sexta-feira, 28 de junho de 2013

A ARTE EXPRESSIVA DE BETI TIMM

(Por Diego EL Khouri)




Beti Tim, Nua Arteira, Nua Estrela. Vários nomes para designar essa artista que transita por inúmeros campos da arte visual. Sua arte carregada de erotismo assusta e choca os reacionários, embriaga os mais delirantes e surpreende os pensadores. Eis abaixo a entrevista que fiz com ela:



1)   fale sobre seu início na pintura, quais artistas  marcaram a sua formação e porque  Nua estrela em vez de Beti Timm.

Meu início nas artes foi muito cedo. Desde menina já desenhava. Durante a adolescência senti se  acentuar minha arte e tomar um linha definida, que seriam as figuras humanas, mais precisamente a nudez feminina. Esse foi um período conturbado e turbulento na minha arte. Sofri repressões por parte de minha mãe que dizia que arte não tinha futuro. Passei então a desenhar escondida, e tendo como inspiração, as revistas Grande Hotel da época, que tinham um conteúdo repleto de mulheres sensuais expressadas em desenhos. Sendo assim não tinha nenhum artista que me motivasse, porque não tinha acesso ao mundo das artes. Fui norteada pelo instinto. Depois disto houve uma interrupção de uns 30 anos e somente em 2008 retomei minha arte e com força total. Me inspirei principalmente em Milo Manara, de quem até hoje ainda bebo desta fonte da arte erótica. 
Primeiramente passei a usar Nua Arteira devido a uma oficina de grafite, Arte Urbana que fiz recentemente e precisava de uma assinatura pequena para usar nas ações de rua. "Nua" porque desenho, pinto o nu feminino e "Arteira"  por ser irreverente na minha arte. Nua Estrela surgiu depois que o Faceboock desativou o meu perfil de Nua Arteira, e então optei por Adequar o Estrela e não fugir do tema. Mas assino minha arte apenas como "Nua".


2) O que te motiva a produzir  e como é seu processo de criação?

Sou movida pelo instinto, pela fixação de me expressar através da arte. A arte para mim é como um vício. Preciso diariamente sentir, manusear as tintas ou mesmo lidar com os lápis e com tudo referente a arte. Meu ritmo de produção considero frenético, talvez devido a lacuna que tive no passado. Sinto a necessidade de recuperar esse período perdido. E como sou autodidata, passo a pesquisar sempre, buscando novidades, suportes diferentes, técnicas atuais que eu possa usar. O tempo pra mim na arte é pequeno e frágil.  E minha criação está sempre em frequência acelerada.

   3)  Se você tivesse de classificar sua arte, como a definiria?

 A celebração do corpo feminino unindo a ardente sensibilidade visual da mulher com olhar lúbrico e conquistador do homem. Uma ode ao voyeurismo, uma vassalagem à luxúria.

4 ) Na sua opinião, como anda o mercado de artes plásticas no Brasil?
Ainda limitado, muito restrito aqueles que têm contato afetivo ou econômico com os marchands e donos de galerias de arte ou responsáveis pelo gerenciamento dos espaços públicos de exposição. Inexiste uma política estatal abrangente para estimular o descobrimento e o florescimento de novos talentos.
5) Você consegue viver somente da sua arte?

 A exceção de um pequeno grupo de privilegiados, viver exclusivamente do trabalho artístico ainda é uma quimera em nosso país.

6)  Sua arte está povoada de imagens intensas cheias de volúpia, num erotismo tão intenso que reacionários  chamariam de indecente ou imoral. Pra você há alguma diferença entre pornografia e erotismo e qual a linha tênue que separa esses dois abismos?

Este é um dos meus maiores "problemas" na minha arte. Sou constantemente atacada, ofendida por grupos anônimos que desqualificam minha arte, chamando-a de obscena, ofensiva aos bons costumes. Mas passei a ignorar tais manifestações, justamente por crer que o imoral, o indecente está na visão obsoleta e ultrapassada de quem assim pensa. Não vou mudar minha arte em virtude de uma minoria que se diz ofendida e incomodada. Para mim não há diferença entre a pornografia e o erotismo, a não ser o uso do bom gosto, fugindo da vulgaridade. Portanto a linha tênue que separa os dois é o bom gosto. No entanto arte é arte, não importando como seja expressada.

7) De alguma forma a literatura e o cinema interferem em sua arte? Falo isso devido a postura dramática que vemos em alguns de seus  trabalhos. 

O meu trabalho é resultado das minhas vivências emocionais e culturais. Desta forma a literatura e o cinema influenciam o meu trabalho.
No campo literário destaco, entre muitas outros livros, o Amante de Lady Chatterley, de DH Lawrence, as obras de Jorge Amado, Anna Karenina, de Leon Tolstoi, As Relações Perigosas de Chordelos Laclos e, por último mas não menos importante, Madame Bovary de Gustave Flaubert. Aliás, como ele eu poderia dizer: Madame Bovary c´est moi. Os quadrinhos de Milo Manara, o trabalho de Guido Crepax, Robert Crumb e Carlos Zéfiro também são fontes de referência.

8) Qual sua maior imprudência?
Até hoje não cometi nenhuma imprudência quanto a arte. nesta área tudo é viável. Só tenho algumas restrições quanto aos editais para exposições que participei e não responderam as minhas expectativas.

9) Ainda vivemos sob o símbolo da contracultura?

Creio que sim. A verdadeira arte deve sempre navegar contra a corrente, chocar o bom-mocismo vigente; subverter a moral estabelecida, expor sonhos e desejos ocultos, recalcados, e, no meu caso específico, revelar o esconderijo onde habita o prazer da carne. Arte é subversão.



10) Diga qualquer coisa pra terminar.

Sou uma pessoa que respiro arte. A arte é como um vício maldito. Não encaro a arte como terapia. Quanto mais inquieta, arredia estou mais produzo. Na arte todos os meus delírios são externados e meus demônios exorcizados, ou entram em parceria comigo. Preciso da arte para sobreviver, para alimentar meus devaneios e minhas aflições internas. Minha arte é inquieta e crua, equilibrando-se entre o lúdico e o real.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

ENTREVISTA COM LUIZ CARLOS BARATA CICHETTO




A METRALHADORA  E SUA POESIA



(Por Diego El Khouri)




"Sou Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal, do ano da Graça do nascimento de Madonna, Michael Jackson, Bruce Dickinson, Cazuza e Tim Burton. Sou poeta, escritor, produtor e apresentador de Webradio, produtor de eventos e procuro pagar as contas trabalhando com criação de sites. Crescí escutando Beatles, Black Sabbath, Pink Floyd e Led Zeppelin. Participei da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos, deixei de ser poeta e fui tentar ser homem, o que no entender de Bukowiski é bem mais difícil. Escrevo poemas desde que comecei a criar pêlos.... nas mãos. Trabalhei como office-boy, bancário, projetista de brinquedos e analista de qualidade. No final do século XX, acordei certo dia de sonhos intranquilos e, transformado em um ser kafkiano, criei um projeto cultural na Internet nos moldes dos antigos panfletos mimeográficos. Mesmo antes de meu processo de metamorfose, nunca deixei de cometer poemas, contos e crônicas. E embora tenha passado dos três dígitos o numero de textos escritos, nunca ganhei um prêmio literário. Fui apaixonado por Varda de Perdidos no Espaço, Janis Joplin, Grace Slick e Sonja Kristina; casei quatro vezes e tenho dois filhos, Raul e Ian. Atualmente sou também editor, costureiro e colador de livros, num projeto de editora artesanal."
Luís Carlos barata Cichetto




 Você começou a escrever poesias nos anos setenta, na famosa geração mimeografo, porém migrou de forma simples e natural para a internet. O que acha então da opinião que boa parte dos intelectuais possuem ao condenarem a internet como "máquina de produzir idiotas" e ao mesmo tempo em que poesia cantada é inferior a escrita?

R.- Sim, comecei a escrever e a publicar ainda nos anos 1970. Em 78 lancei um "jornalzinho", como a gente chamava antes de ser batizado com o nome pomposo de "fanzine", que tinha o nome de "Pipoca". Durou apenas dois números, mas foi muito bom, pois me possibilitou contato com inúmeros poetas e demais artistas, pois as únicas formas de distribuição eram o corpo a corpo ou o Correio. Quando tomei contato com a Internet, ainda numa época extremamente ingênua e tosca, em 1994, imediatamente vislumbrei possibilidades fantásticas, principalmente na abrangência maior. Não titubeei em começar a usar. A época era outra, a conexão discada, os sites tinham que ser bem simples e assim aprendi a criá-los e entrei de cabeça. Meu primeiro projeto na Internet, o "Cichetto's W.C.", ainda em 96, foi o embrião de outro que se tornou muito grande na explosão da Internet anos depois. "A Barata", criado em ano depois, chegou a atingir uma média de 2.000 acessos/dia, numero espetacular para a época, ainda mais pensando que se tratava de um projeto totalmente independente.

