quinta-feira, 6 de abril de 2017

O ARTISTA SALVESS E O UNIVERSO RICO DA COLAGEM

Por: Diego El Khouri


Mais uma entrevista com um artista interessante a colorir essas páginas virtuais com cultura e poesia visual: Sidney Silveira (mais conhecido como Salvess), um grande expoente da técnica da colagem. Residente na cidade de Goiânia (GO) esse grande criador de imagem artística vem expondo seu trabalho no Brasil e exterior e sempre buscando o dialogo com o receptor. Vale a pena conhecer o universo onírico desse grande artista visual.




1) Você trabalha com a técnica da colagem desde 1997 numa linha consistente do  questionamento contemporâneo da sexualidade. Inclusive você define esse trabalho como poética-colagem. Nos fale como foi esse início e o que despertou a produzir arte,   suas influências no campo pictórico e artístico. 


Bom, a principio desde de pequeno na minha puberdade para a minha adolescência, eu sempre buscava entender tudo sobre o que acontecia ao meu redor, observava e sentia vibrações com um outro olhar, com percepções artísticas com questionamentos e com muita curiosidade de sentir com um bom senso o belo das coisas numa pintura, numa geometria arquitetônica de espaços e construções, nas paisagens e numa boa música. Em meados dos anos 80 cultivava muito o movimento underground ou indie-rock de bandas inglesas e americanas em mídias na Tv,nos Fanzines, nas trocas de cartas de bandas de rock nacional independentes e nas revistas especializadas diversas da música e cinema. Nas artes visuais personagens curiosos como Keith Haring e o incrível e polêmico Andy Warhol me despertava um olhar poético e anárquico social e pop sobre o questionamento e posições políticas da sexualidade humana com a arte, que foram a fonte para eu desenvolver uma contrapartida numa linha tênue com a pornografia-fetichista e com a poesia finalizada nas obras das minhas colagens, porém tempo adiante fui redescobrindo grandes mestres da História da arte e influentes como no inicio do movimento Cubista e da Colagem pelos mestres Paul Cézanne, Pablo Picaso e George Breque. Eu sentia uma necessidade nutritiva na busca de ser e fazer algo no meio das artes, e neste campo da colagem eu ouvia falar também de um artista goiano muito forte nesta técnica que é o João Colagem e neste período em meados dos anos 90 ele estava morando na Europa, mais precisamente em Rotterdam na Holanda. Em 2008 eu tive uma grande e imensurável oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, daí adiante nos tornamos grandes amigos e ele meu grande mestre influente. Com o valor do meu trabalho reconhecido por ele, o João Colagem me fez um convite para participar da minha primeira exposição numa mostra coletiva internacional que ele organizou com uma equipe de produtores e galeristas em Rotterdam/Holanda para a 1ª mostra internacional de arte da colagem ( https//:www.maandvandecollage.com ) em 2010, para essa mostra importantíssima foram também convidados outros artistas goianos, paulistas e brasilienses, dentre outros de vários países do mundo.


2) De que forma o mundo ao redor te inspira a criar e como se dá esse diálogo com o público?

A problemática social e do indivíduo na sua ambiguidade desde o inicio da civilização humana houve conflitos pertinentes permeados por leis, por religião, e por preconceitos que permeiam até hoje em pleno século XXI por incrível possa parecer, e nesse sentido construo diálogos no simbolismo sexual (fantasias, objetos, sentimentos, político e humanismo). Nessa plataforma artística venho mostrando em exposições Coletivas, individual e participativas em projetos culturais de intervenção urbana, o público em geral tem visto com bons olhos na minha poética inserida em meus trabalhos e com tudo isso todos saem ganhando na cultura e na evolução de percepções.



3) Como você vê a cena cultural em Goiânia?

É curioso hoje vendo como era alguns anos atrás a dita cena cultural de Goiânia, como eu tinha dito que desde cedo em minhas percepções e curiosidades de quase tudo do que acontecia ao meu redor, percebia que nas artes era muito forte e meio que glamorioso apesar das comuns dificuldades, porém existia sim uma certa cena que promoviam novos valores e abasteciam o mercado com mais vigor além do salões e concursos de artes promovidos por entidades privadas e galerias importantíssimas pioneiras que existiram. Hoje está tudo reformulado e mais enxuto. Digo: poucas galerias, porém sobreviventes. Acho que também tem o lance da sombra que permeia ainda o conceito cômodo da globalização e da concepção que se põem quase obrigatória do Estado fomentar a cultura(...), pois acredito que a cultura pode também sobreviver por outros meios como na COLETIVIDADE e PARCERIAS PRIVADAS. Mas hoje, se percebe na resistência e mudanças de conceitos, a cena tá muito atraente e diversificada, e se encontra num estado ativo e paradoxo porém existem secções bem definidas e sobreviventes que fazem arte bem organizada e rica, como na MÚSICA (Rock-Indie; Hip-Hop; Erudito e Sertanejo), no TEATRO (riquíssimo), COMPANHIA DE DANÇAS e nas ARTES-VISUAIS (Grupos de Artes; o Grafite/hip hop/dança; Cinema/curtas/ambiental).



4) Você diz que o artista visual precisa  do trabalho focado em ateliê e pesquisa, estudo e aprimoramento. Além  do estudo sistemático das formas, idéias, que ampliam conhecimentos e aumentam as ferramentas para o labiríntico ofício da criação, qual outra dica você daria pra quem está adentrando no mundo das artes visuais?

