terça-feira, 21 de maio de 2019

OS QUADRINHOS POÉTICO-FILOSÓFICOS DO GAZY ANDRAUS

Por: Diego El Khouri

Venho entrevistando a galera das artes  há 10 anos. A primeira foi com o poeta Glauco Mattoso, e que publiquei no blog Molho Livre ( http://molholivre.blogspot.com/ ) em 31 de Outubro de 2010 e depois nesse blog aqui também. E nunca mais parei. Existe muitos motivos para estar nesse encalço. A cultura alternativa tem realmente, em boa parte dos casos, essa necessidade de interação, coletividade e troca de experiências.  Conhecer outras formas de pensar enriquece o nosso próprio trabalho. E o público precisa  conhecer quem são esses artistas e principalmente as artes e reflexões que eles/elas propõe. Esse blog, como já disse algumas vezes, visa devassar a cultura, ampliar nosso olhar, fortalecer a cena artística e criar um painel de produção contemporânea. Dessa vez a entrevista é com o professor universitário, quadrinhista e pesquisador em histórias em quadrinhos, Gazy Andraus. Com ascendência libanesa,  Gazy nasceu em Ituiutaba (MG) (cidade de outro grande quadrinhista brasileiro, o Edgar Franco) no dia 11 de Janeiro de 1967. Sua trajetória marca um período importante da arte sequencial brasileira, as ditas HQs  poético-filosóficos, que modificaram a forma de pensar e fazer quadrinhos no Brasil. Abaixo segue o papo com esse importante autor do underground nacional. 





1) De que forma se tornou quadrinhista e como foi o processo até se tornar pesquisador da área?

Na infância, como toda a criança, o desenho em todas as instâncias chamava-me a atenção (em revistas, gibis, desenhos animados etc). Os dinossauros me atraíam e eu os desenhava quando fui criança, incessantemente. As ilustrações de dinossauros, igualmente, me eram apaixonantes, junto do que seria a vegetação pré-histórica representada na época dos seres antediluvianos. Enquanto isso, assistia os desenhos animados e séries fantásticas (“Corrida Maluca”, “Ultra-Seven”, “Zorro”), mas os gibis foram os que mais me envolveram, pelos quadrinhos, cenas, personagens e variedades de títulos e estilos (dos desenhos, principalmente). Inicialmente no humor e depois, a partir de meus 12 e 13 anos, apaixonei-me pelos de super-heróis graças aos desenhos naturalistas (realistas) com o fantasioso da ficção mixado à realidade recriada nos heróis. Desta fase em diante, eu queria poder criar HQs de super-heróis como as dos profissionais que eu via. Depois, na faculdade de artes, aprendi técnicas artísticas e de plasticidade que mesclei à linguagem quadrinhística, enquanto conhecia os fanzines, onde principiava a publicar meus quadrinhos iniciais. A seguir, percebi a necessidade das pesquisas aos quadrinhos para lhes dar o devido valor aos olhos de quem não os reconhecia, o que me levou ao mestrado e doutorado (e agora ao pós-doutoramento sobre os fanzines, em específico).

2) Você  produziu  inúmeros  fanzines e HQs na qual eram  chamados de "quadrinhos poéticos - filosóficos.  O que seria  essa vertente da HQ?