Não acredito que a Internet seja a "máquina de produzir idiotas", mesmo porque idiotas se auto reproduzem em qualquer ambiente, embora seja ela realmente um habitat perfeito à sua reprodução. Mas precisamos separar bem as coisas. Se por um lado, as facilidades inerentes à Internet e principalmente às redes sociais, facilitou a proliferação de pseudo artistas, gente que não tem nada a falar ou mostrar, achando que porque tem um computador e uma conexão é artista ou jornalista, por outro deu oportunidade a muitos bons artistas que não tinham meios para divulgar seu trabalho o fazerem. Esses pseudo intelectuais (acho que no fundo todo intelectual é pseudo) colocam a culpa na Internet pela proliferação de "idiotas" pelo motivo de que não se conformam que agora não é preciso ter um diploma ou "cartucho" para se produzir e divulgar arte. Isso mexe profundamente com a vaidade e com o bolso deles. Normalmente são pequenos ditadores e não podem aceitar que, por exemplo um moleque de subúrbio, escreva suas poesias e poste na Internet. Eles querem manter o "status quo", continuar a serem reverenciados... E bem pagos. Por outro lado, é certo que existe, sim, muita gente sem o menor talento, muita porcaria sendo postada, principalmente nas redes sociais, mas essas pessoas terão os seus proféticos "15 minutos de fama" e depois desaparecerão.
A segunda parte da sua pergunta, com relação à "poesia cantada", digo-lhe o seguinte: não acho que ela seja inferior nem superior, apenas que é outra coisa, pois mudando a forma, o conteúdo acaba se transformando em outra coisa. Não usaria sequer o termo "poesia cantada", pois acredito que tem outro nome: "letra de musica". Depois de inúmeras experiências que incluíam tal forma, desisti e atualmente penso da seguinte forma: se sou um poeta e escrevo poesia, é esta minha arte; agora se sou compositor, mesmo que tenha uma verve de escrever poesia, minha arte não será poesia, mas letra de musica. A existência da musica, a entonação, o canto, tudo isso, acabam levando a coisa para outro quadrante, despertando emoções diferentes no receptador, uma coisa completamente diferente da poesia impressa ou declamada.





O que acha da nova geração de poetas e o reacionarismo que impera suas visões apesar de todo "liberalismo sexual" que vendem como imagem e também sua opinião sobre as idéias da academia cadavérica que ainda insiste em um pensamento arcaico sem mudanças?

R: - As gerações são espelhos de suas épocas, então acredito que isso não seja um ato inerente a poetas, mas sim a toda a sociedade atual. Essa tal geração nasceu no final do século XX, começo do XI, quando a sociedade mundial caia numa armadilha extremamente perigosa chamada "globalização". Esse processo desenfreado acabou criando uma falta de individualidade e por conseguinte de personalidade. As pessoas perderam a referencia cultural, massacrados por esse processo. Sem ideal, sem objetivos, sem visões. E essas faltas acabaram por criar uma geração totalmente inócua que, mirando em algo que lhes falta, sem nem saber o que é, se apegou a um reacionarismo burro e inconsequente. O liberalismo sexual com o qual convivemos hoje não é, absolutamente, real e é fruto da mesma plasticidade e encaixotamento que rege todo o resto. Em outras palavras é falso e induzido pelos mesmos meios, não com a clareza e leveza que muitos argúem, mas com o intuito de desmoralização social, ou seja, as pessoas não exercem de fato essa tal liberação sexual, mas agem de acordo com a norma estabelecida pelos dominantes e a mídia, tratando o sexo não da forma como precisa ser tratado, como algo que envolva emoções e desejos honestos. O sexo foi transformado em um produto de prateleira, consumido sem feito carvão de churrasqueira. E isso, em meu entender não é liberdade ou liberação sexual, mas a mais pura escravidão.

As "academias" resistem a pensamentos "evolucionistas" pelos mais diversos motivos, a maior parte pessoais. Desde a falta de interesse e capacidade em entender o que é "novo", até o medo de perder o fio condutor que os liga ao passado. De certa forma é saudável essa resistência, pois é ela que irá impulsionar as realizações. Além do que, essa resistência serve de linha divisória entre épocas e estilos. A história da cultura mundial está cheio desses exemplos, e se não fosse à resistência, muita coisa "nova" não teria acontecido, ou não teria a importância que teve.


Conte-nos o que o levou à poesia e porque ainda acreditar nessa paixão tão abstrata.

R. - Sinceramente, Diego, não sei dizer com clareza o que me levou à poesia. Não foi a leitura, decerto, a não ser às lidas obrigatoriamente na escola. Comecei a efetivamente ler poesia depois que tinha escrito inúmeras, numa tentativa de entender o que era aquilo que eu fazia. As coisas simplesmente saiam daquela forma. As primeiras coisas que li em poesia odiei, porque era concretismo, modernismo, horroroso. Eu sempre escrevia versos longos e sempre terminava naturalmente com rimas e achei então que o que eu fazia não era, portanto, poesia. Eu versava sobre temas fortes, contundentes e todas as pessoas que eu conhecia escreviam poesia concreta. Um dia, no final dos anos 1970, comprei um livro de Augusto dos Anjos depois de ter lido um poema dele ("O Lupanar") numa matéria de jornal que falava sobre prostituição. Ai pensei, porra, esse sujeito tem a mesma pegada que eu. Então, fui procurando e lendo Baudelaire, Rimbaud, Jean Genet, os Beats... E fui me emocionando sempre de forma maior a cada leitura. Foram centenas de poemas escritos nesse período, entre 1972 e 1982. Descobertas e fascínios. Em 1981 lancei um livro mimeografado com 50 poemas chamado "Arquíloco", nome de um poeta grego do século VII. Aí conheci minha primeira esposa que, numa crise infantil de ciúme me obrigou a jogar tudo fora. Passei anos sem escrever, totalmente bloqueado, mas sentindo um buraco enorme. Ademais, tinha filhos a criar e aí a poesia tomou outra forma. Só retornei a escrita por volta de 1986, mas ai a coisa pegou, pois parece que tudo aquilo que ficara represado aflorou. A partir do final de 1999, comecei a viver uma espécie de compulsão criativa. E nem eram mais apenas poesias, mas também principalmente crônicas.

Querido amigo, a segunda parte da sua pergunta eu me faço quase que diariamente. "Porque ainda acreditar em Poesia?" E creio que não seja apenas nós que façamos a nós mesmos e mutuamente tal pergunta. E uma resposta adequada talvez somente seja possível se analisarmos os contextos históricos, quando fatalmente chegaríamos à conclusão que a poesia, se não morreu, entrou em estado de profunda decomposição, a partir do inicio do século XX. O modernismo banalizou a poesia, fazendo com que ela perdesse a aura, e a
partir dai, embora tenham aparecido grandes poetas, a poesia deixou de ser importante. Atualmente, ainda dentro desse contexto, o que percebemos é a plastificação das pessoas, ocasionando uma falta de sentimento e compreensão de coisas mais duradoras, estáveis e emocionalmente mais contundentes. E sem essas coisas não há poesia. Enfim, acredito que a resposta mais objetiva à sua pergunta seria: eu não acredito na poesia, nessa paixão tão abstrata quanto qualquer outra, mas nem por isso deixo de realizá-las.



A internet vai acabar com o livro impresso?

R. - Não creio que acabe, mas que se reduzirá o numero de livros impressos, até que ele se torne algo muito específico, e portanto caro. Particularmente não gosto de ler livros em telas de computador, e principalmente de "mobiles", mas acho que isso é uma questão de hábito. E "acabar" jamais, pois podem não os imprimir,mas os que já foram impressos resistirão nas estantes ainda por muitos anos. E acho ainda que essa pergunta seja a mesma que se fez quando surgiu o cinema, a televisão e a musica gravada, que iriam acabar com suas formas anteriores, como forma de arte. E o cinema não acabou com a fotografia, a televisão não acabou com o rádio e a musica gravada não acabou com as apresentações ao vivo. Acho, portanto, que as duas formas ainda conviverão por muito tempo, embora com desvantagens numéricas para o livro impresso.

Mas o importante não é perguntarmos sobre a forma que existirão os livros, se digital ou analogicamente, mas sim se irão deixar de existir, da forma como o conhecemos. Minha preocupação, como sei que de resto de todas as pessoas que lidam com a palavra escrita é se existirão livros que usem a palavra escrita como forma de expressão. Este é afinal o conceito que temos de livro, independente da mídia, papel ou computador. E é esta a grande questão a ser respondida.





Como sobreviver de arte em um país inculto onde o ensino é sabotado covardemente por esse poder que controla a política e visa apenas seu próprio interesse?

R. - Acho que já destes a resposta dentro de sua própria pergunta. Existe, sim, uma sabotagem consciente por parte do poder publico para que as pessoas não tenham educação de qualidade, e assim poder escolher, que tipo de arte consumir. Essa neutralização tem inúmeros meios e formas, mas o objetivo é só um. É um discurso que pode parecer antiquado, mas que é atual, mas manter as pessoas na ignorância facilita a dominação. Sem cultura, as pessoas não tem capacidade seletiva e acabam sendo manipuladas e conduzidas aos interesses desses poderosos. Então, é claro que dentro desse contexto, penso que um artista que produza arte que tenha conteúdo e qualidade, jamais terá espaço. E jamais poderá sobreviver de seu trabalho, pois este seria direta ou indiretamente uma forma de conscientizar as pessoas, dando-lhes informação. A outra coisa é o efeito disso nos próprios artistas, que ao não conseguirem sobreviver tem poucas alternativas: entrar no esquema de produzir "arte" comercial, ou sucumbir mantendo sua postura e passando necessidade, o que acaba gerando efeitos extremamente positivos no esquema de controle, pois além de passar a idéia de que a arte engajada, comprometida, de qualidade, é coisa para loucos e doentes. Isso desacredita o artista e desmotiva eventuais candidatos. A alternativa final é morrer. E em todas essas alternativas apenas existe um ganhador, que é o poder dominante. Em se tratando de literatura, por exemplo, quem são ou foram os artistas que viveram de sua arte? Jorge Amado e atualmente Paulo Coelho, que na verdade não faz literatura, mas um subgênero chamado "auto-ajuda". Talvez exista mais um ou dois, mas quase todos os escritores e poetas no Brasil sempre precisaram ter outras ocupações para poder se manter, fruto desse esquema nojento.