Bom sou formado em uma área que nada tem a ver com as artes (Ciências Contábeis), e nas artes-visuais sou autodidata. Até chegar a dedicar em tempo maior para a tal qual deixei a anos o ofício da contabilidade para dedicar somente nas artes, isso porém concílio em períodos mínimo de 2 vezes por semana num trabalho paralelo para poder sustentar o sonho do novo ofício. Sabe se que hoje poucos artistas conseguem sobreviver somente da arte, nesse sentido de compromisso o artista, penso eu, é essencialmente necessário o seu comprometimento com uma estrutura em que ele possa trabalhar afinco em suas pesquisas e experiências e nisso numa questão de identidade que gera um valor muito rico para o artista, às vezes é confuso falar sobre isso, na legitimidade da busca da identidade artística pois na História da arte quase tudo foi feito e de repente o que é novo é tão somente um reflexo do que já foi feito, porém se o artista procura um foco sério nos exercícios e pesquisas é o ateliê que vai dar a maior oportunidade dele desenvolver uma possível e forte identidade e para em seguida nas mostras também. E o tempo será a sua verdade com o seu compromisso sincero com a sua arte. Uma dica que eu possa dar, e já pedindo licença para quem quiser seguir, é que o mediatismo de resultados de suas obras e na carreira na maioria das vezes são facas poéticas de dois gumes mortais e egocêntricos do individuo, é como num jogo da vida o mínimo é tudo e o tempo é mais! O ser envelhece mais e a boa arte rejuvenesce eternamente.


5) Você já trabalhou ou tentou trabalhar com outras técnicas, assim como outros materiais e tendências como escultura e outros?

Sim, busco numa melhor veracidade expressar em novas frentes em matéria prima e concepções em outras técnicas fundidas com a colagem, como na fotografia em colagem-digital, na colagem sobre telas, na instalação-colagem ou na intervenção pública pictórico sensorial do grafite/colagem num diálogo geométricos art deco que de forma natural é uma fonte inspiradora em minha cidade natal Goiânia/GO, conhecida como referência rica em monumentos arquitetônicos desse conceito art deco. Deixo a frisar também uma outra forma de trabalho é a ciência da coletividade; esse conceito por intermédio do João Colagem construí uma transição de pesquisas em meus trabalhos me permitindo também a conviver com outros artistas no período de 2010, 2011, 2012 e 2016. Tive ímpares participações coletivas e em grupos de arte. Em 2015 fiz uma individual sobre esse conceito da coletividade que eu participei, com registros e obras (resumidas) para a exposição "résumé" no espaço Vila Cultural Cora Coralina em Goiânia/GO.


6) De que forma a cultura de massa e o constante apelo midiático pelo consumo se vêem refletidos nas expressões artísticas contemporâneas? E como trabalhar dentro desse contexto?

Uma das mudanças mais radicais é o ponto favorável da dita new-globalização, digo deste século vigente (XXI). O balanço POSITIVO & NEGATIVO da mídia atual, positivo pela forma de chegar mais rápido e próximo a quem quiser fazer e cultivar plataformas diversas de diálogos e o negativo (paradoxo) é da super exposição, o imediatismo que ora perturba e desgasta valores. Diante de tudo isso com certeza a mídia de hoje é bem mais eficaz e transformadora e para as artes é uma ferramenta ímpar. Se bem administrada, ambos saem ganhando, digo o público, a obra e o artista.


7) Uma frase.



Vida e arte dois elementos de espírito eterno!

8) Uma grande imprudência praticada.

Não sei, talvez por morar ainda com os meus pais até hoje acredita!? mas isso tem uma explicação lógica e econômica, posso te garantir. rsssssss...


9) Continuar ainda acreditando nas artes visuais?

Sim lógico, e não é uma escolha e sim uma nescessidade espiritual de continuar viver e morrer! 


10) Próximos passos.

Trabalhar e muito com o universo da poética colagem! 




terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

NONATTO COELHO — 30 ANOS DEDICADO ÀS ARTES VISUAIS

Por: Diego El Khouri

30 anos dedicados exclusivamente ao fazer artístico. Um "aventureiro metafísico" que atravessou mares e cidades levando consigo as  cores intensas da "poesia das imagens". Por onde andou marcou as  pessoas de alguma forma devido seu trabalho pictórico. Nonatto Coelho é com certeza um dos grandes artistas plásticos que o Brasil produziu. E o mundo recebe de braços abertos  esse artista devotado, reflexivo  e por vezes até polêmico. Abaixo a entrevista que fiz com esse grande artista:



Foto: Marcos Lobo

1) Como foi seu início na pintura e quais eram suas influências no início de sua carreira?


Na realidade, eu começo a cada dia o meu trabalho pictórico como um eterno recomeço. Restauro minhas cores a cada manhã, ou madrugadas (já que costumo levantar de madrugada para trabalhar) nesses mais de 30 anos dedicado com exclusividade ao “metier artistic”. Portanto, parece até frase de efeito, mas ainda me sinto um iniciante sempre que vou para a frente de uma tela no cavalete. Mas, respondendo a sua pergunta, no início, já no crepúsculo da adolescência vi um trabalho de um pintor vizinho de bairro na cidade de Inhumas, o Dipaiva e me encantei com suas cores exuberantes e o brilho que a tinta à óleo proporciona. Até o cheiro da tinta nesse primeiro contato com a pintura, colou no meu olfato, e esse odor da tinta à óleo é capaz de despertar em mim o desejo de pintar, aquele mesmo desejo primário ao ter meu primeiro contato com uma pintura à óleo desse artista\pintor que relato.