Em meados da década de 1980 conheci os fanzines e principiei a participar deles. Fui um período muito fértil, ainda sem computadores pessoais e internet. Tínhamos uma inflação galopante no Brasil, gibis em bancas e álbuns de HQs nas livrarias que passaram a ter uma publicação cada vez com mais títulos diferentes e respaldados com reportagens jornalísticas, como nunca houvera antes no Brasil. Com isto, os quadrinhos europeus vieram com mais freqüência e passei a conhecê-los melhor. Então, em meio às HQs amadoras (e também profissionais, com HQs de Mozart Couto e Shimamoto) que eu via nos zines e os quadrinhos de super-heróis (que eu já não me contentava mais em desenhar e emular), percebi grandes diferenças naquelas artes das dos europeus como Moebius, Caza e Druillett. O álbum “O Homem é bom?” de Moebius me deixou atônito! Era totalmente diferente e seus desenhos fluídos e as histórias (se por assim chamadas) eram poéticas! Na verdade, para explicar melhor como se deu esta modificação comigo, vou contar melhor o fato. Na época (meados e fins dos anos 80), com a inflação perto dos 80%, restava um exemplar deste álbum do Moebius à mostra numa livraria em Santos/SP e todas as vezes que eu passava, não dava muita atenção. Como a livraria parou de remarcar o preço do exemplar, após umas semanas, seu valor ficou igual ao de um simples gibizinho da Ed. Abril, com seus constantes aumentos, que também acometiam todos os outros produtos no Brasil. Então, como eu estava já meio cansado de ler HQs de heróis com “crises em infinitas terras”, resolvi encarar o álbum de Moebius, ainda meio reticente...mas quando passei a lê-lo, entendi a magnanimidade e diferencial de sua arte que muito me aprouve! Enquanto isso, em alguns fanzines apareciam outros autores como Caza (Phillippe Cazamayou) com sua HQ “Vento”, altamente poético-fantástico-reflexiva! Aliado a essas novas experiências de leituras minhas, estavam meus conhecimentos e experiências que estava adquirindo na faculdade de artes, cuja amálgama com os estilos de super-heróis que ainda residiam no meu arcabouço mental, retransmiti tudo à minha arte, passando, aos poucos, a criar HQs curtas com tais tônicas (mas, claro, inconscientemente de que se tornaria um estilo distinto, também simultaneamente desenvolvido por outros novos autores). O curioso foi encontrar HQs similares às minhas, tanto no estilo de desenhos, como nas temáticas fantasioso-reflexivas, das HQs de Edgar Franco (que eu não conhecia), tendo publicado num mesmo número que eu no clássico fanzine “Barata”. Conforme fomos nos tornando amigos e difundindo mais e mais nossas artes, lançamos em 1994 o zine “Irmãos Siameses”, cocriado já com a premissa de uma arte-irmã, e tendo tido suas páginas alcunhadas como “autêntica fantasia-filosófica” pelo curador da Exposição Anual de Fanzines de Ourense na Espanha. Outros autores foram despontando com estilos distintos, como Antonio Amaral, Rosemário e AlGreco. Mas, claro, antes deles e de nós, já havia o Flávio Calazans e Henry Jaepelt (este último com desenhos que lembram os europeus Moebius e Arno) cujos estilos embrionários contribuíram para a manutenção dos quadrinhos poético-reflexivos, o que só ampliou esta visão de um estilo único brasileiro influenciado, um tanto, pelo europeu. É importante ressaltar que devido aos fanzines serem de poucas páginas e tiragens reduzidas, exigia-se com que nós autores elaborássemos HQs curtas de 3 a 6 páginas, em geral, para que mais autores pudessem publicar em fanzines como “Tchê”, “Quadritos”, “Bifa”, “Barata” etc. Esta premência de nos obrigar a elaborar HQs curtas nos forçou mais ainda a sermos mais criativos e mais sucintos (ou elípticos) em nossas narrativas, culminando no estilo das HQs poéticas! Inclusive, isto resultou num pós-doutorado do saudoso Elydio dos Santos Neto, que registrou na história da HQ e nos meios acadêmicos, tal estilo.



3) Ao longo de sua carreira, no universo dos quadrinhos,  você publicou em fanzines  e revistas internacionais como o zine francês  La Bouche du Monde. Como os quadrinhos são vistos no mercado Internacional?

Em geral, tanto no fanzinato brasileiro como no mundial, é muito similar a camaradagem de faneditores que publicam HQs de autores do mundo todo para mostrar mais versatilidade e ampliar a rede mundial de trocas de idéias e expressividades artísticas (que é o propósito dos fanzines, que justamente não visando lucro, auxiliam nesta fraternidade em que não se objetiva a competição). E tudo, lembrando, antes da Internet. Mas com o advento dela, também se migrou para zines em pdfs, ou blogs (uma mescla, a meu ver, de um fanzine mixado a diário pessoal). Os quadrinhos, décadas passadas, não eram muito bem vistos no mundo todo, com certa exceção à França, mas principalmente ao Japão, cujo preconceito lá era o menor (a meu ver, porque o ideograma, por ser desenho, mantinha o mesmo valor conceitual que o quadrinho, diferentemente para nós e a letra fonética ocidental, que era tida como de maior importância, em detrimento ao desenho). Porém, tudo foi se modificando, e na atualidade, mesmo no Brasil, os quadrinhos são melhor valorizados (como os fanzines), mas graças, claro, à ampliação de pesquisas na área (contrariando a visão política atual brasileira em que se desvalorizam a pesquisa e a universidade). Assim, embora os mercados de HQs no exterior (EUA, Europa e Japão) sejam grandes, o fanzinato ainda existe como uma espécie de válvula necessária para todos aqueles que desejam se publicar e com liberdade, sem esquecer o que eu disse: com fraternidade!


4) Qual  a diferença, na produção  de material underground, antes e depois do advento da internet?

Tal qual o disco de vinil, que no Brasil foi escorraçado durante o advento dos CDs, e agora retorna, o quadrinho e principalmente o fanzine, no papel, passa e volta a ter tanto valor (ou mais) quanto o fora no passado. Com relação ao underground não penso ter havido mudança, mas em relação aos temas em geral, parece terem se ampliado, com muito mais autores e agora autoras mostrando suas artes, e os fanzines aparecendo melhor, tanto no papel, como em redes sociais (eu posto alguns fanzines meus no facebook). Mas, claro, ainda penso que no papel eles são mais apreciados, tanto pelos que os leem, como pelos que os elaboram, justamente devido à razão dos zines terem muita afinidade com o labor pelas mãos e com o material físico (papel). Outro fator que se ampliou: feiras e eventos de fanzines, alguns acoplados a eventos de HQs, como o TCAF - Toronto Comic Arts Festival, que tem um anexo para autores de fanzines e independentes e aqui no Brasil, o Ugrapress e a Feira Plana, que trazem publicações alternativas. Desta forma, se pensávamos que os zines de papel sumiriam, ao contrário, aumentaram em quantidade e alcance (muito também graças a quadrinhistas e fanzineiros que adentraram as escolas e faculdades e aplicam aos alunos os quadrinhos e zines).