O que tem lido ultimamente e quais são suas influencias na literatura, música e cinema que ajudaram a construir o poeta que é? E fale sobre seus livros.

R. - Ultimamente tenho retomado a leitura de alguns clássicos antigos. No momento estou relendo "Nova Califórnia" do Lima Barreto, antes foi "O Retrato de Dorian Gray". Interessante a releitura dessas obras, pois a cada uma, percebemos detalhes fascinantes que nos tinha passado despercebido ou não mais lembrávamos. Esses livros são eternos e precisam ser relidos de tempos em tempos. O que poderia chamar de influencias, são os autores lidos na minha adolescência e que de certa forma, formataram meu pensamento. Todos os livros que lemos passam a fazer parte de nós, e isso culmina com o que somos, tanto como pessoas, quanto como artistas. E não posso depreender de citar os autores que mais li, apesar de que muitos deles hoje não me dizem mais respeito, mas que foram essenciais na minha formação. Agatha Christie foi uma escritora que acredito que tenha a maior numero de obras lidas por mim, seguido de Adelaide Carraro. Mas sempre li muita coisa diversa e em poesia não posso dizer que tenha sido influenciado pelos autores como Augusto dos Anjos, Baudelaire e Rimbaud, que foram mais identificação, mesmo. Ademais, li e reli muitas coisas de Huxley, Orwell e Skinner, além de muita literatura Beat, particularmente Ferlinghetti, que considero o mais completo deles. Claro que todo o caldeirão de sopa literária que tomei, em cerca de quarenta anos, de certa forma ajudou a "construir o poeta que sou", mas o que mais contribuiu com certeza foi à forma como tratei a isso, juntando todas essas informações com uma boa dose de ruas, amores e dificuldades financeiras.






Por que associam tanto seu nome ao rock n'roll?

R. - Acredito que seja uma associação natural em função de eu ter escrito muita coisa relacionada ao gênero, mas é claro que existe um histórico que explica tal associação. No inicio, nos anos 70, de alguma forma, mesmo que sutil, todos os "fanzines", eram feitos por "roqueiros" e distribuídos basicamente em portas de shows de Rock, sendo natural abordarem o tema, com biografias de bandas, letras, essas coisas. Quando criei A Barata, existia ali duas frentes: uma era a divulgação de poesia e prosa minhas e de todos que mandassem material, e a outra, a divulgação de Rock. O "slogan" principal era "Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade" e a bandeira: "Rock é Atitude!". As pessoas se referiam a ele como sendo um site de "Cultura Rock". Comecei junto com o João Paulo Andrade, do Whiplash e embora fossemos amigos a distancia, competíamos com o publico roqueiro. Nessa época, bem antes do My Space, criei um sistema que oferecia páginas gratuitas às bandas independentes e criei coletâneas de Rock, além de ter participado de uma das primeiras rádios de Internet no Brasil, a Rock Geral. Entre 2001 e 2006 organizei alguns festivais que uniam Rock, Poesia e outras artes, sempre em casas de Rock, sendo que também foi o criador e administrador de sites de duas das maiores e mais antigas de São Paulo, a Led Slay e a Fofinho. Nesse mesmo período foi “manager” da banda Patrulha do Espaço, quando entre outras coisas, criei o conceito e o nome do disco”.ComPacto". Além disso, em 2007, uma de minhas poesias foi musicada por uma banda do interior de São Paulo, a "Tublues", que acabou vencendo o Festival Rock na Net. Desde 2008, comecei a criar, produzir e apresentar programas em “webradio”, onde a musica tocada era essencialmente Rock. Em 2011, criei a KFK, que embora não fosse essencialmente uma rádio Rock, tinha o estilo como dominante. Finalmente, sou amigo de quase todos os músicos de bandas de Rock de São Paulo e tenho o Rock, juntamente com a Poesia, minhas maiores paixões. Não é a toa que minha autobiografia tem o titulo: "Barata: Sexo, Poesia & Rock'n'Roll.



Você declarou em uma entrevista que ao criar a rádio KFK, visava colocar "a musica não como fator dominante da programação, mas como uma deflagradora de idéias, instigadora e contestadora".De que forma essa rádio foi recebida pelo público e se a internet é realmente um espaço vivo de democratização da informação ou também se há censura na rede virtual já que vários blogs já foram excluídos sem permissão do autor?

R. - A criação da KFK, reputo hoje como um dos maiores erros que cometi. Não porque o projeto fosse ruim ou falho. Sou consciente e lúcido em relação a minhas falhas, mas o erro no projeto da KFK foi eu acreditar que poderia contar com a participação efetiva das pessoas que contatei. Tudo ali pressupunha o coletivo, desde os custos até a programação, passando pela divulgação. Mas não foi o que aconteceu e cedo percebi que o que as pessoas queriam era brincar, fazer um programa e aparecer para os amigos. Criei dezenas de programas, muitos deles com idéias totalmente inovadoras: os "intervalos" eram repletos de programetes como o "Poesia é Merda!", com leitura de poemas, e o "Quer Um Queijo?" com trechos de declarações provocativas. Quase todo o meu tempo era dedicado a criar e organizar programas, trocar musicas, divulgar a rádio e isso foi me cansando, porque acabava fazendo tudo sozinho. E isso não era o projeto. A gota d'água foi a questão financeira. No principio muitos se propuseram a colaborar financeiramente com o pagamento do "stream", mas mês a mês desistiam e eu não podia comprometer minha comida para continuar com a rádio. Mesmo assim ela durou um ano.
É importante que eu tenha colocado o panorama geral do que aconteceu, para que possa com mais clareza responder sua pergunta. A idéia da rádio não era ser igual a imensa maioria das Webradios existentes, que são meros vitrolões, tocando musica o dia inteiro. Isso é ilógico, porque com a facilidade em baixar musica e a existência de sites como o “You Tube”, ninguém que algo assim. Então parti da idéia de que a musica seria apenas uma coadjuvante, uma constante matemática para a propagação de idéias e pensamentos. Tanto era assim, que o nome completo era: "KFK Webradio, a rádio que toca idéias". Com relação à receptividade, acredito que dentro desse universo de webradios, onde a audiência tem números extremamente baixos, foi muito boa.
Quanto a segunda parte da sua pergunta, acredito que a Internet seja um espaço vivo para veiculação de informação, mas está longe de ser aquilo que se acredita sobre ela, pois a partir do momento em que foi descoberta como uma real fonte de "Marketing" por parte das grandes empresas, passou a sofrer todo tipo de pressão. Ainda temos blogues onde postamos, mas esses textos podem ser alvos de processos, até mesmo judiciais, que é a moderna forma de censura. Por outro lado, é preciso entender que existe uma ilusão por parte das pessoas em achar que tem liberdade ao criar um blogue e que este lhes pertence. Ao ler o contrato da Google por exemplo, se percebe que eles podem sem prévio aviso, deletar o mesmo. O maior alvo dessas supressões de blogues, são os que disponibilizam "downloads" de musicas, pois a indústria fonográfica e cinematográfica aciona a Google e eles simplesmente deletam.E não há nenhum tipo de questão moral nisso, mas o fato de que a Google é uma das maiores corporações do mundo e tem que pensar antes de qualquer coisa, em seus interesses comerciais, Se por um lado eles precisam dos blogueiros para criar conteúdo, por outro são sensíveis aos interesses corporativos. Então fingem que dão um espaço, mas esse é um espaço extremamente perecível, de acordo com os interesses deles. Ademais, se formos pensar na Internet como um todo, não existe a liberdade que muitas pessoas imaginam. Ou alguém ainda acredita que sua senha de email é realmente secreta, que ninguém tem acesso? Ou será que alguém acha que o Facebook é um espaço onde qualquer um publica o que quiser? São jogos de interesse mercadológico, financeiro e, portanto, quando o que comanda são esses interesses, não podemos acreditar que exista uma "democratização" (Isso ainda acreditando que esse termo se refira a "liberdade" total, o que é também é uma falsa premissa.)

Nesses quarenta anos de poesia o que mudou na cena nacional como um todo e o que de mais interessante e louco você viu?

