segunda-feira, 7 de maio de 2012

LAW TISSOT E A FANZINOTECA MUTAÇÃO


(Por Diego EL Khouri)


Law Tissot, professor de artes visuais e ilustrador, colocou em prática um grande sonho, a Fanzinoteca Mutação, espaço ideal pra cultura alternativa. Conheça mais sobre a Fanzinoteca e esse personagem importante da cultura underground:


De que forma você chegou até a cultura alternativa e qual importância que ela tem no cenário cultural do país?

Law:  Comecei com o fanzine Mutação, em 1984, ao lado de alguns amigos. Todos nós sonhávamos ser quadrinhistas famosos... Com isso cheguei ao fanzines e em seguida na cultura punk. Nossa cena alternativa é muito intensa, tem muita gente talentosa que merece ser conhecida, artistas, escritores, produtores e produções. Mas creio que a importância esteja nesse nível de invisibilidade, onde permite que esta cena exista num circuito próprio, onde somente os iniciados conseguem penetrar...

Como surgiu a Fanzinoteca?

Law: A Fanzinoteca Mutação nasceu de uma parceria com o Ponto de Cultura ArtEstação, aqui na cidade do Rio Grande, RS, a partir de um prêmio da Funarte chamado Interações Estéticas, em 2009. Eu tinha esse desejo há muitos anos, então no começo eu doei minha coleção de fanzines e depois fui recebendo muitas doações de amigos e entusiastas. Hoje temos recebido todos os meses novos fanzines para o acervo.

Os primeiros fanzines sempre foram voltados pra ficção científica. Até porque a ficção científica era encarada de forma torta, como uma sub arte e nos meios convencionais não tinha espaço para esse tipo de mídia. Hoje qual é o caminho do fanzine?

Law: Primeiro preciso confessar eu sou um amante da ficção-científica, mantenho uma coleção repleta de livros, revistas, brinquedos, memorabilía... Mas sobre o caminho dos zines, creio que não exista um caminho. Digo isso quando fico remexendo nos mais de 3000 exemplares da Fanzinoteca Mutação. Tem zines de tudo quanto é tipo, idéias, formatos, desenhos, colagens... Esse mundo imponderável e repleto de possibilidades estéticas e narrativas é que tornam os fanzines tão fascinantes.


Como se dá o intercâmbio com outras fanzinotecas e zines de outros países?

Law: Os intercâmbios são estabelecidos através do blog da fanzinoteca, por e-mail ou pelo facebook. Nós sabemos, a internet é a forma mais rápida e eficiente de divulgar nosso espaço... 

Acredita em censura no meio alternativo?

Law: Censura no meio alternativo? Não tenho uma opinião a respeito... Mas acredito que exista muito preconceito, intolerância. Mas como disse, existem tantos tipos de zines, que traduzem o espírito de tantos zineiros. Pois é, existem fanzines canalhas... Mas poderia ser diferente? Um pouco de motivação, alguns trocados e um xerox por perto e o estrago está feito.


O blog vai acabar com o zine impresso?

Law: Eu penso muito sobre isso, já arrisquei alguns palpites. Talvez em algum momento no futuro não exista mais espaço para o impresso de qualquer espécie. Mas até isso acontecer ainda vamos encontrar milhares de zines circulando pelo planeta.

o quem tem a dizer para a rapaziada que quer entrar no mundo dos zines?

Law: Enviem uma cópia para nosso acervo!

2 comentários:

  1. Ótimas entrevistas...vou organizar melhor o meu tempo, para a leitura "bloguística"...

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