Depois, já morando no bairro Capuava de Goiânia, frequentava esporadicamente o curso livre do Instituto de Artes da UFG, que na época se situava na Praça Universitária, e assistindo a uma palestra de um crítico de arte de São Paulo, fiquei encantado com as imagens que foram projetadas sobre a obra científica do artista Holandês M C Escher. E daí em diante ele se tornou uma referência na minha obra, que perdura até hoje.
*Foto: Mauro Lima


2) você certa vez disse que "o que determinou sua dialética pictórica, de maneira impactante, foi a sua participação (no ano 1981) em uma palestra ministrada por um crítico de arte de São Paulo, no Instituto de Arte da Universidade Federal de Goiás." Ficou impressionado, estarrecido com a "sofisticação e cientificismo" do Holandêz M. C. Escher. A partir de então fez com que você direcionasse sua poética. De que forma exatamente foi esse impacto e quais suas preocupações ao criar uma obra de arte?

Pois sim, como já disse, depois dessa avassaladora visão que tive da obra de Escher, um trabalho tão arrojado que esse artista universal criou, que não tem parâmetros antes ou depois dele, algo que não se enquadra em nenhuma escola, direcionou minha pintura; Escher é único, singular. Uma obra que cria gostosas “armadilhas para a visão”, com um rigor matemático genial... Assim eu segui uma pálida interpretação `a meu modo da obra desse mestre, mas de maneira orgânica e visceral, sem aquela fórmula científica e rigorosa do gênio holandês, é logico. Não sou dado à matemática, embora eu sei ver a matemática em tudo que permeia a vida e a natureza.

Eu sou daqueles que acham que, não importa onde você quer chegar, em se tratando de expressão da arte, você deve partir de uma ideia, um ponto de vista; a sua chegada à um patamar expressivo seja ele abstrato, figurativo, para visual, ou seja lá o que for, aí é outra história, deve acontecer pela ótica da emoção. A obra cria vida e caminho conceitual independente desse “ponto de partida”, e comunica de acordo com o universo de quem tem contato com esse objeto. Intelecto não cria arte, ela, a arte vem de outros departamentos que passa primeiro pela intuição, e o espectador analista não tem o mesmo prazer estético como o sentimental. Georges Braque, o pintor e escultor francês, que fundou o cubismo juntamente com Pablo Picasso dizia que “o saber mata a intuição”, e esse segundo elemento é imprescindível para a gênese da arte. E para decifrar essa linguagem com mais proveito tem que se apaixonar por ela, como por qualquer outra coisa que valha a pena ser vivida intensamente.




3) Quando cria em algum momento pensa no receptor?

Essa é uma pergunta que ao responder pode ser entendida como insolência, mas nunca realizei uma obra artística pensando senão no meu prazer pessoal. Nunca pintei por encomenda expressa, por achar que “encomenda” de um “tipo” de trabalho, é muito complicado. Entender a visão, a ideia que uma  pessoa possa querer projetar na sua maneira criativa é inconcebível no meu modo de pensar, e quase sempre a pessoa que encomenda uma obra temática à um demiurgo, se decepciona com a incompatibilidade de visão que naturalmente ocorre entre ambos, é natural...; muitos artistas ao longo da história  padeceram por serem irredutíveis, e não submetendo sua obra ao gosto do público na construção de sua “dialética” estética, porque a rigor  é incompatível de haver esse entendimento claro entre as partes interessadas nessa ideia, antes do objeto do desejo existir, o único responsável por essa concepção estética deve ser o artista em primeira pessoa; um caso clássico da História da Arte nesse senso, é a conhecida renitência de Rembrandt (aliás uma santa renitência que fez padecer o homem, mas que sobreviveu uma obra soberba através do tempo) que relutou em submeter se ao gosto de seus espectadores, principalmente aos que lhe encomendavam retratos, mas não se viam retratados pela ótica genial do  artista. Tem um grande artista grego de nome Dimitre Mitarás , que numa conversa informal com uma pessoa na universidade de arte de Atenas onde ele é professor, ouvi ele dizer que não mais aceitaria encomendas de retratos, pois o retratado invariavelmente não se reconhecia nas suas pinturas. E acho exatamente assim, o receptor de seu trabalho, seja ele no comércio direto, ou como um simples espectador, deve saber ver, ou gostar, entretanto depois que você o concebeu a sua arte. Sua visão deve ser autônoma, isenta e soberana em detrimento de quem quer que seja esse espectador depois da sua pessoa, a criação logicamente é sua, e não pode ser o contrário.



Foto: Mauro Lima


4) Em 1985 o  artista Armando Sendin apelidou de "Grupo Goiás" o grupo formado por Dipaiva, Luiz Mauro, Dijodio e Nonatto. Nos anos oitenta houve uma efervescência grande no mundo das artes plásticas que se esfriou em meados dos anos noventa. A que se deve esse fator?