R. - Como disse Paulo Leminski, "a poesia é um fenômeno etário", pois todo mundo é poeta na adolescência e depois acha isso uma bobagem e guarda o caderno na gaveta para

mostrar aos netos. De fato, é isso que normalmente ocorre e são raros os poetas que alcançam a maturidade, seja ela etária ou poética. Baseado nisso, eu, que também comecei a cometer meus crimes poéticos ainda na adolescência, de certa forma passei pelo mesmo processo até certo momento. E nesse tempo, decerto que muitos poetas chegaram e partiram, abandonaram. Com isso, claro que muitas coisas mudaram, embora particularmente eu não perceba umas mudança de ordem cultural, nenhum avanço. Não houve melhoria na consciência dos poetas no que tange a abrir espaços devotados à poesia. Algumas coisas esparsas, movimentos isolados, baseados mais em uma ou outra figura, mas nada no contexto geral. Não posso falar com firmeza com relação ao restante do Brasil, mas de São Paulo, mas não creio, pelas informações que tenho que tenham existido grandes avanços com relação a isso. No Século XIX, começo do XX, a poesia era coisa das elites, mas nos tempos correntes, nem ela própria se interessa mais. A coisa ficou resumida a pequenos guetos, a resistências individuais, hoje muito bem representadas pelos poetas que publicam em blogues. E se uma mudança houve na cena, foi justamente deflagrada pela Internet. Talvez esteja ai o futuro da poesia e da literatura, se é que exista tal futuro, conforme falei a pouco.
Quando falamos em cena, pensamos em lugares e movimentos que possam organizar e fazer crescer uma determinada coisa, mas o que observei foi que, apesar de alguns lugares terem sido criados em São Paulo, até com dinheiro publico, a coisa não anda por culpa do mesmo problema que fode com esse pais: a manutenção do poder dos pequenos ditadores. A prefeitura e o estado criaram alguns espaços destinados particularmente á poesia, mas todos se transformaram em antros dominados por alguns dessas aves de rapina, que são vaidosos e corruptos, e criaram esquemas para se manter como proprietários de um feudo nojento. Gastaram milhões em desapropriar um casarão no metro mais caro da América Latina, a Avenida Paulista, e transformaram num centro para a Poesia. Mas o que ocorreu, foi que aquilo foi tomado de assalto por um grupo que o domina, e só tem espaço ali pessoas ligadas a esse grupo. Até se pode chegar lá, assistir e participar de algum sarau, mas na hora de participar de fato, eles ignoram os que não são da panela. É nojento aquilo, e demonstra a mesquinhez que existe em pessoas que por horas acreditamos que por se dizerem artistas, poetas, pensariam teoricamente na mesma direção que a gente. Mas o que impera no final das contas é a vaidade. E o poder que a alimenta. A vaidade e o poder se auto alimentam e quem acaba sendo engolido somos nós, que temos ideal e acreditamos na arte pela arte. Essas pessoas ficam vomitando um monte de besteira, recitando Rimbaud e Baudelaire, mas sem a menor honestidade, sem a menor legitimidade. E digo isso, de honestidade e legitimidade na poesia, porque acredito que a poesia tem um poeta tem que primeiro viver, para depois escrever sua poesia, e não criar uma poesia totalmente desprovida de qualquer sentimento real e depois querer viver aquilo. E essas pessoas ficam querendo reviver a existência desses poetas, roubar-lhes as vidas, e acham que isso é ser legal. As pessoas são únicas e por conseguinte as poesias também. Acredito que minha poesia é tão forte e contundente quanto a de Poe ou Bukowski, mas não vou sair por ai, enchendo a cara, apenas para me parecer com eles. Quero viver a minha vida, não a vida de ninguém, por mais importante e por mais que eu admire seu trabalho. É isso que considero como poesia honesta e legitima e dentro da chamada “cena”, conheço poucos que agem assim.
Diego, o que conto agora é algo que tinha por algumas razões pessoais não comentar, e nem sequer no meu livro o fiz. Mas sinto que neste momento não há mais porque deixar de falar sobre isso, que realmente foi uma das coisas mais interessantes e loucas que vi participei e que tem relação com poesia. Tinha uma mulher, uma cabeleireira que tinha um salão próximo a minha casa, pela qual eu nutria um absoluto tesão. Algo extraordinário e até doentio. Mas eu era muito tímido, não conseguia chegar até ela. Não era aquela coisa platônica, amorosa, era tesão puro e selvagem. Ai, a cada dia que a via escrevia um poema absolutamente visceral, com palavrões aos montes. Era uma declaração de intenção selvagem e cada um deles relatava uma tara, um desejo ou uma expectativa. Fui escrevendo á mão, em um caderno. Quando terminei, tirei cópia daquilo e entreguei a
ela sem dizer uma palavra. Eram trinta e dois poemas, uma epopéia. Da próxima vez que passei em frente ao salão, ela me chamou e perguntou se eu queria mesmo fazer tudo aquilo com ela, disse que tinha lido e queria encarnar minha poesia. Fomos a um hotel barato das proximidades. Eu a descrevera como a mais lasciva das mulheres, sem freios nem limites e ela foi até exatamente tão intensa e lasciva quanto eu havia descrito. Ficamos um dia inteiro dentro daquele lugar e no intervalo de cada trepada eu lia para ela alguns dos poemas. Depois praticávamos todas aquelas loucuras que eu tinha imaginado e descrito. No dia seguinte, bem como nos restantes, o salão permaneceu fechado e nunca mais a encontrei. Nem o nome eu sei, pois isso fazia parte do meu poema. Recentemente encontrei esses poemas e os transformei num livro, com o nome de “Versos Orgânicos”, que pretendo publicar em breve.


O que o levou a criar a revista digital POLITICAMENTE INCORRETO AO QUADRADO reunindo diversos artistas do underground brasileiro?


R. - O "insite" da revista ocorreu enquanto eu lavava louça. Veio-me o nome, o conceito e até o desenho da logomarca da revista. Eu já tinha lançado outras revistas digitais, além de revistas independentes, mas eles tinham um espectro amplo, com poesia, Rock, artigos e desenhos. Estava cansado de entrar em embates sobre essa questão do Politicamente Correto e toda a hipocrisia e modismo que existe por trás disso. Nas redes sociais, percebi que existiam muitas pessoas com pensamento idêntico ao meu e então chamei essas pessoas a mandarem suas visões. E o resultado foi surpreendentemente positivo, com muita gente participando, retirando idéias e projetos de dentro do cérebro e mandando. Muitos que achavam que não teriam coragem de se expor ou que não teriam capacidade para tanto, acabaram acordando e mandando. Quanto ao nome e o conceito: na matemática, o "pi", é a representação de um numero infinito. Então o que seria um numero infinito ao quadrado? E ai entrou o jogo de palavras, com a sigla P.I., Politicamente Incorreto. Juntando tudo e a interpretação popular que diz que quando algo é grande demais ou extrapola seus próprios limites é "ao quadrado". Queria deixar claros os propósitos da revista já no titulo. O objetivo da revista é de mostrar o quanto estúpida e perigosa é essa onda fascista que de fato tem ligação com o projeto de globalização, onde todas as pessoas são induzidas a pensar que são iguais, para que os "mais iguais" prevaleçam e dominem confortavelmente. É um jogo que só um lado ganha. Sempre me irritou profundamente o fato de as pessoas não terem consciência de que estão sendo usadas, manipuladas em suas próprias consciências. Isso é uma absoluta lavagem cerebral e acho que no fim as pessoas não tem mesmo culpa disso, mas algo era preciso ser feito, não por heroísmo, mas por uma simples questão de sobrevivência da espécie. Agora, estou preparando a segunda edição, com previsão de lançamento no Carnaval e tentando encontrar alguma parceria com editoras para que a lancem em formato impresso.


Um recado para quem está adentrando no reino das palavras agora. Fale o que quiser!
R. - Bom, Diego, obrigado pela oportunidade de meter o pé em algumas portas por intermédio do teu blogue. E a única coisa que gostaria de dizer a quem deseja ser ou já é poeta ou escritor é que, a não ser que você seja bonitinho ou bonitinha, tenha muita grana, pai influente ou alguma forma de estar na grande mídia, não espere ganhar dinheiro com literatura, ao menos não no Brasil. E sempre acredite naquilo que escreve, seja honesto consigo e com sua obra, seja ela qual for. E principalmente não acredite em verdades absolutas, pois não existem verdades absolutas senão a sua, mas é preciso que essas verdades tenham bases sólidas. Leia muito, pense muito e viva muito!

16/01/2013



BIOGRAFIA RESUMIDA


Luiz Carlos “Barata” Cichetto
Poeta, Escritor, Webdesigner, Artesão, Editor Artesanal, Agitador Cultural


Luiz Carlos “Barata” Cichetto começou a escrever poemas, crônicas e contos ainda nos anos 1970. E de lá para cá tem mais de 1.000 poemas e cerca de 3.000 crônicas e contos. Em 1997, na ainda emergente Internet no Brasil, criou um site voltado a divulgação de Cultura Rock denominado A Barata, com o slogan: “Liberdade de Expressão e Expressão e Expressão de Liberdade”, referência obrigatória no meio “underground”. Criou e organizou eventos ligados a Rock e Poesia e foi manager da banda Patrulha do Espaço, para quem também criou artes para as capas de dois discos Em 2010 escreveu o libreto da Opera Rock “Vitória ou A Filha de Adão e Eva”. No mesmo ano criou a "Editor'A Barata Artesanal", pela qual publicou 15 de seus livros. Desde 1979 produz esporadicamente revistas independentes impressas, como a Revist'A Barata e a Revista-Zine Versus, e digitais, como a recém lançada “PI2 - Politicamente Incorreto Ao Quadrado". Em 2012, lançou "Barata; Sexo, Poesia e Rock'n'Roll - Uma Autobiografia Não Autorizada", uma auto-ficção. Desde 2008 atua também na produção e apresentação de programas de rádio, sendo que em 2011 criou KFK Webradio, “A Rádio Que Toca Idéias”. Atualmente, também escreve e publica resenhas sobre música em inúmeros sites e blogs e além desse trabalho como poeta, escritor, editor, também cria trabalhos artesanais usando madeira encontrada nas ruas, tendo como fonte principal de renda a criação de websites para empresas. Em 2012, foi premiado no concurso “Mini Drama”, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.

Informações Gerais
Nome: Luiz Carlos Cichetto
Nome Literário: Barata Cichetto
Nascimento: 25/06/1958, São Paulo, SP

Contato
E-Mail: barata.cichetto@gmail.com
Celular: (11) 96358-9727
Website: www.abarata.com.br
Blog Principal: www.baratacichetto.blogspot.com.br


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

ENTREVISTA COM O ARTISTA PLÁSTICO SILVIO BARROS


(Por Diego EL Khouri)



Quando você descobriu que era artista?

