o ser novo, que não se acha um bode e nasce lá em cima, a descrença é total. Pois é ele que perde o título da minoria: uma medalha, um valor, um amuleto... Como desculpa—é que ele tem medo de altura e precisa descer aos poucos. Mas parabéns a ele! Que vai para o quarto dos mundos deixando lá em cima uma reflexão de terceiro. Sabendo que enquanto desce pela garganta vulcânica, a minoria se joga atrás do amuleto.

A exclusão que sentiu na pele na infância hoje é um dos elementos primordiais de sua arte? Por que?

Sim. Talvez por isso o “hélio com peido” no meu primeiro cartum: o cartumanal. Talvez por isso o “eu não sou um gênio”, comigo sentado na boca do vaso. Talvez por isso o “então aproveita e caga”. Porque eu fazia o que os professores pediam. Para eles sim, eu era o gênio. O aluno aplicado. Já para o corpo estudantil (e eu era a vergonha da turma) isso queria dizer: Ele está roubando a nossa cena!




Às vezes fico analisando sua composição artística e psicológica e reparando na sua obsessão de aprender instrumentos musicais novos e diversos numa busca também em se aperfeiçoar como músico. E é justamente, creio, esses estudos intensos que o faz levar a quase não sair de casa. Cheguei a conclusão, talvez erroneamente, que seu quarto é seu símbolo maior. Estou errado? De que forma você cria arte?


Sim, você está errado. Essa colocação feita de “quarto como símbolo maior”, talvez tenha sido um erro fatal. Pois analise em qualquer lugar. Por exemplo, na sua casa. Depois analise no serviço. Depois analise no ônibus... O que você vê não importa, não é verdade? O que você sente não importa. O que você fez já não importa. A sua obsessão em descobrir o que foi que te levou a isso vai te levar aquilo. A sua busca que te levou a loucura, vai te levar a sanidade. –Dessa forma (se eu crio arte), ficar no quarto é um símbolo menor.


A vida é um cárcere ou os poetas estão sem ação demais?


Em relação à morte a vida é um cárcere. —Mas não! Na liberdade se os poetas estão sem ação demais é porque eles se consideram livres, vivos, desenterrados a todo momento! E não sabem o significado da palavra fugir.




Quais os livros que você indica, e nos fale de suas referências literárias.


São dois: As flores do mal (Baudelaire) e A gaia ciência (de Niezstche, O alegre saber). Tendo em vista a imaginação... —Mas que tipo de relação há entre a interminável Revolução francesa e a velha Cultura alemã?—Nenhuma. Está tudo tranqüilo. O que reina se chama paz, e não há quem possa fazer o papel de diabo sem colocar o cetro nas mãos da Igreja. O povo pobre não se prepara para a Guerra. O povo pobre não se prepara para a riqueza. Porque não há sequer, um maldito é o fruto do vosso ventre. Não há sequer, um mensageiro infeliz. Não há sequer, uma palavra à ser decifrada...


Quais suas influências musicais?


Frases que foram mal digeridas pelo homem, e que no período gestacional das mulheres, não foram consideradas “o fruto dos desejos”. –Eis uma frase para eu me expressar melhor: Após a alegria, talvez alguma mulher me entenda.


De que forma você vê o amor e ele sempre será parceiro da dor?


“O amor está além do bem e do mal.” *Friedrich Niezstche.
E isso, para mim significa: O amor está além da marretada. –Na boa dor de cabeça.


Qual o show mais emocionante de sua banda?


Depois de entender o coração da música?—Todos.


Um dos guitarristas do Malzdreams saiu sem um parecer preciso. Agora o baixista e vocalista (além de ser seu irmão) vai morar no Rio grande do Sul. Com essas perdas todas, quais os caminhos que você vai tomar como músico?