Passei todos os anos da década de 90 fora do Brasil, em detrimento de um prêmio que ganhei numa bienal de arte em Goiás, mas imagino que toda a expectativa gerada nos anos 80,  que foi uma década que apenas se libertava de um regime ditatorial ,e teve um momento de euforia “renascentista” interessante de se ver nessa complexa nação gigantesca,  mas  que se estiou em uma década de 90 plena de “ejaculações precoces”, de imediatismos e rompantes tipicamente de imaturidades da nossa sociedade, que refletiu inevitavelmente na nossa produção cultural como um todo, não podia ser diferente...Salvos algumas exceções de artistas que mantiveram a tenacidade e dinâmica estética (pessoas conscientes que mesmo atuando localmente, tem suas obras que comungam com o que há de boa transição e intercâmbio cultural em qualquer dos hemisférios ou tempo que eles habitam), mas que,  em minha opinião, houve a praga, o fenômeno do comércio epidérmico, o mercado é um perigo para o artista, um dos poucos artistas que sobreviveu e até dominou esse mercado sem se sucumbir, foi Picasso..., e nesse mesmo saco de emoções mercadológico, vem também o inevitável  hedonismo narcisístico, nivelando tudo por baixo, assoreando a fertilidade artística do país, talvez efeito de uma globalização imposta ao contrário e de uma sociedade imatura;  e  confundiu-se arte com arte entretenimento...No entanto, como um incorrigível otimista, eu acredito que a boa arte sobrevive em qualquer latitude, ela vai sempre resistir, mesmo ao capital. A volatilidade da vida gira e esse momento deve ser um instante efêmero, porque a vida como uma onda vem e vai, pode demorar, mas tudo recicla. É nessas vagas, nesses limbos estéticos, que surgem “perfumarias” travestidas de arte como um Romero Brito da vida, confundindo a plebe, escrava de tiranias massacrantes, do tipo que vem de Hollywood ou da vênus Platinada. “Tá ligado”?  Risos.

 Nos anos 90 houve, em meu ver, o fenômeno do “Madamismo” na arte; um neologismo que criei, mas que merece um capítulo à parte em explicações, no qual ainda estou estudando para tentar compreender. Mas, em minha opinião houve uma voga, protagonizada por “madames” bem-sucedidas que arrebataram os pincéis e criaram clubes dos “chás pictóricos”, alegres e festivas, endinheiradas, viajam o mundo realizando exposições para elas mesmas, estéreis de sentido artístico. Nada contra, elas estão pagando...
 Na outra extremidade, o hermetismo da arte dita “contemporânea” (aliás, isso não é um ISMO como muitos imaginam), na qual, com tantas peripécias e sofismas acabou por afastar a plebe, já incautas de pai e mãe, dos ambientes das galerias. Talvez deixaram de tentar entender o que tem de tão simples (ou complexo?) na arte à deriva de portos, nesse momento em que vivemos..  Mas, está tudo bem, sem dramas abissais, afinal arte sempre esteve além da compreensão das massas.



Foto:Mauro Lima


5) Fale do grupo "pincel Atômico", membros e  a importância histórica na introdução do grafite no mundo das artes em Goiás.


O Grafite urbano em Goiás tem suas gênesis, como consciência do Street Art, na sua concepção underground, na cidade de Inhumas; o fato é que, depois que encontrei com o introdutor dessa arte no Brasil, o Alex Vallauri em uma exposição do Siron Franco na Galeria São Paulo em Sampa, pouco antes da morte do Alex em 1987,  falei com ele sobre a admiração que eu tenho pelo trabalho dele, e  ele me incentivou a “fazer” Grafite em Goiás. Ao retornar para Inhumas, no dia seguinte, entusiasmado por ter encontrado com o famoso grafiteiro, chamei o “Grupo Goiás”, composto pelos meus colegas Dipaiva, Dijodio e Luiz Mauro (tínhamos na época um atelier em comum na praça Santana de Inhumas), e saímos carimbando figuras lúdicas nos muros da cidade. Depois dessas interferências urbanas de Inhumas, eu já era amigo de Edney Antunes, que no ano de 1988, com o episódio do acidente nuclear na cidade de Goiânia, ele me convidou para que formássemos o grupo “Pincel Atômico”, no qual fizemos muitas interferências urbanas tanto na capital Goiânia, como Anápolis, Inhumas, São Paulo e Uberaba. Depois em 1999 com o Prêmio de Viagem à Paris que ganhei na Bienal de Goiás,  realizei uma campanha de “grafite despedida” nas ruas de Inhumas que dizia “O Nonatto vai embora pra Passárgada, lá ele é amigo do Rei”, e viajei;  dissolvendo o grupo Pincel Atômico por força dessa circunstância; mas continuei a grafitar no velho continente, onde grafitei na ilha de Rhodes e Atenas (fiz uma apresentação para um importante programa de televisão da Grécia denominado “Proinôs Café” (traduz se “Café da Manhã”), para a famosa apresentadora helênica Roula Coromilá). Depois fui para Israel e continuei grafitando, inclusive um mural em um viaduto do deserto de Negev daquele país, em tributo ao Vídeo artista Bruce Nauman (no qual muito me impressionou de ver seu trabalho na Documenta de Kassel na Alemanha), e também grafitei na cidade de Jerusalém onde passei uma temporada.

Um amigo grego da Ilha de Rhodes me disse que tem uma foto de um grafite meu, (uma figura de uma baratinha que grafitei tanto em cidades do Brasil como em cidades da Grécia), em um museu de arte daquela importante ilha Grega. Fiquei contente em saber disso. Acho que fui o pioneiro do grafite naquelas paragens também. Hoje o Grafite é moda no mundo inteiro, inclusive aqui em Goiás. 
Foto: Mauro Lima


6) No ano de 1990, na Bienal de Goiás, os críticos Marcio Doctors, Ligia Canongia e o marchand Jacob Klintowits, lhe conferem o prêmio viagem a Paris, como reconhecimento ao mérito de seu trabalho.  Como foi essa sua primeira experiência fora do país?