Minha avó portuguesa , tinha uma prima ( da mesma idade de minha mãe) que era uma ex-atriz da TV Tupi. Gina Blanco, era seu nome -simulacro....uma vez fomos na Urca,  na antiga emissora, ficava nocassino, onde Cole Porter se apresentou.....lembro de Nair Belo me dando um beijo....eu devia ter uns quatro anos.....começou ali...aí fomos para um bar ao lado do antigo cassino e Zé trindade chegou,tava de personagem,fez palhaçada, tomou um trago e vazou pra entrar em cena ....sim foi ali.


Qual o objetivo do CEP 20.000, "Centro de Experimentação Poética”,que tem você como um dos fundadores?

O cep surge na época do segundo mandato do Brizola,que era o antigo PDT. O poeta Guilherme Zarvos era cunhado do Darcy Ribeiro (Vice-Governador), e o Zarvos , com o Chacal e o Tavinho Paes,bolaram o evento... tiveram como suporte o espaço cultural Sérgio Porto. Uma joia, uma caixa de teatro experimental, com palco e platéias móveis....a idéia era reformular a cena poética do Rio, mas foi mais longe e agregou a dança, a música, o cinema e por aí vai... Foi o grande palco no Rio pra cena experimental dos anos 90... quem fazia arte experimental no Rio tava ali, além de receber gente de Sampa, Minas, Bahia... 5000 artistas era o cálculo no aniversário de 20 anos....esse ano faz 23.

Em que consiste sua arte e quais suas influências?

''Minha arte'' jorra em vários eixos de linguagens: pintura, pensamento filosófico 3-D e poesia... são ciclos... cada eixo tem uma dúzia de referências... na poesia , atualmente Ritsos ( tem umas traduções dele do José Paulo Paes que eu adoro), Piva, o Jovem Rodrigo de Haro, o jovem Claudio Willer ( Que foram os ''novos da poesia paulistana'' do começo dos anos 60... esse feixe específico dos ''novos'' ali naquele momento é soberbo), Nauro Machado e outro monstro pra mim.todos tem mais de 70 anos... somos feitos de tempo, diz Borges...


É possível viver só de arte no país?

Complicado... vivemos num país de elites fúteis e provincianas... porém alguns vivem... talvez seja a soma de uma série de fatores... algumas pessoas vivem de arte, principalmente no eixo Rio-São Paulo, onde tá a grana do país... Porém é precário, é ainda ''terceiro mundo''.

O que te motiva a criar?

Nesse momento, pagar a Tatlin, para ela funcionar pelo tempo que projetei... uns dias antes da estréia tava muito cansado, porém precisava pintar umas coisas pequenas, vendáveis, pra fazer grana e tocar a máquina... Pintei no Surto...ac-dc alto.... chorava pintando, fiz uns 10 quadrinhos em duas horas....se apropriar da força do delírio místico,mesmo não desejando o Sobrenatural. 


Quando você pinta em algum momento pensa no receptor?

Uma célula de discussão estética, no dia 14 de janeiro, farei um evento chamado ''Segundas com Nietzsche''...onde por 50 minutos serão discutidas teses como : o estado trágico-dionisíaco,o conceito de transvaloração, de superhomem.....e depois show de jazz...se vender quadro e podermos fazer isso mais 10 vezes...maravilha....

Segundo você, "comercializar arte é apenas um dos objetivos da Tatlin_Loja de Ação Estética. A idéia é que a Tatlin se firme como um espaço não convencional para a troca de ideias e criação artística, também com um cunho educacional." Explique com mais detalhes qual objetivo dessa galeria. 

As galerias, hoje cobram até 50%dos preços das obras... penso em só cobrar 15%, no máximo... a questão hoje é a seguinte... você chega numa galeria com seu Portfólio, o galerista vê se pode te vender,se você faz o perfil. Então ele te joga na Mídia: festas, eventos, fotos em colunas sociais e etc... e se um trabalho seu vale 5000, passa a valer 12.000....isso é ''quase um padrão'' hoje, talvez por isso você vai a dez galerias e tudo se parece... na Tatlin quero romper com esse ciclo vicioso, isso esvazia o artista, seu ato de criar. Uma vez escrevi'' A arte é muito mais que um passatempo pequeno burguês, ela é uma ferramenta de libertação de forças...'' libertar forças, estimular o êxtase da criação...Nietzsche disse que a função do poeta trágico é educar, penso que a função da arte é educar os sentidos...


Conclusões finais. Diga o que quiser.

Quem quiser se inteirar do que vai acontecer na Tatlin, em janeiro são 6 eventos. Nos escreva (lojatatlin@gmail.com)... o site está sendo montado... em janeiro vamos ter: Artes Plásticas, cinema experimental, música, poesia, literatura e performances... apareçam e um grande abraço pro Diego e pra todos.

domingo, 23 de dezembro de 2012

ENTREVISTA COM IKARO MAXX


(Por Diego El Khouri)

veJaM eSsA eNtReViStA qUe FiZ cOm Ikaro Maxx, pOeTa E mEmBrO dA bAnDa De RoCk N'rOlL THE NOYSY. 

         Para quem quiser conferir o som da banda é so acessar esse site:
FanPage no Facebook: www.facebook.com/TheNoyzy
             
   Muitos lhe apontam como herdeiro direto dos beatinks. O poeta paulista Ademir Assunção disse inclusive que você é "uma  mistura de Neal Cassady com Arthur Rimbaud". Disse isso ao ver  uma apresentação  sua em Recife, quando ao microfone  disse que leria um poema chamado  "As Estupradas", ficou em silêncio dois minutos  e soltou uns urros e voltou pra  platéia. Glauco Mattoso em outra entrevista me disse que a  função da poesia é "desabafar. Uma espécie de exorcismo, de catarse ". Já pra você, qual a função da poesia e se pensa como os beatiniks, arte não pode ser dissociada da vida?
   Acho que já me encontro num momento subjetivo mais apropriado para respondê-lo - algumas garrafas de vinho, cervejas & um bom whisky aqui para lavar! - de maneira a mergulhar com mais intensidade no universo de suas questões. Avaliando, no geral, estão realmente formuladas de maneiras simples, mas, abrindo gavetas & bolsões com ricos embriões de material para um debate interessante.
   E - risadas profanas de bêbado atirador de facas!!! - a pergunta sobre a "utilidade ou função da poesia" nos remete a vários endereços & criptografias - muitas delas renegadas, esquecida ou ofuscadas pelo silêncio palpável a respeito do tema... afinal, não se ouve falar sobre isso em mídia alguma (principalmente mass media..!), não é de se admirar que o cidadão mediano se equivoque ou cometa erros grosseiros ou, muitas vezes, não saiba reagir bem às palavras "poeta" & "poesia"! Não possuo uma visão estruturada segundo códigos ou cânones, nem no respeito a algo de tradição, nem em correspondência a modelos ou padrões científicos-filosóficos... creio que desenvolvi meu conceito quando cai de meu corpo natural inconsciente - ou seja, uma profunda experiência mágico & extra-territorial de meu Espírito - & acordei dentro de outros níveis psíquicos-existenciais...
   Nesse exato momento - & não falo de um acontecimento objetivo do tipo: "aaah, tive meu primeiro insight quando quase morri atropelado, ou etc...", na realidade foi uma soma fraturada de várias coisas que despertaram desconhecidos & enigmáticos blocos de consciência oculta... - eu sabia que não poderia voltar ao nível de existência da mera correnteza da vida... algo em mim tinha se transformando & de maneira profunda & radical. De certa forma, tomando isso como um fato a nível subjetivo,
   Como propiciador de uma guinada de percepção & atenção quanto aos fluxos, essa ruptura desabrochou um tipo de poesia que poderia sim se aproximar da abordagem dos beats... que, como eu, eram também profundos pesquisadores, inclusive de tradições iniciáticas, ritualistas, antropólogos do espírito, almas inquietas que não encontraram respostas para suas questões essenciais - tanto quanto angústias & alegrias excessivas! - em sua própria cultura... retomando um "conceito" (eu diria um estatuto não verbal, mas, puramente carnavalístico & místico-transcendental) como o homem inteiro em suas potências buscando alcançar o seu mais alto grau de cultivo, etc.
   Mas, posso estar apenas viajando... & desconstruiria tudo isso dizendo: "é... eu acho legal desabafar"... rsss

    2)      Como sabemos, você começou escrevendo poemas em guardanapos  e contas de bar. Mas o que o levou de fato a poesia?
   O que me levou a poesia?? - risada bárbara de hienas embriagadas! - Cara... escrever  em contas de bar foi um dos modos sutis que desenvolvi para me livrar de pagar algumas contas!! rsss... falo sério! Na época em que comecei a sair realmente, eu saía ou com muita pouca grana - trocados mesmo - ou sem NADA. Era jovem demais & também muito impulsivo... como estudava, não me permitiam arrumar emprego, daí tive que ficar numa situação na qual tinha que usar da inteligência para tirar o plus da vida! E foi assim... muitas vezes eu fazia como o cara do "O homem que virou suco" (& na época eu nem tinha assistido ainda!) & escrevia - claro, com a mente A MIL POR HORA depois de cervejas & mais doses & interações de todos os tipos com as mais diversas almas perdidas & achadas! Era o início do despojamento, primeiras relações sexuais, aplicação da filosofia na pura realidade um jovem deserdado espiritualmente de sua classe de origem &, por isso mesmo, livre para explorar as diversas searas da Noite. Aos 13 anos eu sofri um acidente numa aula de educação física - que eu evitava a todo custo por ter sido um moleque franzino de porte (baixo & magro mesmo, de dar dó!) & sem talento pra coisa & com muito mais aptidão pra música & pro desenho (desenhava já desde poucos meses de vida & tocava violão desde os 9/10 anos) ! - na sala do diretor eu vi um exemplar de Baudelaire intitulado "As Flores do Mal" & um do Goethe "Os sofrimentos do Jovem Wherter", que eu furtei enquanto esperava a minha hora de ser atendido & conseguir a minha dispensa. Quando cheguei em casa... devorei em 3 dias & 3 noites os dois livros & senti que tudo o que estava fazendo estava errado... que tinha nascido no século errado & no lugar errado, etc. Foi daí que se principiou tudo... as crises, as vontades absurdas, o descompasso & abismo entre minhas questões interiores & o mundo. VRRRRRRRRRRRRRUMMM... o chão me foi arrancado dos pés. Quando retornei a escola, voltei diferente... embora ainda começando timidamente. Fui deixando de ser uma besta de carga explorada & enganada (pelos marmanjos desportistas, no caso da exploração - & enganado por falsos flertes das garotas populares & bonitas pelos quais me apaixonei & que muitas vezes eu salvei de serem reprovadas em todas as matérias!) & já não me importava mais em fazer parte das turmas deles... Acho que foi aí o início da poesia...