5) Em 2007 você ganhou o  19º Troféu Hq Mix na categoria de "melhor tese de doutorado" por sua pesquisa  "As histórias  em quadrinhos como  informação  imagética  integrada ao ensino universitário",  defendida na Universidade de São  Paulo. O que esse prêmio  representa para o mundo acadêmico e sobretudo  no mundo das histórias  em quadrinhos?

Como respondi numa das anteriores, as pesquisas vêm aumentando gradativamente no Brasil, acerca das artes dos quadrinhos e fanzines. O pioneirismo vem das décadas de 1970 e 80, mas grassaram as pesquisas de 1990 em diante com muitos TCCs, dissertações de mestrados e teses de doutorado, ajudando, invariavelmente (aliadas às apresentações em congressos) a aumentar o arcabouço de pesquisa e divulgação da importância da 9ª Arte e dos fanzines. Minha tese veio nesta esteira, e descobri nela a justificativa-mór que daria o aval aos quadrinhos: os desenhos são lidos distintamente em nosso cérebro, como arte, impulsionando a inteligência criativa que interage com a racional (que lê fonemas e sequencializa tudo). Os quadrinhos, por mixarem desenhos, narrativas elípticas e textos fonéticos trazem este conjunto que “retroalimenta” os hemisférios cerebrais de uma maneira excepcionalmente amplificada e distinta da exclusiva obtenção cartesiana de informações. E note que o álbum teórico em quadrinhos “Desaplanar” de Nick Sousanis (que já esteve no Brasil num dos congressos de HQs da USP), fruto de sua tese de doutoramento em forma de HQ realizada nos EUA, traz esta teoria de que as histórias em quadrinhos são um estímulo diferenciado e amplificador de uma visão estreitada e tradicional, tal como minha tese trazia (só que antes da dele, e diferenciando-se em que a minha tinha um aporte baseado nas pesquisas da ciência cognitiva realizadas na época, porém sem desmerecer a de Sousanis, que é louvável e que amplifica com outras modalidades de percepção o que eu havia desenvolvido na minha pesquisa). Ou seja, minha tese realmente foi pioneira e veio antes da pesquisa norte-americana e devido ao ineditismo e alcance, teve uma premiação justa e merecida (que aliás, me pegou de surpresa), sem jactância de minha parte, pois só eu sei como sofri para, no terceiro ano da elaboração da tese, chegar a essa “equação” que resultou em meu desvendamento da importância das HQs à mente humana (e em especial como uso para a universidade), e que levou mais um quarto ano para eu melhor desenvolvê-la e finalizá-la – aos trancos e barrancos, incluindo eu lidar ao mesmo tempo com um acidente ocorrido com meu pai que havia quebrado sua perna e em paralelo eu dar assistência a ele!



6) Fale sobre o Observatório  de Histórias  em Quadrinhos da Escola de Comunicações  e Artes da Universidade  de São  Paulo na qual você  é membro.

O antigo “NPHQ – Núcleo de Pesquisa de Histórias em Quadrinhos”, que foi gerado no final da década de 1970 por pioneiros como os profs. Álvaro de Moya, Antonio Luis Cagnin, Waldomiro Vergueiro e Sonia Luyten, e na atualidade denominado de “Observatório de HQ” tem sido primordial para manter a pesquisa dos quadrinhos, em especial na ECA – USP, onde ele se baseia. Reúne pesquisadores reconhecidos, bem como estudantes de graduação e pós, amantes da arte, e de várias áreas acadêmicas (e não só de pessoas da USP, mas de outras instituições). A cada reunião mensal há uma apresentação acadêmica (de alguém que defendeu TCC, mestrado ou doutorado acerca de HQs e afins) e a continuidade de estudo de um livro teórico que aborde as histórias em quadrinhos em que um dos membros apresenta explicando um capítulo do livro estudado. Em meio a isso, houve outros projetos, como o de entrevistas com autores e pesquisadores da Nona Arte (alguns que já faleceram, como Ruy Perotti, na qual esteve presente), dentre outros projetos atuais, como o agora anual Congresso Internacional de Histórias em Quadrinhos. Portanto, um grupo essencial de pesquisa e aberto a todos, sob coordenação do professor Waldomiro Vergueiro.

7) Como andam atualmente  as produções  de HQs no Brasil e existe mercado para esse tipo de mídia?