Foi uma aventura tipicamente de quem mergulha em um universo completamente desconhecido do ponto de vista geográfico, no entanto eu já estudava a história do velho e fascinante continente Europeu através da ótica da História da Arte e fui ao encontro de meus mitos e minhas lendas artísticas. De Paris eu fui para a Grécia, onde eu tinha uma indicação de meu amigo Grego radicado na cidade de Goianira, o artista Papas Stefanos, que indicou sua família que ainda mora por lá. Assim acolhido por Georgios Papastefanos também um artista pintor residente de Rhodes, passei uma temporada nessa maravilhosa  ilha, depois fui para Atenas, passava temporadas em Israel, Egito, Itália, mas sempre retornava para a ensolarada Grécia, onde passei mais de uma década. Isso para mim foi revelador de alguns aspectos que distanciam a cultura brasileira, de costumes e cultura do velho mundo.  



7) E como foram os anos que morou na Grécia, berço da civilização?


Mesmo antes dessa viagem pelas terras Helênicas eu já usava alguns símbolos ligado a cultura dessa magnifica região em minhas composições pictóricas. Depois de ver e vivenciar aquele ensolarado arquipélago quase metafisico, me realizei do quanto todos nós fomos inoculados pelo profundo conhecimento daquela civilização mediterrânea, desde a construção física onde habitamos, passando pela língua, no qual as palavras mais polissêmicas de nosso léxico vêm do Grego, e até nossa mística espiritual é ligada em um canal transmitido desses povos maravilhosos...Eu que me encantei com o construtivismo lírico nos trabalhos da artista portuguesa Maria Vieira, fui entender melhor sua composição ao ver de perto a arquitetura popular da Grécia atual, principalmente das típicas arquiteturas das ilhas gregas. Enfim a luz, o modo de vida e o humor dos povos mediterrâneos, arrebatou meu espirito, e me deixou em estado de graça. 




8) Você trabalha muito com séries. Qual o motivo de trabalhar com o mesmo tema e levá-lo para outros níveis de entendimento e visão? 


Talvez pelo fato de que não sou uma pessoa criativa, me considero muito previsível e com tendência a racionalizar na medida de meu alcance, tudo que vou realizar; assim, planejo viver ainda muito tempo sem me distanciar do ato de pintar e planejo minha arte de 10 em 10 anos: Cada dez anos eu trabalho e uma fase, mesmo que revisitada como é o caso dos Híbridos\Anfíbios, uma fase revisitada da minha primeira juventude e que essa fase pictórica durou exatamente 10 anos; da mesma forma foi a fase que denominei de Antropomorfia, que comecei a desenvolver ainda na Grécia e antecedeu aos anfíbios dessa série que citei. De maneira que em mais de 30 anos de trabalho, agora me encontro em minha  fase pictórica na série que faço uma simbiose entre os anfíbios e rostos humanos - denominei de “prosopografias”- no qual tenho tomado “emprestado” imagem de rostos de artistas goianos, pelo qual deverá ser impressa em um livro denominada ICONOGRAFIAS POÈTICAS, com a introdução de poesia biografando a personagem retratada por mim, na visão muito poética da escritora  Nádia Pires.





09)  As artes cada vez mais estão sendo deixada de lados nas escolas públicas do país. Por que os governos temem tanto uma sociedade culta e reflexiva?


Acho isso lastimável. Arte tem a capacidade de edificar, nutrir e restaurar nossas dinâmicas corroídas nos desafios que o dia a dia da vida possa nos infligir, e seu destino maior talvez seja fornecer nutrientes para nossas almas. Eu sinto que a arte, assim como a religião, tem um papel essencial com efetividade no lado espiritual do ser humano. Arte e Educação devem estar associadas no dia a dia das escolas, sob pena de faltar algo para a sedimentação cultural se o aluno distanciar dessa disciplina. Na nossa sociedade brasileira não temos o costume da arte como em outras nações desenvolvidas, que prezam por uma educação de fato mais efetiva na formação do indivíduo. Para ilustrar um exemplo de anemia no ensino relativo à arte nos nossos compêndios escolares, basta observarmos a própria semana de 22, que apesar de ter sido uma tentativa compulsória de nos introduzir arte moderna nas nossas artérias nacionais, no entanto ainda é tratada de maneira epidérmica, pálida, pouquíssimo assimilada na nossa cultura escolar. Depois, temos uma Bienal de São Paulo, exposição que, mesmo despertando eventuais polêmicas de seu caráter de ordem impostora de estéticas alienígenas à nossa realidade, ainda é uma das maiores exposições de arte visual do mundo, mas a grande maioria dos estudantes do país desconhece..., temos um dos mais importantes museus de arte das américas que que é o MASP em São Paulo, e nossos alunos na sua imensa maioria desconhecem também esses fatos. O problema da educação no nosso país é crônico, e uma reforma que deixaria de lado o ensino da arte nas escolas, como tentou se implantar no governo atual é preocupante para um país que aspira ser uma nação desenvolvida.





10) Você é o presidente da AGAV (Associação Goiana de Artes Visuais) pela segunda vez. Quais foram as conquistas até agora e o que mais pretende fazer nesse ano em prol das artes?


Sou uma pessoa que gosto de desafios, e estar na presidência da AGAV é estimulante por vários motivos, mas imagino que o mais prazeroso nesse caso é que o universo da arte é indissociável de meu dia adia desde a minha primeira juventude sem esperar nada em troca a não ser meu prazer pessoal. Nunca fiz nada na vida longe do “metier” da arte, e faço para a AGAV de maneira voluntária, sem rendimentos de ordem pecuniárias, no entanto com renovado entusiasmo a cada dia. 