   
     3)  Nos fale sobre sua banda de rock n' roll chamada The Noyzy e como surgiu.

  Ah... esse é o capítulo que tem me absorvido maravilhosamente nos últimos meses. Bem... eu já havia tentado & até já passei por vários projetos, seja de minha autoria, seja por convite de outros. Muitas vezes toquei em projetos por pura consideração às pessoas, mesmo não sendo um adepto do tipo de som. Comecei tocando em bandas punks sujas & toscas & vários outros mais "populares" (bem, não vou falar disso aqui... vou direito pro projeto atual). O The Noyzy é um power-trio... & a respeito de power-trios acho que não posso falar muita coisa, a não ser minhas próprias vibrações não-monocromáticas a respeito. É um tipo de grupo que possui certas limitações, por ser justamente composto por três pessoas & etc. Mas, muito LIBERADOR no sentido catártico & verdadeiro no que tange a espontaneidade permitida numa dinâmica dessas. Além de ser a coisa desnuda & exposta aos seus elementos mais essenciais – uma guitarra, um baixo & uma bateria. Bem... começou mesmo quando eu já fazia parte de outra banda & fui procurado por um guri que tocava anteriormente em outro powertrio. Ele queria originariamente só tirar um som, arranjou um baterista & nosso ritual consistia de ir ensaiar num estúdio tosco no meio de um bairro popular que é bem longe de onde moramos lá em João Pessoa. Encontrávamos-nos no Terminal Integração & íamos o caminho inteiro contando piadas & anedotas sejam pessoais, sejam de outras pessoas, artistas & etc... Perto do local do ensaio havia um depósito de bebidas & religiosamente a gente rachava as pratas para comprar duas garrafas de vinho barato ou de cachaça & começávamos a beber no caminho. Quando éramos atendidos uma cadela - que mais parecia um cavalo! - saltava na gente & nos enchia de baba... mas, nada disso mudava nosso bom humor... & a gente esperava bebendo ou já entrava & montava os equipamentos. Nessa época começamos a fazer jams que foram estruturando as nossas primeiras músicas... não tínhamos nome... mas, o nosso som saia algo como a mistura no liquidificador de algo vindo das garage bands da década de 60,70, o seattle sound, o punk, o post-punk, & também elementos da psicodelia, do noise japonês, da musica industrial, do rock alternativo americano & inglês, stoner rock, hard rock, etc... Desde o início começamos a compor em inglês... não sei porquê... talvez algo meu mesmo de ter certa facilidade ou ter o meu lado "estrangeiro" acentuado desde muito cedo por ter sido criado ouvindo The Who, The Beatles, Black Sabbath, Rolling Stones, Led Zeppelin, Pink Floyd, Rush, Yes, Emerson, Lake & Palmer, Free, etc. Talvez uma resposta natural ou um instinto, não sei. Mas, fomos nessa leva até que um dia tive um insight pro nome da banda... "Noise Vendetta". Achávamos fabuloso, mas, acabei descobrindo que já existia um artista (se não me engano, holandês) que já batizara seu trabalho assim. Daí... fui brincar de fazer essa coisa do The... como os The Doors, The The, etc... & distorci o vocábulo Noise para NOYZY para ficar mais nossa cara, rsss... manchar um pouco a vaidade gramatical com nossas verdades & diluições puras, tentando de alguma forma retratar o âmago & o caos que é o útero do rock'n'roll, assim como o da poesia, por que não? rsss... Se o caos (a confusão de todas as possibilidades) é o motor da imaginação... & a imaginação é a mão do conhecimento... então, tem algo a ver, né? rsssss.
  A banda passou por algumas formações... no caso, o clássico problema dos bateristas. Começamos com um Rodrigo, que é um cara excepcional... realmente gente-fina & tal, & que também escreve poesia. Tivemos que tirá-lo da banda por conta de uns problemas & uma aparente falta de dedicação dele ao projeto (mas, tudo foi esclarecido tempos depois & foi feito sem mágoas... tanto que quando o encontro, a festa & a bebedeira continuam as mesmas!), depois fizemos testes com mais dois bateristas até a chegada do Betto, que, quando chegou... mostrou pra que veio! Uma pegada forte & explosiva! Impressionou a mim & o Phelipe (baixista). Acredito que estamos com essa formação a uns 10 meses, se não me engano. Mas, com encontros cotidianos na maior parte do tempo & muito trabalho & exploração dionisíaca coletiva! Estamos pra fazer o lançamento agora no dia 12.12.12. Isso mesmo!! ahahahahahah, aproveitamos toda essa coisa de numerologia & profecias para fazer um lançamento. O EP vai se chama "NoYzY Is Fun" & a capa é um desenho meu do Allen Ginsberg (em algumas apresentações da banda eu também faço intervenções com poemas & performances, etc) segurando uma placa com o nome do trabalho. Fizemos com pouca grana, mas, é o que temos por hora... & acho que está legal para uma banda que começou sem apoio nenhum exceto a de poucos amigos (na pergunta sobre a cena eu esclareço melhor meu ponto de vista sobre isso... rsss).

    4)     Muitos críticos apontam a letra de música uma arte inferior a poesia escrita. O que tem a dizer sobre isso sendo que você transita pelos dois lados, tanto a escrita quanto a musical?

   Risos... Cara, é engraçado isso. Onde está escrito isso? Será realmente? Bem... o que percebo a respeito dessas opiniões é que os guardiões desse tipo de discurso na realmente camuflam uma coisa “territorialista” na linguagem... tentando proteger & pôr fronteiras nas expressões. Ao meu ver... nada disso existe, de fato. é pura balela... conversa fiada... fruto da jocosidade ancestral de alguns masturbadores da forma que querem resguardar um canteiro do cemitério da palavra poder regar & administrar frutificações podres, cárceres do Espírito, etc. E mais... diria que é reação de ressentimento à popularização de alguns cantores & letristas que conseguem expressar com versatilidade em música o que há anos estão batalhando durante para extrair do cérebro para canalizar na tinta pro papel. A dimensão de riqueza entre uma & outra coisa varia bastante... & as intenções & detalhes também são sutis. São como abóbodas ou curvas de alguma obra arquitetônica... ou como um simples silêncio em algum momento sugestivo da imagem transmitida... tanto no poema, quanto na letra cantada. Difícil dizer dessa forma, porque considero muito cantores & vocalistas/letristas como autênticos poetas, assim como escultores, cineastas, arquitetos (porra, o Niemeyer era um poeta, cara! - só como exemplo)... então porque toda essa coisa conservadora de dizer que - "nós somos os poetas, somos a elite do espírito, porque viemos antes dos cientistas, dos filósofos, dos sábios, etc)... pura babaquice que reflete uma ideologia pobre & até fascista.

   Bem... quanto ao meu lado pessoal (não que o dito acima também não seja, né? rsss)... não sei dizer quem veio primeiro... porque na época que comecei a escrever poemas - 13, 14 anos - também comecei a compor por um projeto de escola (banda que ficou no papel! ahahhaah) com meu irmão mais novo & uns repetentes vidrados em rock.. & bem... é uma pena não ter nada desse material guardado... por que deviam ser realmente canções & ensaios de melodias & letras que já demonstrassem uma chama... gostaria de poder acessar isso, só como curiosidade... mas, tudo se perdeu. Queria ver se evoluí alguma coisa... ou se apenas piorei! ahahahhaahah



    5)      Você pensa como Glauco Mattoso que "a poesia é para um pequeno círculo de apreciadores meio pirados, meio sonhadores, meio iluminados"?