Com essas perdas todas não. No caso do meu primo (o guitarrista) até que foi: pois é uma pena você perguntar a uma pessoa desse tipo, o porque de sua saída repentina e ela praticamente responder: “É que eu não tenho mais paciência pra isso”. –Quer dizer: “Mas que caminho é esse? Será que lá, no fim, algo espera por mim?! E aí, do outro lado uma coisa brilha deixando visível tudo aquilo que a gente perdeu. Mas olha só! Ali está a minha paciência. E precisa ser reconhecida! Mesmo desfigurada! O quê? Mas isso que brilha não é o sol? Sim, é o sol. E eu sei que algo espera por mim. É visível. Pois quanto mais um ser se afasta do sol, menos vida esse ser encontra...” Para ouvir aquela música, não era necessário, mas era preciso olhar na direção do sol. Fechamos os olhos, e, ao invés de ficar tentando ouvir aquele solo, fomos para o espaço. Já na mudança do meu irmão—ainda de olhos fechados, ouvimos a essa música: “Mais um dia sem nome”. E eis o caminho que tomo: O coração da música só bate quando já está em pedaços...


O que te levou a abandonar o blog a mais de ano?


Vejamos: no dia x do mês x do ano de 2000 e x eu tinha levado uma pancada na cabeça. E ainda por cima estava doente—nada de insuportável. Isso durante o dia. À noite, a história era outra: pesadelos, alucinações, febre, delírios, morte. Morte? Eu estava sendo levado. “Pá!” Mas aí algo me trouxe de volta (desagradavelmente). Provavelmente outra pancada na cabeça. Depois disso, eu comecei a ver e a escrever os personagens que iam surgindo. Cada um com a sua beleza própria, cada um com a sua arte, cada um com sua crença, cada um com a sua descrença, enfim, cada um com a sua moral. O peculiar é que quanto mais eu escrevia mais tinha vontade de parar. Beleza!—Eu era também um personagem e precisava ser discreto até ao entrar num banheiro: escrevi. Escrevi. Escrevi, escrevi, escrevi. Escrevi e no entanto o papel acabou. Aquela angústia, a vida, o blog, me consumiu, me destruiu. E depois me levou na conversa: Uma forma estranha de continuar a escrever.


Seu sonho em relação a arte.


Falar mais do que não me espera: a escuridão interior...

domingo, 17 de julho de 2011

ALAN LETTIERI - O POETA DAS RUAS, O FILÓSOFO DAS CALÇADAS

(Por Diego El Khouri)


"Eu tenho medo de morrer e deixar as pessoas que me amam e gostam de mim, e de não fazer tudo o que quero, de me esquecerem, mas sei que mesmo morrendo estarei no coração de todas que são especiais, que valeu a pena viver perto delas. O resto é nada, é bosta."Alan Lettieri

Alan Lettieri Vargas. Um poeta nato. O filósofo do cotidiano. Tive o prazer de conhecer esse rapaz em Pirinópolis no final do ano de 2010. Apesar da pouca idade ele já passou por tudo: Prisões, drogas, quase morte, amores, poesias e viagens diversas. Numa noite de porre num bar de Goiania resolvi entrevistá-lo, aliás, não seria bem uma entrevista, e sim um bate papo totalmente informal que coloco aqui na íntegra. Como uma metralhadora tentando se controlar, o nosso Neal Cassady brasileiro, nos conta de sua nova fase de vida:

Qual a diferença do Alan de ontem para o Alan de hoje?
Antes eu não era nada. Eu tô começando a ser alguma coisa. Começando a juntar os cacos e me equilibrar. Eu decidi ser uma  pessoa diferente de todas. Antes eu rejeitava as verdades. Eu sempre quis e sempre tive minhas opiniões, mesmo fazendo coisas que não eram tão certas, reconhecia o erro e às vezes cometia o mesmo erro sempre, hoje tenho minhas opiniões e meus ideais e estou indo atrás disto cada vez mais!
Por que você costuma dizer que tem dois caminhos: a loucura e a insanidade?
 A loucura é o jeito de cada um viver como se fosse o último dia, mas sem sair da realidade, e insanidade é você acabar com a própria vida, usando drogas lícitas ou ilícitas, achando que esta vivendo intensamente, mas isso não é viver intensamente!
Pra você o que é ser livre?
Ser livre é você dominar suas ações, ter liberdade de sair de casa, de fazer o que quiser, ter liberdade total de expressão e  dominar seus sentimentos. Você sai de casa e ela vai estar lá, no mesmo lugar, ser livre  então  é você principalmente  ter opiniões diferenciadas da massa. Você estar fora do resto!
 O que de bom e ruim as drogas lhe proporcionaram?
De ruim foi meu corpo ficar fraco pelas tantas vezes que embarquei a fundo em coisas loucas. Minha mente vem fortalecendo mais e mais buscando o que é certo e errado. Mesmo eu usando tô lúcido pra saber o que quero. Hoje não preciso de mais nada, apenas ser feliz. Exemplo: certo dia eu estava na casa do meu tio e além dele estava meu irmão e a amiga dele. No fim da noite meu tio perguntou se eu estava bêbado. Eu respondi, “como poderia estar bêbado bebendo oito litros de coca-cola?!" Falei então que eu consigo ser feliz sem drogas e sem álcool.
Como você, totalmente urbano, um poeta do asfalto, vive em Pirinópolis, uma cidade cercada de florestas, montanhas e cachoeiras?
Eu gosto de natureza e ar livre. Passo horas na cachoeiras sozinho.  Eu viajo em pensamentos como se tivesse fumado uma maconha. Muitas pessoas dizem que sou louco, na verdade eles tem inveja porque eu consigo usufruir as coisas belas da vida sem precisar sair da realidade.
Depois de enfrentar tantas vezes a morte, como você vê a vida?
Hoje eu vejo  vida de outra forma. Desperdiçava muito tempo na ilusão. A loucura do uso exagerado de entorpecentes por medo de encarar os problemas da realidade leva a um abismo que pode ser tarde demais  às vezes, às vezes  também não (risos).
Pensa que dessa maneira vai encontrar o que quer?
Acho que sim. Vou descobrir com o tempo. Estou apenas começando.
Fale de alguma loucura que já cometeu.
É dificil citar uma. Eu já  de fiz tudo  que você pensar.
E sobre o amor o que tem a dizer?
Um dia eu li que “o amor só vem mais tarde e que é privilégio dos mais velhos”. De certa forma eu me sinto mais velho.
 Qual o motivo de abandonar tudo, toda sua rotina comum, e mudar para tão longe de vez? Cansado da vida ou procurando ela?
Não é mudando pra longe. Vou tentar começar a construir a vida que demorei a reconhecer. Vai ser muito dificil, mas espero não estar enganado sobre isso.
Qual seu nome artístico?
Chuck Norris.
Ahaaha por que Chuck Norris?
Porque ele pode tudo, ele vence tudo.

sábado, 16 de julho de 2011

CECÍLIA FIDELLI

(Por Diego EL Khouri)

Essa é a grande curitibana, mestra da poesia, a incrível Cecília Fidelli dando seu recado: 
Quem é Cecília Fidelli e onde ela se agrega no campo da poesia?
 Sou Cecília Fidelli.
Poetisa e editora do REVIRAGITA POESIA.
Pertenço a várias instituições culturais do país,
tenho artigos e poemas publicados em vários jornais do Brasil,
participações em várias coletâneas e
convidada especial em vários livros de poesia.
Prefaciei o livro POEMAS DOMADOS SOB O SIGNO DA LUA
do poeta, músico e escritor de Brasília ANAND RAO
e tenho várias publicações independentes,
com o apôio da INFELIZMENTE EXTINTA -
SOCIEDADE DOS POETAS ALTERNATIVOS - do poetamigo
Marcos Franco - Vila Mariana - SP.
Recebí algumas homenagens e premios com
A POETISA DO UNDERGROU BRASILEIRO em
1998, 1999 e 2000.
Sou eloquente, contundente.
Falo de alegrias, sem omitir sofrimentos.
Gosto de ler e de escrever.
Curto Rock and Roll e MPB.
Não tenho ídolos.
Elvis Plesley, Lennon, Elis Regina, Gonzaguinha, Cazuza... já se foram.
Minhas preferências: Paulo Leminski, Mário Quintana e Pablo Neruda.
Aqui estou para relatar sentimentos e mostra as Cores da Alma.
Aliás, uma de minhas publicações oficiais é o livro CORES DA ALMA.
O outro livro: COISA NOSSA - Os dois... esgotados.
Venha, participe.
Vamos estreitar laços poéticos.
Paz e Poesia sempre, em nossas vidas.