Não consigo mais acompanhar, faz tempo! Os de super-heróis, eu parei já há anos, só adquirindo um ou outro, pois as peripécias que as editoras fazem para vender têm me irritado muito, pois descaracterizam personagens e fingem dar complexidade, muitas vezes, em roteiros que não têm profundidade. Exceções, claro, principalmente aos autores ingleses como A. Moore e G. Morrison e alguns outros poucos. Não tenho o hábito de ler mangás, pois não aprecio a estética da arte da figura estilizada humana deles (embora goste dos cenários e uso de retículas). Do europeu também vejo uma massificação e embelezamento vazios. No Brasil tem havido um aumento absurdo de títulos e autores e muitos com qualidade, mas também não tenho como acompanhar. Aprecio trabalhos autorais como os do Laudo, Edgar Franco e Henrique Magalhães e vez ou outro cai na minha mão um álbum como a HQ “Carolina”, sobre uma mulher negra que foi um dos grandes fenômenos literários do Brasil na década de 1960, mas desconhecida por nós, em geral. O álbum tem autoria de Sirlene Barbosa e João Pinheiro que chegaram a ser laureados neste ano no festival de Angoulême na França! Dos fanzines, os incentivos de Alberto Souza (o Beralto) com seus alunos do Instituto Federal Fluminense (IFF) que criam HQs e fanzines temáticos e criativos, e o fanzine “Gibilândia” de Roberto Guedes que publica histórias em quadrinhos de autores consagrados, mas inéditas no Brasil, bem como o incrível “QI” de Edgard Guimarães que se mantém excepcional com muitas informações sobre HQs e fanzines e seção de cartas enriquecedoras. Fico sempre atento para conhecer algum fanzine ou HQ alternativos de novos autores em que vejo qualidades ímpares, afora os eventos como a “Fanzinada” de Thina Curtis (homenageada recentemente com seu nome dado à nova seção Fanzinoteka da Gibiteka de Barueri). Mas o que eu gostaria de apontar é a diferença berrante entre as produções atuais e o que havia nas décadas de 1980 e 1990 onde a salvação eram os fanzines: e hoje, com os rumos valorosos atribuídos aos quadrinhos, a facilidade em se publicar e a reverência dada à nona Arte em todas as áreas, não deixam as gerações atuais saberem que tudo estava ao contrário em décadas passadas, com as HQs então desvalorizadas e até tidas como perniciosas à mente humana! É impressionante como tudo se inverteu...mas não se deve esquecer que foi graças aos autores e pesquisadores que foram desbravando e conduzindo suas obras e pesquisas de encontro com preconceitos e desconhecimentos que as áreas acadêmicas e a sociedade em geral tinham. Foi por isto, inclusive, que muitos de nós tornamo-nos pesquisadores também: para ajudar a mostrar que os quadrinhos não eram a mídia maléfica que “pintavam e desenhavam”, e pelo jeito, temos conseguido!

8) O que te motiva  a criar?

Aqui é interessante eu tentar explicar. Voltando a meu passado, lembro que o que me prendia a atenção nas leituras das HQs sempre foi o fantasioso, mas imbuído de reflexão. Na infância, como eu dissera, desenhava dinossauros sem parar, e na adolescência, HQs de heróis. Mas não me interessavam “batalhas” e sim, focos em temas de reflexão. Recordo-me de uma HQ de Jim Starlin com o personagem Motoqueiro Fantasma, em que ela trazia um embate, uma corrida na qual a Morte desafia o estranho herói, que para vencê-la em 3 etapas, precisa usar de rapidez e inteligência, salvando uma criança que a Morte coloca como prêmio e desafio (podem ver mais sobre isso em meu blog: http://classichqs.blogspot.com/2013/03/a-morte-como-premio-motoqueiro-fantasma.html), além de outras HQs, não apenas de heróis reflexivo-filosóficas que eu passei a ler no início da fase adulta, como as de Caza (e filmes de ficção científica, como “2001” e autores como Ray Bradbury e suas “Crônicas Marcianas”). Tudo isto, aliado a livros de ciência quântica e de filosofias outras (e até esotéricas) como o Tao, me motivavam a elaborar HQs poéticas com contextos reflexivo-filosóficas. Mas o fantástico tinha que existir, desde que eu gostava de desenhar monstros, dinossauros, super-seres e mundos outros (o fantástico de novo), e tudo sob audição musical, preferencialmente rock (progressivo e metal melódico). Quanto mais eu gostava das músicas, mais minha mente se comprazia em criar e entrava naturalmente noutro estado semi-alterado de percepção criativa! Assim, ao ouvir músicas, eu ia elaborando as frases e artes concatenando-as desenhadas diretamente à nanquim no papel, até acabar a “obra” - uma HQ/Arte curta em que eu assinava ao final, como uma pintura (pode-se assistir uma apresentação acadêmica minha em que mostro como se dá o processo criativo, aqui: https://www.youtube.com/watch?v=k3d_xuog7Uk). Há trabalhos meus publicados na Editora Marca de Fantasia (“Ternário M.E.N., e o livro sobre minhas obras escrito pelo Elydio dos Santos Neto: “Os quadrinhos poético-filosóficos de Gazy Andraus: 25 anos de quadrinhos e fanzinato”) e pela Ed. Criativo, um sketchbook e o álbum de HQ “Homo Eternus” vol. 1 (já está sendo preparado o vol.2).


9) Epitáfio. 

O que estaria no meu? Algo como “Assim como a criação e a arte se renovam, a vida aqui não morreu, mas transcendeu para outro rumo e plano de (re)criação!”