   Cara... eis uma difícil questão. Porque eu vejo lados bastante variáveis & até controversos/contraditórios na poesia. Às vezes até lados que não se encaixam (à primeira vista!!!), ou que parecem se repelir, de tanto pantagruelicamente contraditórios que são! Há um lado místico da poesia, um lado "religioso", que é quase ou BASTANTE incompreensível para a grande maioria... há o lado Lúdico... que é justamente o TANTO FAZ & O FODA-SE DA LINGUAGEM PRO MUNDO, onde o próprio poema se instala como autarquia num campo sagrado da expressão humana & tanto faz se tem adesão ou não... há o lado apelativo, sentimental (que às vezes é realmente chato, porque é justamente o mais deturpado & pastichizado ad infinitum pela indústria cultural & pela sociedade do espetáculo, seja nas novelas, na música, na rádio, nos jornais, na publicidade, na criação de expectativas & padrões quantos aos papéis & o uso/avaliação dos sentimentos por entre pares, etc)... há o lado revolucionário que reflete os anseios de uma sociedade de se emancipar de seus valores brutais, defasados, de suas morais baseados em condescendência quanto às farsas, etc... o que busca a instauração de novos poderes, etc. A poesia se dá em muitos níveis... mesmo a última masturbação de um velho solitário antes de morrer é um poema... pois aquele ser abandonado pelas traças ou não aceito pelos seus iguais ainda se reconecta com a musa, com o desejo, para se sentir vivo. Enfim... O que se entende como poesia ou poema comumente é muito pequeno & inócuo, tal seja: um livro impresso com palavras pequenas, diagramado, geralmente muitas poucas palavras num espaço quase infinito (embora limitado pelas margens) que é página em branco! Essa é a percepção/leitura mais superficial do poema... pra se atingir a poesia mesmo tem que se descarnar a realidade & acordar dentro do Sonho. Isso sim, é a poesia VIVA. A poesia que nos toma & nos modifica pra sempre em outros & outros & outros & outros... indefinidamente! Ou, poderia dizer... assassinar os fantasmas & as formas que foram algemadas em nossas mentes & que encarceram nossos movimentos & explodirmos em dança tecendo novas possibilidades de Vida! (na realidade, essa é uma pergunta irrespondível... & cada uma de minhas tentativas afastaria o poema & nos daria matizes de sombra... ou, como prefiro dizer: o impulso de explodir & dançar nos ares!)

   6)   Como anda a cena alternativa na Paraíba?

  Ah.... tenho certeza de que minha caveira irá queimar mais ainda com a resposta dessa pergunta. A cena na paraíba? No que remete a quê? Música? Poesia? Ah... "alternativa"... então deve ser a da música. Porque em relação a poesia & teatro & outras artes, só se encontra - em sua graaaande maioria - a expressão pálida de uma tentativa de mainstream. Os poetas são todos - sem exceção... - uns velhos broxas babosos que se esqueceram que já estão mortos, no teatro eu ainda torço para que um grande amigo & gênio, Manassés Diego, continue produzindo & resistindo com o seu Grupo Cabala! Já em relação ao cenário alternativo, underground, rock'n'roll, etc... tem-se um panorama quase trágico se não fosse a coragem de alguns gigantes que se fazem de pequenos... pessoas que admiro com sinceridade, embora às vezes não a saiba expressar adequadamente (mais mesmo por timidez & talvez um pouco por teimosia; quanto ao orgulho, tenho minado, cada vez mais, o lado venenoso dele...). A cena alternativa daqui já entrou na moda da organização central da filosofia "fora-do-eixo", que, muitas vezes na prática, parece mesmo é algo que tem um eixo muito certo & decidido. Mesmo com um crescimento gradual & até determinada exposição - que eles dizem que tem, etc - o cenário vem, sim, crescendo, apesar das dificuldades... muitas bandas tem surgido, bandas antigas tem retomado as atividades... tudo isso na mesma velocidade da cidade... ou seja... sem tanta dinâmica! Mas, fora disso existem grupos & indivíduos que se reúnem vez por outra pra fazer o rock'n'roll acontecer sem frescuras... a "cena" mesmo está centrada no Centro Histórico, entre a Praça Anthenor Navarro & o Largo de São Pedro... algumas casas de shows & bares funcionando. Só que, principalmente na casa associada ao Fora-do-eixo, a rotatividade & a apresentação de novas bandas & etc, deixa a desejar, ficando sempre as mesmas bandas (geralmente de pessoas de lá) apresentando-se & entrando em circulação... em detrimento da demanda de tantas bandas que estão aí no cenário... seja de agora, seja de tempos... Acho que os ressentimentos & acontecimentos passados travaram as pessoas de se relacionarem para construir algo em conjunto como era antigamente. E, também, a coisa da "imagem", de limpar ou tecer um véu de Maya - justamente como as práticas governamentais, por exemplo, relativa a "limpeza urbana" para incentivar o consumo turístico dos espaços, tem se tornado um eixo mais essencial para eles do que a dinâmica social & a diversão/catarse da música. Não vejo nada de errado em querer "vender" sua música & viver dela... claro... até porque eu também tenho banda & nossa... viver de música é incrível & acredito que não é um "sonho" como querem fazer passar... existem múltiplos fatores para que isso se torne realidade. Acho que o know-how deveria ser revisto & que os sentimentos de ciúmes & inveja & tudo o mais que retrai ou afasta ou transforma algo simples num labirinto que se tenta atravessar pisando em ovos poderiam ser descartados para a felicidade geral. Enfim... No mais, anseio ver as cenas em outros lugares & degustar bem cada diferença... porque já conheço o repertório dessas dinâmicas de tanto estar aí experimentando... rsss

   E... ah... provavelmente quer participar da cena & ler isso não vai entender que isso não é um "ataque", é uma avaliação de um ponto de vista & também não é pessoal, porque não direcionei a ninguém especificamente. Bem... o mais provável é lerem & dizer: "sabia... Ikaro é doido, louco, etc", pois é o que mais dizem de mim aqui. E eu só faço rir... talvez eles tenham razão! kkkkkkkkkkkkkkkkkkk (Se bem que ter razão não quer dizer muita coisa no que diz respeito a estar "certo" ou "errado"... Existe algo mais profundo, não é?)

   Quanto a indicações de pessoas & bandas (principalmente também os bons corações que estão escavando & buscando a sua expressão com honestidade)... aproveito a oportunidade para nomear alguns "bois" que mereceram serem ouvidos & antenados: Igor Von Richthofen (The Nardonis, Old Men School & Scary Monsters), Edliano (Musa Junkie), Dimitri Cabrail, Ronniely Diniz, Raffa cajú, Eveline Lucia, Anselmo (& o pessoal do Pogo Pub!! Resistência, galera!!), ílsom Barros, Alexandre Magno, Pedro Regada, Pride Of Mom, Ubella Preta (força rapazes!), CH Malves & Burgo, Matteo Ciacchi, Rafael Figueiredo, André Falcão, Marcelo Piraz, Homem Trapo, Daniel Santana, Naresh, Pão Mofado, etc, etc, etc... Bola pra frente.



   7) Você acha que existe lugar pra poesia no Brasil e no mundo que vivemos?

Lugar pra poesia? No Brasil? No Mundo? aahah... bem.... espero que nunca nos cemitérios, necrotérios! A poesia nunca está nas Academias...o que se faz ali é a exumação dos cadáveres... todo o Espírito que insuflava aquelas letras já era! Está em outro lugar! Basicamente está num Não-Lugar, se preferir... ATOPOS... acho que essa pergunta é sobre isso, não é? Não-lugar... utopias! Vivemos em tempos distópicos, desencantados (como diria Weber), um mundo onde as alternativas estão também no mercado de consumo: seja hippie, seja vegan, seja punk, seja espiritualista, seja new age, seja "mô-fi" (os típicos marginais que atuam por aqui & que aparecem nos programas policiais ao meio-dia), seja piriguete, etc. Tudo fetichismo transformado em possibilidades de mercado. Você continua pagando para acessar o que seria essa "liberdade". Mas... voltemos a pergunta... pra mim o mundo está se dissolvendo agora, está entrando numa nova etapa de esclerose & renovação... não culpemos os Maias, não culpemos Cristo, etc... culpemos a nós mesmos & nossa imbecilidade... nossa "Devolução", como critica a banda DEVO. Símios operando máquinas... qual queria que fosse o "resultado lógico"? Um belo pomar aberto em transes vertiginoso para livres cópulas douradas sem nenhum sinal de sombra nas nuvens? Bem... isso sim seria a poesia... mas, a face que os poemas tem que espelhar agora não deve ser a de nossa fraqueza propriamente... mostrar integralmente o Homem (a Mulher também, claro, a nossa linguagem ainda não criou o substantivo genérico para ser empregado indiscriminadamente sem carga de valor machista, sexista, etc!) continua sendo uma "tarefa inconveniente"... as novas gerações estão se cagando pra isso... a maioria prefere a perspectiva de que se malhar um pouquinho & saber aparecer num vídeo poderão ter a vida inteira ganha se entrarem num reality show ou se forem as novas Sandy & Justin Bieber! Os garotinhos da favelas querem & se espelham em Neymar! Roberto Piva sonhara em reencontrar jovens como os que ele conheceu... marginais que liam Dante & Goethe... garotos com um conhecimento da prosa alucinada de Rimbaud gritando das colinas que não seriam escravos & sim uma máquina humana de sonhos vivos & profusos... O Piva morreu, mas, sua poesia está aí... & pra mim, em termos de Brasil, é uma das mais poderosas! Junto a de Torquato Neto, Jorge Mautner, Raul Seixas & outros profetas prenhes de MANA. A poesia sempre terá lugar nos espíritos irrequietos & voadores... nos caras que cairão fora de alguma forma do blablaísmo atual & atuante, nos iniciadores de seitas fora-do-comum, nos artistas singulares & considerados inadaptáveis, nos iniciadores de comunidades agrícolas com base no respeito, no Amor & na tolerância, nos experimentadores da consciência & da hyper-consciência (ayhuasca, DMT, assim como drogas sintéticas também, por que não?). Muitos deles nem desconfiam... porque rastejam ou fazem vôos imperceptíveis dentro do registro da linguagem comum & cotidiana... mas, tem a flor louca da poesia no peito, em si mesmos, na mente... basta só descobrirem como regá-la corretamente & com convicção. rsss


 8)    Apesar do país ter saído da ditadura política, acredita que atravessamos numa época extremamente reacionária? E como anda vendo essa  geração de jovens  poetas que você também pertence?