  
Acredita que poesia sempre será uma arte para poucos?
 Não, eu não acredito nisso.
Um dia, todos terão direito e acesso à Educação em nosso país com igualdade
e isso fará uma verdadeira revolução em todas as mentes e as levará
ao hábito da leitura em geral. Por si próprios vão buscar mais conhecimento
o que trará novos comportamentos.
Infelizmente, caminhamos em passos lentos nesse sentido.
Talvez eu não esteja mais aqui para ver, mas acredito nisso.
Arte é função ou apenas entretenimento, como diz Lulu Santos?
Não. Função não.
A não ser para os Paulos Coelhos da vida que viam vender livros
no mundo inteiro e têm o apôio da mídia.
Poesia é vocação.
A poesia, a prosa e outras manifestações literárias chegam devagarinho,
vão cativando de mansinho, exprimindo em metáforas ,
em outras formas criativas.
Talvez seja entretenimento para alguns.
Muitos leitores descobrem afinidades com os autores.
No meu caso, por exemplo, ninguém ignora que eu "falo" mais que a boca.
Pra mim, tudo é motivo pra escrever.
Revigoro alguns,  causo constrangimentos em outros emitindo
sensações adversas diante de meus poemas.
E é bom saber que de um jeito ou de outro
faço com que alguns corações palpitem mais aceleradamente.
Como afirmou o escritor argentino - Júlio Cortázar,
" Escrever é uma luta contínua com as palavras.
Um combate que tem algo de aliança com as palavras".
Vivo "viajando" observando a vida,
vivo intensamente e transcrevo minhas emoções.
O que te empurrou para a poesia e a fez uma poetisa de tanta personalidade?
 Eu sempre escreví, desde a alfabetização.
Escrevia crônicas para o Jornal O Estado do Paraná,
lá pelos idos de 91, 92... mas tive que vir morar em S.Paulo.
Aí, cadê espaço pra ilustre desconhecida da metrópole?
Foi quando tive a idéia de transformar trechos de crônicas em poemas.
Em Curitiba eu frequentava muito a Biblioteca e a Feira do Poeta.
Lá conhecí alguns Alternativos Culturais e Fanzines.
Passei então a publicar o meu próprio alternativo,
o Reviragita Poesia e distribuir por aí, via postal.
Novos autores  e leitores foram surgindo e o
intercâmbio era inclusive com outros países como Itália e Cuba.
Era fantástico! O entusiasmo, só crescia.
Em suas poesias você aborda diversos temas, desde o amor até a morte. Schopennhauer dizia que “O amor é a compensação da morte.” Você também tem essa visão em relação ao amor?  Ele sempre vai  estar aliado a morte?
 O amor não é uma compensação da morte nem de nada.
Até porque, eu só acredito na morte do corpo físico.
Deus é eterno, sempre existiu e sempre vai existir.
Nós somos imortais.
Aí está a diferença.
Não faria sentido passarmos por aqui e sermos simplesmente extirpados,
digamos, sem alguma compensação.
Não o amor.
Ele é essencial.
Todo mundo ama alguém em algum momento da vida ou
alguma coisa, nem que seja um objeto e leva
para a espiritualidade, vai com a alma ou com a inteligência
como queira chamar.
Cada um de nós é uma centelha divina.
Tal seria.
Deus não "funciona"  à base de trocas.
Ele não precisa da gente pra nada.
Acredita em inspiração, ou literatura é apenas um trabalho constante com as diversas formas da linguagem,  de técnica e gramática?
A literatura pura é inspiração desprovida de interêsse pessoal,
diante de nossas fraquezas, diante de nossas impotências,
diante de nossas indignações.
Uma missão.
Consequentemente, um trabalho constante, árduo.
Aproxima ou afasta, pode realmente influenciar...
A responsabilidade de quem escreve é muito grande.
Eu tenho consciência disso.
Linguagem de técnica ou gramática é uma particularidade de cada um.