10. Fale  o que quiser.  Deixa o seu recado. 

Penso que as pessoas estão em níveis distintos de pensares pessoais, e por isto, para cada uma, a vida, estando numa etapa específica, permite-lhes apropriarem-se de uma verdade em que o ser humano pensa sua verdade ser igual a de todas os outros de sua espécie. Mas como os quadrinhos distintos que perfazem sequencialmente uma única história, porém de requadros desenhados com cenas em continuidade, cada “verdade” de cada pessoa (ou seja, de cada quadrinho) é fechada e real em si mesma, podendo ser distinta (como a imagem desenhada o é) da do outro humano (ou quadrinho), mas que pode e deve se completar com cada uma das “verdades” de cada um dos quadrinhos seqüenciados que aparecem na página, na história, como um todo (e que representa, cada pessoa/quadrinho, uma verdade distinta coligada à verdade de todos. Aliás, o mesmo se pode pensar dos estilos distintos de desenhistas que perfazem uma HQ: são diferentes suas “verdades” de estilos, mas válidas, todas!). Por isso, a “verdade” não é uma só e nem inteira por si mesma, já que estamos todos juntos (e separados) completando um planeta, com as variações que temos em todas as áreas. Desta feita, ninguém possui a verdade per si completa, necessitando, ainda que não saiba ou não perceba, da outra verdade (do outro) e do outro e do outro, sucessivamente, perfazendo, tal qual uma página de HQ com os quadrinhos, as verdades, unidas se coadunando e deixando um entendimento mais amplo e rico (como numa história em quadrinhos inteira). E percebermos isso é o ponto-chave importante e essencial, dirimindo preconceitos e construindo um “quadro” (uma HQ, uma revista) rico e completo. Do contrário, cada quadrinho se pensará completo como uma única HQ, mas que não demonstra as “cenas” em conjunto, falhando como um todo e se pensando suficiente (mas não o sendo, a menos que seja lida a HQ inteira). O mesmo nas nossas vidas: todos vão se completando e tecendo uma teia mais complexa e rica em simultaneidade (assim também o sendo na pesquisa, confirmando como exemplo desta metaforização explanada, a valorização dos quadrinhos, que foi finalmente desenvolvida e agora apreciada em maior escala pela área acadêmica e social, graças a cada “verdade” de cada um dos que os pesquisaram e uniram seus entendimentos, dando uma forma ampla, complexa e inteligível a que todos pudessem perceber melhor a real qualidade das histórias em quadrinhos). O mesmo se pode aplicar à vida em geral. É isto!

Abraço e grato pela entrevista, na qual pude recompor minhas idéias e atualizá-las!
Se quiserem ver sobre minhas pesquisas e artes, basta entrarem neste link: http://tesegazy.blogspot.com/. Instagram: https://www.instagram.com/gazyandraus/ e facebook: https://www.facebook.com/gazy.andraus
E para contato: yzagandraus@gmail.com
Gazy, Goiânia-GO, início de maio de 2019.
Pesquisador e membro do Observatório de HQ (USP) e ASPAS - Associação dos Pesquisadores em arte Sequencial; INTERESPE-Interdisciplinaridade e Espiritualidade na Educação (PUC/SP) e Criação e Ciberarte (UFG). Autor de HQs e Fanzines de temático fantástico-filosóficas.



quarta-feira, 13 de março de 2019

JOSÉ ZINERMAN NOGUEIRA, O HOMEM ZINE



Por: Diego El Khouri

Mais uma entrevista  interessante nas páginas  desse blog: José Zinerman Nogueira, o homem zine. Desde os anos  70 produzindo conteúdo na cena underground.  Pioneiro, por exemplo,  em registrar a cena alternativa nacional através de seus vídeos gravados e lançados em vhs, antes mesmo do advento da internet . Fala aí, mr. Zine!!


*caricatura  feita  por  Diego El Khouri 

1) Como foi o seu primeiro contato com fanzines e de que forma começou  também  a produzir esse tipo de mídia alternativa?


Foi ainda nos idos de 1970 , quando nem conhecia o termo “Fanzine”. Havia nos próprios diretórios do colégio publicações do qual divulgavam informações dos próprios diretórios também chamados de “Jornalzinhos”. Então, tomando como exemplo, resolveria fazer os meus próprios na divulgação de música e quadrinhos do qual chamei de “Little Pig News” uma folha tamanho ofício, com desenhos, colagens e datilografado, trazendo as últimas novidades sobre as Bandas que ouvia na época e programas de TV e de rádio, e lançamentos. Isso foi por volta de 1975.
Em 1978 surgia a primeira publicação em formato ½ ofício, o PIRATA, omicro jornal do rock, trazendo informações sobre a cena musical do momento.
Em 1981 , surgia o “METAMORFOSE” boletim oficial do Raul Rock Clube , Fã Clube do Maluco Beleza Raul Seixas , do qual sou Co-Fundador junto com o amigo pessoal Sylvio Passos.
Em 1991/1992 , outra parceria , o Johnny B. Good
Zine , no formato ½ oficio , e com apenas cinco edições publicadas, de uma loja no centro de SP, do qual era bem eclético indo desde divulgação de Demo-Tapes, Hqs, Poesias, Literatura Beat, Zines e tudo que tivesse um bom astral poderia aparecer nas próprias paginas do fanzine, do qual deixou um grande marco para a época. Nesse mesmo tempo já estava se formando o pré embrião de uma outra publicação que marcou o Underground com suas 45 edições na divulgação nos mesmos moldes que o Johnny B. Good Zine.
No mesmo ano surgia outro avanço tecnológico o “DELIRIO AUDIO ZINE”, ( O PRIMEIRO REGISTRO VIVO DO UNDERGROUND), e uma grande sacada. Feito em fita k-7 e uma espécie de programa radiofônico , com divulgação de Bandas /Demo-Tapes, entrevistas com Fanzineiros , divulgação de lançamentos, e Zines, onde até podia ser ouvido num Walk Man andando de Bike. (A grande onda da época) resultando num total de 21 edições em áudio em fitas k-7 onde era distribuído em shows e gigs por onde eu ia , e para participar era só enviar material.