A AGAV está dando os seus primeiros passos: foi fundada em 2006 e registrada como uma instituição com CNPJ em 2009, mas ganhamos dinâmicas a cada dia. Temos um pessoal apaixonado, no qual muito me dá alegria de estar com eles. Já temos uma sequência de atuações sócio\culturais de relevante importância na história desse estado rico e diversificado de cultura.
Realizamos muitos projetos de efetividade artística não só no estado, mas até fora do país, e no momento estamos envoltos com um vigoroso projeto denominado de O NOVO GRITO, que de maneira lúdica e incisiva, marcamos a história da instituição com um protesto iconográfico sobre o que pensamos do mundo na atualidade com tantos paradoxos e antagonismos de ordem político\ social.
Temos projetos de desenvolver salões de arte não só na capital, mas também no interior. Vamos desenvolver oficinas em locais públicos direcionados à população em geral, etc.





quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A VOZ INTENSA E MELODIOSA DA CATARINA CRYSTAL BLUES

Por: Diego EL Khouri


Batendo um papo com a intérprete Catarina Crystal. Catarina é uma grande cantora que ilumina as ruas, restaurantes e teatros do Rio de Janeiro com sua voz potente, atitude intensa e dando uma cara nova para as músicas que interpreta. Fiquem atentos nessa cantora que ela vai dar o que falar.


Aqui vocês podem ouví-la cantar: https://soundcloud.com/catarina-crystal



1) Pra começo de conversa, como começou na música, quais eram suas influências no início e hoje em dia o que tem ouvido?

Aos 9 anos de idade já dava índices de que poderia cantar.
Desde muito pequena era a única filha que sentava ao lado de seu pai para ouvir seus discos preferidos.
A música sempre foi a saída para todos os meus problemas desde a infância...
todos eles acabavam no momento em que tocava uma canção!
Dos 9 aos 14 anos fiquei em um convento de clausura (convento das carmelitas) PR,   que apesar da ausência do mundo lá fora,criei eu mesma um mundo dentro daquele lugar. Mesmo assim a música sempre esteve  presente. Mesmo que em couros e louvores meu prazer era fazer de cada palavra que saía de minha boca uma melodia.
   Com 15 anos ainda muito que intensamente vivendo aquele mundinho restrito...
me deparei com o mundo que havia fora e ao mesmo tempo dentro de mim.
 Foi quando surgiu a minha primeira e verdadeira influência na música (Janis Joplin).
 De janis pra cá só venho ampliando meu conhecimento musical, conhecendo o trabalho a fundo de varias cantoras feras como:
Ella Fitzgerald,Elis Regina,Leila Pinheiro,Fátima Guedes,Edith Piaf,Etta James,Amy winehouse etc.



2) Como é a cena de Curitiba (sua terra natal) e a do Rio de Janeiro (sua atual moradia)?

Curitiba a cultura musical é muito rica...mas o mais forte é o rock roll, 
tanto que cheguei no RJ com o mínimo de mpbe aí chegando aqui fui aprendendo toda a  nossa riqueza musical brasileira, então meu repertório foi aumentando...
-Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Mutantes,Novos baianos etc... Ou seja, vir para o RJ só somou na minha vida. Não cantava samba, até porque o carnaval de Curitiba é o bloco do zumbi (terror) que alias eu amo também, mas acabei sendo tomada pelo sangue Pátria que estava sufocado dentro de mim!Por fim...salve! alcione, clementina de jesus, paulinho da viola, Jards macalé, martinho da villa, lenini etc... 



3) Como é ser artista em um país que não investe na cultura e educação?

É deixar de cantar com a técnica para cantar com a alma... porque é na dificuldade que seu dom aflora. Ex: jogadores de futebol. Quando  não havia fortes investimentos é que nasceram os melhores! (mané garrincha,milton santos, pelé (quando começou)  todos jogavam com a alma e davam tudo de si.. Então eu sinto muito prazer quando sento em uma mesa de restaurante, janto e pago com o dinheiro que ganhei cantando com alma para as pessoas ( do mendigo ao doutor).


4) Você é uma artista que transita entre o teatro e as ruas. Qual a diferença de  se apresentar nesses dois espaços totalmente diferentes?

A satisfação são em ambos lugares. A diferença é que o teatro é um palco limitado e a rua é um palco sem fim.





5) Em seu repertório você passa pela Amy Winehouse , Edith Piaf, Janis Joplin e Elis Regina. De que forma essas grandes cantores  influenciam seu trabalho e como colocar a marca da sua arte nas canções de cantoras tão conhecidas?

Me perfumando com a essência de cada uma delas...
Vivenciando em uma música todas as suas experiências.

Profundo...tão profundo quando a música termina. Só me lembro do que fiz, quando um admirador grava o vídeo  e me mostra ....rsrsr

6) Como anda a parceria musical entre você e Edu Planchêz, poeta e vocalista da banda de rock n'roll Blake Rimbaud?

o poeta e cantor vocalista da banda blake rimbaud (Edu Planchez) aflorador de sonhos reprimidos e a positividade em vida... caminha e agita, opina e determina porque acha que tudo é possível... Nos apresentamos em alguns momentos do concerto nas ruas com muita irreverência e criatividade. Ele tem sido o meu mentor e abriu meus olhos para o grande arsenal da cultura musical brasileira me ensinando a fundo, desde a raiz, a ponta das folhos ( e os sobreviventes iluminados da arte que ainda estão entre nós).




7) Livro de cabeceira.

Poemas de Bertold Brecht e farpas e fagulhas (Brasil Barreto), Papik (o menino que nasceu na neve (de Rosa Kapila) e uma temporada no inferno ( Arthur Rimbaud).