Como eu não me preocupo com isso
nunca parei pra pensar no assunto.
Eu quanto muito, às vezes, vou ao dicionário, buscar uma palavra,
um sinônimo mais bonito, mais poético.
Me preocupar com isso seria uma divisa, um lema.
Cada um na sua, não?
Eu nunca precisei de temas, mas de motivos.
Seria penoso demais deixar de lado a espontaniedade.
Seria como se tivesse idéias fixas.
Seria hipocrisia, dissimulação.
Um momento que te marcou profundamente.
 Foi quando publiquei meu primeiro livrinho, COISA NOSSA.
Era um sonho.
Hoje não vejo assim.
Uma publicação, lá no fundo, é bem uma vaidade,
uma realização pessoal mesmo.
Alcancei um certo desprendimento.
Aquela satisfação ficou pra trás, depois que atingí o alvo.
Mais ou menos isso.
O Brasil é um país de poucos leitores ou principalmente de poucos escritores?
Como diz minha amiga gerenciadora do blog
poesiaeoxigenio.blogspot.com - "O Brasil ainda será  um país de leitores."
Aliás, uma, de nossas afinidades.
As produções literárias estão aí.
Avançam.
Teremos leitores sim.
O homem vai vencer essa fase de materialismo.
As germinações de sentimentos, vão dar flores.
Trazemos dentro de nós o desejo de progresso, a evolução.
Os mais atrasados vão acabar se libertando lentamente.
Os instintos estão apenas subjugados.
Vão reconhecer a importância do amor com responsabilidade
como lei maior e buscar por sí só os prazeres da alma.
O que é a liberdade segundo sua ótica pessoal?
 Costumo dizer e tenho convicção, que é consciência tranquila.
É nos ajudarmos uns aos outros, nos aperfeiçoarmos
na arte de aceitar o outro como é, do jeito que vem,
do jeito que está.
Ser sincero consigo mesmo, respeitando pra ser respeitado.
O segredo, a ciência, é  não manter o coração vazio,
cheio de egoísmos.
Qual autor ou autores  que você recomenda e qual se arrependeu de ter conhecido?
 Não recomendo nenhum autor em especial.
Leio Mário Quintana, Paulo Leminsky e Pablo Neruda de vez em quando.
Ah! E Helena Kolody também.
Cada leitor tem que descobrir por si só com que autor se identifica.
Seria uma negligência da minha parte indicar.
Gosto não se discute.
Nunca me arrependí de ter lido esse ou aquele.
Os que considero desinteressantes ou menos nobres, descarto.
O que não considero bom pra mim pode ser bom para os outros.
E vice-versa.
Particularmente considero as tendências às condutas
e certos conceitos de entrelinhas.
Você acha que a internet vai acabar com o livro impresso?
 Diria que não.
Eu, por exemplo, adoro me ligar num bom romance
na beira de um quiosque na praia ou na beira do rio.
Não abriria mão disso.
E me permito, porque tenho o privilégio de morar no litoral Paulista.
Não vou dizer que isso me santifica, mas que purifica um pouco...
É assim que me sinto mais perto do Criador.
Um isolamento voluntário que se não me dá respostas,
pelo menos estimula as reflexões.
 
Uma poesia sua para terminar.
 Purgação.

Instantaneamente o tempo vira.
A nuvem aveludada e a brisa fresca
se unem, se concentram
visivelmente enfurecidas,
despejando água ácida,
que cai rápida
e a gente nem imagina
que as folhas verdinhas
não se deixam pender.
Um cenário de faxina.
A natureza se faz cartunista
e como a arte, pinta,
literalmente
o ápice ou
o fim de vidas.
Mas o mundo há de acabar,
num lindo dia de sol,
deixando gravados
amor e tragédias,
quem sabe
em quantos álbuns
de família .

Cecilia Fidelli.

Diego, muito obrigado pelo interesse pelo meu trabalho.
Quero deixar o end do meu blog.
- www.ceciliafidelli.blogspot.com
Sou sua fã.
Paz e Poesia,
Cecília Fidelli.