2) Como surgiu o Vídeo  Zine e como  era produzir  conteúdo em uma época antes da popularização da internet?

Então, em Agosto / 1999 surgia o ARQUIVO GERAL VIDEOZINE, hoje completando 20 anos de existência em prol do Underground, e o primeiro em parceria com a 2 Josés Produções com o amigo e zineiro José Salles. Com cinco volumes lançados e grandes entrevistas com fanzineiros, Poetas, Quadrinhistas, Shows e etc.
Com a saída da 2 José Produções dei continuidade ao projeto com novas parcerias, com o atual Arquivo Geral Videozine Vol 6 disponibilizado na página do Youtube. Para a época foi uma grande sacada e inovação para o Underground, foi um passo a mais, pois agora ao invés de som, tínhamos a imagem agregada e esse. Foi o grande no pioneirismo do Videozine no Underground Brazuca, a princípio feito em Vhs, mas já estou digitalizando todo esse material para o formato Dvd, para que todos possam ter acesso ao mesmo e conhecer um pouco mais da cena naquele momento e sua transição .
E uma grande satisfação pra mim , foi saber através do próprio Henrique Magalhães (Marca de Fantasia), que o próprio Arquivo Geral Videozine estava sendo utilizado como referência e suporte em suas aulas.


3) O fanzine impresso  ainda  resiste na cena underground.  Novas produções  surgem cada vez mais. A que  se deve esse fator do impresso  ainda se manter vivo em tempos virtuais?

Sim , o Fanzine impresso , ainda é o grande charme do Underground , e sempre fui a favor do Fanzine físico , pois possibilita nos uma transitoriedade muito maior que o digital. Você pode levá-lo consigo para onde desejar, enquanto o digital depende de uma série de coisas , como equipamentos, conexão , etc....




4) O que anda produzindo  ultimamente?

Sou um grande entusiasta das publicações independentes em todos os tempos, e as minhas últimas inovações estão aqui :

Momento Zine Flash – o primeiro flyer eletrônico do Underground , trazendo notícias da cena alternativa, dos materiais que recebo através de meu endereço postal. No Facebook ver José Zinerman Nogueira.
Zine Story – Registro das publicações undergrounds , e seu histórico com o apoio da Zine House , o mais completo arquivo das publicações independentes.
ZAP HALLUCINATION ZINE, outra grande inovação trazendo lançamentos e divulgação de Zines e de Bandas. Este no meu próprio whats.


5) O que te motiva a criar?

É uma grande paixão antiga, presente no meu dia a dia. Já incorporei os Fanzines na minha própria Vida. ZINE É VIDA, VIDA É ZINE , esse é o grande barato, você poder divulgar o que quiser, ser Free Totalmente , e isso não tem preço, na sua Liberdade de Expressão, essa é a grande sacada, entende .E os Zines estão aí a todo o vapor , sempre a frente mantendo a chama viva das publicações independentes.


6) Uma frase.

NA MINHA VEIA , NÃO CORREM SANGUE E SIM ZINES !!!!




7) Qual o papel que a cena underground tem hoje no Brasil?

Hoje com o cenário das redes sociais e encontros cada vez mais constantes isso é que fortalece e enriquece a cena na divulgação de novas publicações

8) Você, ao longo de sua jornada artística,  fez capas de zines e já participou  de várias publicações  de formas totalmente  diferentes.  Fale sobre essa sua multiplicidade  de produções  e como se dá essas participações  em zines de outros produtores de cultura alternativa. 


Já fiz de tudo um pouco que se possa imaginar no próprio Undergound indo desde : parcerias, ilustração , contribuições , roteiro para Hqs, participação em curta-metragens, organização de encontros de zines/palestras, poesias de várias vertentes, arte postal, videozines , audiozines, sem falar nos “Pitacos” das publicações sempre visto de um ângulo diferenciado dentro dessa bagagem zinística e é por isso que tenho estampado no próprio nome o ZINERMAN .

9)  Livro  de cabeceira. 

Literatura Beat em geral.



10) Fala o que quiser.  Mande seu recado. 

Agradeço imensamente pelo espaço cedido e oportunidade de poder colocar um pouco dessa experiência que acumulei através dos tempos e espero que possa ser um grande estímulo para os próximos iniciantes na arte impressa dos Fanzines , e um toque a todos: Nunca desista de seus sonhos, as dificuldades existem para todos, mas existem outras alternativas de se produzir com qualidade , é só colocar as idéias em práticas .
!