8) Um filme.


 A menina que roubava livros e Théo e Vicent ( Van Gogh)


9) Próximos Passos.

Próximo passo:
    Acredite
    você quer
    você pode
    você conseguiu

qual é o próximo passo?


10 Onde encontrar seu trabalho?


  
Você pode me contactar nesses endereços:

(21) 3412-66-40
(21) 97964-00-11
(21) 98081-13-14

cassycrystal@hotmail.com  / fan page catarina cristal




terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

VINNY GRIN, O ARTISTA DAS MÚLTIPLAS CORES

Por: Diego El Khouri

Mais uma entrevista bacana afim de devassar a cultura de nosso país. Essa é a vez do do artista plástico Vinny Grin dar seu recado. Artista de São Bernado do Campo (SP) e que tem um trabalho bem bacana no mundo pictórico.


1) Como é seu processo de criação?

Tenho um processo de criação oriundo da minha história religiosa no passado, ou seja, sempre me conecto de formas diversas a um plano espiritual que me orienta naquilo que devo pintar, as cores que devo usar e qual objetivo a arte se destina. E tem vezes que o meu processo de criação se dá como um remédio ora doce, ora amargo para simplesmente concluir um objetivo... uma espécie de lição de casa que tenho que fazer para entregar para a professora no dia seguinte (risos) 

2) Como foi seu início nas artes? Houve apoio da sua família? Se lembra da primeira tela que pintou?

Meu início nas artes acho que foi como a grande maioria, nas extintas aulas de educação artística lá nos meados dos anos de 1980... mas falando sério, a arte em si começou em minha vida como forma de cura psicológica que me atormentou logo após eu fechar um terreiro de umbanda no qual eu era o dirigente espiritual na época (é uma estória bem longa, conto em outra oportunidade). Minha família se resume somente em minha esposa, sim , ela sempre me apoiou em tudo que faço. A minha primeira arte foi uma mandala de 50cm pintada sobre MDF, tenho ela até hoje... bem mal feita.. (risos). Depois passei a tecer mandalas com fio de lã, pintei muitas outras mandalas e artes diversas em vidro (vendi todas) e hoje me dedico tão somente as telas.


3) Como é a cena cultural em São Bernado do Campo (SP)? Existe incentivo e espaços para mostrar seu trabalho para o grande  público?

Acredito que a cena cultural em minha cidade reflete a cena cultural de muitas outras, ou seja, se você for famoso e tem influências no cenário você terá todas as portas abertas, caso contrário, você será apenas mais um grão de areia no oceano, infelizmente!

4) O que pretende transmitir com sua arte (se é que queira transmitir algo)?

Na minha arte eu procuro transmitir alegria através da combinação de cores estrategicamente colocadas em seu devido lugar na tela que está sendo criada e pintada, ou seja, cada cor tem a sua energia, o seu poder e o seu devido lugar para que o mental / espiritual de quem a vê seja ativado. Pode-se dizer de forma leiga e sem aprofundar no assunto, que as minhas telas passeiam pelos campos da "decoração".   


5) A arte transmite o conceito de uma sociedade. Como enxerga a contemporaneidade e o país onde vive? 

Percebo que a sociedade mudou muito, e não poderia ser diferente. Evoluímos socialmente, adquirimos novos conhecimentos, rompemos barreiras, paradigmas, dogmas. Vejamos, antigamente, séculos passados, a arte sobre tela era a fotografia dos tempos atuais onde pintava-se apenas pessoas, tipo retrato ou foto de alguém ou grupo de pessoas. Hoje pinta-se qualquer coisa e tudo tornou-se arte, tudo é permitido, tem público para todos! Mas aqui no Brasil a arte sobre tela ainda é taxada como algo de gente rica. Muitos acham que artistas plásticos são ricos e quem compra uma arte é rico, mas todos esquecem que em todos os lares dos 4 cantos de nosso país sempre há pelo menos um quadro, seja ele uma plotagem de uma arte comprada em supermercados ou uma tela realmente pintada a mão. No Brasil não há incentivo para o artista de rua, para pintores amadores, para o "zé das couves" que rala o dia inteiro em seu emprego chato pra cassete e a noite pinta lindamente suas telas sem nunca ter estudado arte. O Brasil precisa mudar e rever seus conceitos de arte popular, pois adolescentes simulando sexo ao som de músicas de gosto duvidoso ao meu ver não é arte e sim incentivo a promiscuidade e vagabundagem. Alguns dirão que ainda assim isso é arte, mas eu pergunto a esses imbecis, você gostaria de ver sua filha simulando sexo em uma pseudo dança com um shortinho curtinho enfiado no rabo????...

6) O que te causa espanto?

A ignorância das pessoas. Uma coisa é você ser ignorante por realmente não ter formas de como obter conhecimentos e outra é a pessoa querer ser ignorante, falar errado, escrever errado, se comportar como um criminoso só para se sentir descolado. No Brasil a cultura da malandragem infelizmente é muito latente. É legal ser malandro, ludibriar as pessoas, ganhar vantagem em algo, subornar alguém etc.


7) Um livro.

Antologia Poética, de Vinícius de Moraes

8) Um filme.

Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada, Prostituída...

9) Epitáfio.

Volto logo! :-) 


10) Um recado para quem está começando nas artes plásticas.