Fiiiu... cara... o Brasil saiu de uma ditadura para outra (ou outras!). E o tom do que quero dizer não tem nada de - "antes era melhor". Porra nenhuma. Se tivesse vivido naquele regime, provavelmente eu teria dado um jeito de fugir ou de lutar com todas as forças - &, poderia me dar mal, de um jeito ou de outro. Não iria, de toda forma, aguentar ser um cidadão modelo & capado. Passamos por tempos demasiados contraditórios... enquanto se afunila mais as estruturas de base sociais & os antigos papéis vão sendo substituídos pelos novos, vemos a mentira do Discurso Oficial atuar & catalogar as coisas. Existe o tal "Crepúsculo do Macho", a ascensão das ideologias feministas, o neonazismo, a nova “classe média” que traz para a cultura seus valores empobrecidos, a defesa dos direitos das minorias, mas, ao mesmo tempo, uma patrulha ideológica imbecil & sem um pingo de inteligência que não reconhece nenhum valor individual, nenhuma possibilidade de alteridade do indivíduo que se auto-elabora no processo de vida social & cultural do cotidiano.. É como o discurso totalitário & totalizador da razão logocêntrica que se assume como parâmetro do "pensamento verdadeiro & oficial" & estigmatiza a parcela de si que possui a sensibilidade como eixo próprio & sempre mutante... a "loucura".  Os indivíduos que são naturalmente excêntricos, ligeiramente doidos, criativos, não-clichê na atuação dos papéis reservados por uma cultura de bovinização cultural é excluído & processado, taxado de "politicamente incorreto", imoral, etc.  Há um deslocamento perene da área do castigo & da punição & da exclusão propriamente dita por tipos silenciosos & invisíveis de castigos, como o peso sombrio dos olhares de soslaio, a risada de ridicularização ou descrença do potencial individual de determinados sujeitos, o próprio boicote & o falatório que "enche linguiça  ou extravasa pequenos acontecimentos como se tivesse caído a bomba atômica em seu quintal, etc... Pequenas coisas que vão reformulando o conceito de fascismo & totalitarismo... como, por exemplo, atitudes de pessoas ignorantes & avessas a convivência das diferenças que, num debate mesmo tolo, "não quer ouvir nem a sua opinião", por que você "pensa & fala demais" & "isso é chato", coisas do tipo. Vivo me deparando com situações grotescas ao ponto do ridículo vindo de indivíduos que se acham demais, mas, que no fundo, não são nada disso. Fora também o que se chama de ditadura publicitária & editorial, que boicota & simplesmente trata com indiferença - como se não existisse mesmo! - artistas que buscam com autenticidade expressar suas visões & fazer um trabalho diferente do que é o Padrão-Best-Seller para Boi Dormir. Vivemos, sim, uma época reacionária! Basta parar pra ver o surgimento de movimentos como esse do "Dia do Orgulho Hétero"... Se eu já acho "absurdo" um dia do orgulho gay (me entenda bem, antes de dizer que esse comentário é homofóbico, muito pelo contrário!), imagine um dia do "orgulho hétero"? Entendo & vejo sim o lado político das coisas... mas, veja só, nas mãos de quem está o poderio do Estado? Quem os apóia? Acha que é de interesse deles essas transformações? Na minha cabeça já vivo no "pós-machismo", "pós-feminismo", "pós-blablaísmo", "pós-tudo", apesar de saber que fora de mim tudo isso continua sendo um lenga-lenga chato que atrasa a vida de todo mundo & só trava os orgônios nos lugares errados. Rsss 
A pior das ditaduras sempre seja a dos Idiotas & Ignorantes, dos caretas que não tem pingo de humor... mas, tenho também receio da Ditadura dos Doutores que se portam como sábios... se bem que esses, se fossem sábios mesmo, abdicariam de todos esses lugares de poder... fariam algo no sentido do que fez Li Po... No mundo das “artes” o que mais vejo é Imbecilidade & mentes limitadas... “Francamente...”, como diz um amigo meu, poeta, Jean-Jacques..
Quanto aos poetas... devem se foder mais & alcançar outros cumes para atingir a experiência mais ampla de lirismo... Ficar lendo Bukowski, Pessoa, etc,  pela internet, wikipedia, ou orelhinha de livro no intervalo de uma aula... ahahaha... faz me rir, jovem... Aprendi mais sobre poema & arte fora da sala de aula, em companhias não recomendáveis & extremamente vivas & brilhantes do que vendo uma múmia vomitar... com todo respeito aos faraós (que eram deuses na Terra!). rsss.

   9)   Que poetas e músicos  marcaram a sua formação?
 Acho que sou um típico promíscuo em termos de referências... ahahha... porque influência mesmo eu considero meus estados interiores, meus sentimentos, meus insights... sob a influência da força torrencial deles eu produzo. Agora... referência se remete mais a variações de técnicas & estilos na composição... ou como, através de uma observação radical & um mergulho, absorvo as técnicas para poder no momento da criação me desnudar & fazê-lo! Assisti anos atrás um documentário com o Tom Zé no qual ele falava a mesma coisa, só que com outras palavras! O raciocínio é semelhante, analógico/análogo ao do cara. No meu caso eu sempre tive uma relação muito dúbia & infiel inclusive com o que eu chamava de "ídolos". Porque percebia as fraquezas & as falhas deles & sabia que não poderia colocar tais pessoas em patamares inexistentes & nem poderia lutar os seus combates... teria sempre os meus pra travar! Desenganei-me com muitos, mas, foi bom, porque vi o lado humanos deles... o lado falho & miserável, que me dizia... é... se ele conseguiram, porque você não poderia conseguir? E se você também pode, por que achar que você é o único que pode? Entende? Aí está toda a diferença. Como disse, meus primeiros heróis começaram na literatura & depois foram/migraram pra vida... aqui me explico: comecei admirando músicos por osmose, por conta da influência de meu pai & seus vinis. Aquelas capas & fotografias em revistas me fascinavam, muito embora eu mal entendesse do que se tratava. Mas, em filmes & em shows, eu achava "da hora" um cara com cabelos enormes & sujo, vestido de maneira diferente, empunhando instrumentos... com um cigarro no canto da boca! Wow... que legal, eu pensava, quando tinha 5 ou 6 anos de idade & anda escutava historinhas do "Barba Azul" em fitinhas K7!!  ahhaahhah  Eu passei a gostar de rock desde então... & meu pai tinham uns discos & vinis, & até revistas, com histórias & entrevistas de bandas & etc. Eu gostava muito - era fascinado, também - de ver as fotografias & ler as histórias dos grandes gênios compositores de música erudita... principalmente os da Era Romântica - Beethoven, Brahms, Chopin, etc - & ficava impressionado com algumas coisas... & via coisas semelhantes nos artistas que admirava no rock'n'roll também... nesta escavação encontrei referências de literatura & fui atrás... foi assim que me choquei com os cometas Baudelaire, Rimbaud, Goethe, os dadaístas, o Fluxus, Nietzsche, Sartre, etc... depois fui me aprofundando & ampliando meu escopo...

    10)   Seu epitáfio.

Cara... é um pedido complicado... mas certa vez vi um que me inspirou a escrever isso:

"De guerras acendi luminárias corrosivas no âmbito das Idéias
 Abracei o mundo como ousaria um Homem-Bomba &
 Explodi tudo em uma inexplicável Alquimia de Amor..."

Mas, poderia considerar várias outras opções - "Por dentro da carne nenhuma contradição - exceto a Morte - o calou..." - etc... tem tantas idéias que não saberia dizer com convicção & certeza plena - "É ISTO!" -  Ou então um belo ___________ (vazio mesmo) - engraçado que certa vez tive um som no qual via minha sepultura & lá tava escrito "Tu acha que morri é? LOOOOLL - deixa de ser limitado! Sai dessa... etc" & ter acordado morrendo de rir!)...  Deixa rolar... quero apenas VIVER & queimar tudo em novos derrames, sensações... talvez, nem me preocupe tanto com isso quanto antes...  É perder tempo pensar na morte agora... estou me sentindo bem, potente, cheio de vitalidade & energia (apesar de repentinas crises de tédio... isoladas...)!

    11)   Uma poesia.

Minha ou de outros autores? É difícil escolher, mas, gosto muito do poema do Iessenin chamado "Confissão de um Vagabundo"...
- de minha janela mijo na lua - (algo do tipo - estou citando de cabeça!), umas imagens (junto com o texto inteiro & vários momentos dele) que são alucinantes.
O "Pesa-Nervos" de Artaud. Porra... é foda dizer assim.

Meu... é difícil... não tenho favoritos, escrevo todo santo dia, geralmente. Meus poemas estão espalhados por aí... até já paguei contas com eles (quando os donos dos estabelecimentos se mostraram complascentes, claro) rss... estão espalhados em vários lugares do Brasil & até do mundo. Mas... vou citar um aqui:


ASSIM QUE QUERO QUEIMAR...

dentro de um coquetel tóxico de beijos
& centelhas de perdão adiado
numa lufada vermelha & acre tangendo
a órbita de seu gemido
afogado na câimbra dos espelhos tímidos
enquanto as montanhas morrem nos abraços dos lírios
& os sóis azuis acenam em suas pestanas frias
latido de donzela saída da coroação cirúrgica
dialetos dissipados no silêncio
entendimentos póstumos sobre temas & intrigas
olho escarrado de horizontes límpidos
pele bifurcada em trezentos espinhos
assim quero aninhar tua fragilidade
num leito de uivos
& desfazer cada uma das infinitas constelações
enquanto não dormimos

IkaRo MaxX


    12)   Uma bronca.

Blah... Bronca? Hmmmmmmm....