Contato: Cx.Postal 672 Cep 01031 970 SP SP

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

MIA LINZ E SUA JORNADA PELO PORNÔ

Por: Diego El Khouri

Dessa vez entrevistei mais uma renomada atriz brasileira de filmes pornográficos: a fabulosa Mia Linz. Vencedora de importantes prêmios, tive a honra de entrevistá-la e  conversamos sobre a indústria pornô, preconceito, desafios e curiosidades. Abaixo esse bate papo:





1) Como você chegou até a indústria pornô?


 Eu sempre fui consumidora do mercado adulto além de frequentar swing. Trabalhei como modelo e figuração até que conheci um sujeito que me levou para conhecer um diretor e sua produtora onde gravei uma cena por curiosidade e gostei.


2- Dentro da indústria pornô você procurou sempre diversificar sua atuação. Por exemplo, foi a primeira atriz a protagonizar uma cena de  tripla penetração. De onde você se inspira para quebrar esses tabus?

  Na verdade já gravei umas 3 ou 4 cenas que não se costuma gravar no brasil e isso chama muito atenção dos brasileiros porque nosso mercado ainda vive nos anos 90 e eu sempre fui consumidora e apreciadora do porno americano e europeu e tô sempre me atualizando.




3- Ainda existe preconceito com as atrizes pornôs? Quem sofre mais preconceito, as mulheres ou os homens?


 Esse papo de preconceito é algo "manjado" digo isso porque em toda profissão se sofre preconceito. É claro que existe, porém tem pessoas em profissões diferentes que sofrem muito mais preconceito da sociedade, ainda mais em países latinos.

4-  E na indústria pornô quem é mais valorizado: o homem ou a mulher?

  Acho que essa pergunta todo mundo sabe... a mulher né,  afinal quem vai receber mais assedio e todo tipo de falatório e fazer o papel de submissão é ela.



5- Você ganhou o prêmio de "rainha do anal" no reality show promovido pelas Brasileirinhas além de outras premiações como  o Sexy Hot. O que agrega esses prêmios em sua carreira e quais são suas próximas metas?

   Na verdade o premio é MISS BRASILEIRINHAS por vencer o reality. Essa história de "rainha do anal" foi algo que os próprios assinantes me chamavam assim, mas que ficou marcado quando o próprio Kid Bengala me chamou de "rainha do anal" após ter feito um anal ao vivo comigo. O premio sexy hot só consegui participar de uma categoria porque a produtora que deveria me inscrever não conseguiu me indicar a tempo, mas não me importei porque sei que essa premiação é muito burocrática e depende de 3 jurados técnicos que nem são do mundo pornô. Gostei mais do prêmio garota hard brasil 2018 porque além de dar a oportunidade de TODAS as atrizes do mercado participarem ele foi organizado por pessoas que são do pornô há anos e o publico quem decidia tudo. Minha meta agora, e sempre foi, o mercado europeu e já começo uma turnê em janeiro e logo depois o americano.


6- O orgasmo nas cenas dos filmes é real ou fictício? 

Eu sempre digo: o dia que eu precisar fingir em minhas cenas é sinal que já posso me aposentar e tentar outra carreira.

7- Normalmente as atrizes pornôs também trabalham como acompanhante e fazem shows. Você não costuma fazer nenhum tipo desses trabalhos. Por que essa opção?

  Para o brasileiro isso é normal, mas para o mercado gringo não. Lá fora eles dizem que se uma atriz pode ser acessível facilmente ao seu público como um agenciador vai vendê-la para grandes produtoras por mais? Claro que tem as que fazem porque precisam do dinheiro como muitas amigas atrizes que tenho. Mas aquelas que não fazem e são objeto de desejo do público vão valer muito mais e terão uma imagem de pornstar. Como não vivo do dinheiro do pornô porque já tenho a minha vida feita muito antes disso o meu foco é ser uma verdadeira pornstar dentro e fora do meu país e não uma garota de programa que grava pornô às vezes, então tenho que seguir os conselhos dos profissionais que por sinal estão dando muito certo e já inspira outras meninas é até atrizes veteranas do mercado.


 8- Qual a diferença do mercado gringo com o brasileiro?

Sem dúvidas a organização e a valorização, além de ter um órgão regulamentador (coisa que não existe no Brasil). O cachê é muito maior que qualquer outra produtora brasileira possa pagar. Você tem motorista, alimentação e hospedagem que são coisas comuns lá fora mesmo para um cena rápida e simples. O Brasil ainda precisa investir mais, tanto em produção como em artistas porque alguns     alguns produtores acham que ainda vivem no passado e não se atualizam.

9-  A cena mais difícil de realizar até hoje.


  Acho que ainda não tive, mesmo porque tudo o que faço no pornô já fazia anos antes no meu dia a dia. 



10. Fale o que quiser. Deixe seu recado.

  Me sigam nas minhas redes sociais instagram: @mialinz_ e twitter: @mialinz_oficial para acompanhar meu dia a dia e meus trabalhos e participem no meu blog onde falo da minha vida pessoal e de detalhes do porno que muita gente nem imagina no meu site  www.mialinz.com.