Nunca desista na menor das dificuldades pois não há erros para quem faz arte, só há experiência e toda experiência lapida a pedra bruta dentro de cada um de nós e nunca , mas nunca mesmo deixe que pseudos professores de arte ou pseudos conhecedores de arte digam a você o que você deve ou não fazer em sua arte. Siga suas vontades e seus desejos e sempre tenha pelo menos papel e lápis na mão, pois certas ideias surgem do nada e você precisará rascunhar para depois ver no que vai dar...


11) Próximos passos

Eu gostaria de ajudar crianças e/ou idosos doentes em hospitais e/ou orfanatos ensinando o quase nada que eu sei, porém doando um pouco do meu conhecimento em arte para que as cores que utilizo possa ajudar a aliviar as dores de quem sofre nesses locais. Ah, gostaria de ter meu próprio ateliê, pois se vocês souberem onde eu pinto, vocês não irão acreditar, não mesmo (risos)... dica, trabalho com segurança pública :-) 

Obrigado a todos que dispuseram a ler esse bate papo e quem quiser seguir meu trabalho é só me adicionar no   Facebook/vinnygrin



terça-feira, 30 de agosto de 2016

AS MIL FACETAS DA CACAU MILA

Por: Diego El Khouri

Escritora, atriz, cantora,compositora,apresentadora... As mil facetas dessa grande artista    devassada aqui nessa entrevista; páginas vivas nesse blog que continua na sua obsessão cultural traçando painéis, paralelos, criações e caminhos com todos seus contornos, nuances e profundidades.  Vale a pena saber mais sobre essa goiana talentosa conhecida como Cacau Mila.





1)     O que te despertou pra  música?

Meu contato com a música começou muito cedo. Meu pai era músico e cantor, possuía uma banda e levava os instrumentos pra casa todos os dias após o ensaio. E foi assim, com contato com sanfona, violão e teclados que eu reconheci minha primeira paixão.

2)     Quais os artistas que influenciaram em sua formação?

A verdade poética de O Teatro Mágico e a conexão espiritual provocado pelas composições do Coldplay foram, durante muito tempo, minhas principais influências.
Hoje a nova MPB (Silva, Gadu, Clarice), juntamente com o ritmo envolvente do indie e de bandas como Beirut, tem sido o que mais me chama a atenção pela nova maneira de utilização da voz nas melodias como na mistura de sons.



3)     O que pretende transmitir com sua arte? Em algum momento pensa no receptor?

Eu sempre penso. É o que sempre penso.
Quero que as pessoas se sintam mais felizes, animadas e com mais fé na vida de alguma forma. Minha maior ambição, talvez um tanto quanto infantil, é que uma história de amor comece algum dia ao som de alguma música minha.

4)     Fale sobre seu livro Enquanto você não vem 

O Enquanto você não vem nasceu de anos de anos de blog. Quando a Penalux me convidou a levar os textos para o impresso, senti um misto de preguiça com pânico. Remexer em escritos é sempre soprar as cinzas de si mesmo. Nem sempre o que tem debaixo da poeira esquecida é algo bom. Mas, me enchi de coragem e o lancei, o livro sobre as fases que passamos até o amor “chegar” e é dividido em: Quando o amor é ansiedade, Quando o amor jorra de dentro, Quando aprendemos a vida, encontramos Deus e enfim, nós mesmos.
Atualmente ainda escrevo textos em prosa poética em meu site cacaumila.com.br e em minha coluna no Mais Goiás.

5) Fale sobre seu trabalho de atriz.

Sempre tive contato indireto com o teatro, fazendo peças desde a infância. Mas, profissionalmente a necessidade nasceu quando me senti exposta demais escrevendo e resolvi que precisa expurgar de outras formas, que precisava colocar a alma para se expressar de outra forma mais forte. Foi aí que o teatro surgiu e desde então já fiz algumas peças, mas sempre com enfoque maior no teatro-musical.


6) Você é Apresentadora (juntamente com Everson Cândido e Marcos Bazzar) do programa Plugin, da Rádio Interativa. Nos fale sobre essa experiência e sobre o programa.

É maravilhoso trabalhar com esses monstros da comunicação. Aprendo muito com o Everson e gosto muito do Bazzar. Nem sempre temos as mesmas convicções e ideologias, mas me sinto honrada em estar na rádio que eu amo, fazendo o que amo, e com pessoas que me ensinam com sua trajetória e me lembram que dá sim pra viver, e viver bem, fazendo o que se gosta.

7) Como é a sua relação com outros artistas do país e em particular, como você encara a cena underground goiana?

Eu gosto muito da nova safra que tem se apresentado nacionalmente, como Silva, Esteban, Tiago Iorc. Não tenho tanto contato com artistas fora daqui, mas o pouco que tenho proximidade, já considero amigos. O cenário underground em Goiânia é algo que me encanta. Todos os dias descubro uma banda nova com som incrível. Não tenho tanto tempo de estrada no meio, então, estou feito menina que vai pela primeira vez no parque de diversões. A coragem, a ousadia da galera independente, a criatividade na mistura de sons e nas gravações e clipes é algo que me fascina e estou muito feliz por podermos levar isso tudo pra mais pessoas através do quadro PlugNovo, no PlugIN.


8) Que som você anda ouvindo ultimamente?

Esteban Tavares, Tiago Iorc, Noahs, The Chinaskis, James Morrinson.


9) Vamos falar agora de literatura; o que anda lendo?

O lobo da Estepe – Hermann Hesse
Maestro – A volta por cima de João Carlos Martins, por Ricardo Carvalho.


10) Próximos passos.

Estudar, me aprimorar como apresentadora, poupar grana pra gravar um ep, transformar alguns textos em músicas, conhecer Amsterdã e comprar uma bicicleta.