Att. Mia











sexta-feira, 24 de agosto de 2018

A CRÍTICA ÁCIDA DE REGIS TADEU

Por: Diego El Khouri

Mais uma entrevista nas páginas delirantes desse blog. O mergulho na cultura e na arte que perambula e se fixa na sociedade. Cada humano é um universo. Cada universo uma visão. Dessa vez Regis Tadeu foi o entrevistado desse blog. Regis é um baterista, crítico musical e apresentador de programas de rádio, além de um grande colecionador de discos e cds. Como baterista, Regis tocou nas bandas Muzak, Subúrbio (considerada o embrião da banda Ira!), Ness, Made in Brazil e Jacqueline.



1)  Você   tocou  nas  bandas Muzak, Subúrbio (considerada  o embrião da  banda Ira!), Made in Brazil e Jacqueline. Como  foi essa experiência e o que mudou, de forma mais evidente,   na indústria fonográfica de lá pra cá?

 As experiências foram sensacionais e ajudaram a moldar a personalidade musical multifacetada que carrego até os dias atuais. O Muzak acaba de voltar às atividades, inclusive, com o tio aqui novamente na bateria.
A mudança mais evidente foi o fim do monopólio das gravadoras na comercialização da música. Elas se tornaram meras distribuidoras, algo impensável décadas atrás. Em contrapartida, a maneira como o público passou a ouvir/consumir música piorou muito. Ninguém mais presta atenção a nada. As músicas simplesmente viraram “trilha sonora para alguma coisa que você esteja fazendo”...

2) Embora seja dentista de  formação, estreou,    a convite da revista Cover Guitar, como  jornalista  em 1994. Você costuma defender, em seu trabalho, a liberdade de expressão e a sinceridade e conhecimento por aquilo que se propõe a dizer. Como manter essa  personalidade contundente  em tempos tão reacionários como este em que vivemos ?


Muito fácil: basta não abaixar a cabeça perante o ‘bundamolismo’ reinante’ e sempre oferecer bons argumentos para embasar suas opiniões.

3) Você tem um discurso crítico  bastante ácido perante a música brasileira atual. Afirma que vivemos um emburrecimento cultural em todas as linguagens possíveis da arte. A que se deve esse declínio cultural? Acredita que é um processo consciente de sabotagem do ensino criado pelo poder que controla a política (os financiadores de campanhas, etc.) ? 

O declínio surgiu a partir do momento em que as escolas e faculdades diminuíram o grau de exigência para que os alunos fossem aprovados. Viraram “fabriquinhas de diplomas”, nas quais os alunos são tratados como “clientes/fregueses” e saem para o mercado de trabalho completamente despreparados em todos os sentidos, principalmente em termos de cultura. O termo “sabotagem” é muito forte, mas é inegável que um povo burro é mais facilmente manipulável por parte dos governantes, que é exatamente o momento que vivemos hoje... 



4) E hoje em dia? Alguma coisa  se salva na música atual? Poderia  citar exemplos de bandas e/ou músicos (as)?

Ao contrário do que a maioria das pessoas imagina, a música brasileira vive um momento muito rico, mas que permanece totalmente afastado das rádios convencionais e das TVs. Um povo burro tem preguiça em pesquisar. Logo...
Eu levaria semanas citando ótimos exemplos da música brasileira atual. Prefiro que acompanhem a série “Música brasileira vai mal? Você que pensa...” que retomei agora em meu Canal no YouTube - https://www.youtube.com/RegisTadeuOficial - depois de anos escrevendo a respeito disso no Yahoo.



5) A UNICAMP (Universidade  Estadual de Campinas) incluiu na lista de obra obrigatória,  a  partir  do vestibular de  2020,  o álbum Sobrevivendo no inferno, lançado em 1997, do grupo de  rap Racionais MC's. Atitude que rendeu muitos elogios e também severas críticas.  Qual  sua opinião a respeito?

Uma tremenda bobagem. O disco é ótimo e tem letras muito boas, mas dar a ele a importância de outras obras literárias deixadas de lado é uma afronta à inteligência. Certamente foi um tipo de jogada popularesca cujo motivo foge à minha compreensão...

6) Nos primórdios de sua existência,  qual disco (ou discos)  te levaram a ter  essa paixão  por música?

Alguns compactos dos Beatles – “Penny Lane”, “Strawberry Fields Forever”, entre outros – e o primeiro LP do Black Sabbath. Mudaram a minha vida para melhor...

7) O que acha dessas novas plataformas de música como spotify, deezer, etc.?

São importantes para os dias atuais para quem tem um desejo de conhecimento musical um pouco acima da média, mas se continuarem a “trabalhar no vermelho”, serão substituídas por outros formatos. Eu mesmo não uso nenhuma delas.

8) O que acha do  sertanejo  universitário?

Música medíocres com letras cretinas para um público imbecil.

9) E o funk carioca?

Músicas imbecis com letras pavorosas para um público retardado. 

10) Qual  preocupação  tem ao escrever um texto? Em algum  momento  pensa no  receptor?

Preocupação zero. Escrevo o que me der na telha a respeito de qualquer coisa que julgue pertinente em relação ao que eu penso e acredito.
Jamais penso no receptor. Se eu fizer isso, minha espontaneidade já estará comprometida. 


11) Epitáfio.

“Aqui jaz Regis Tadeu, totalmente contra a vontade”.